Poucos ativos são tão importantes para uma economia quanto a “confiança”. Quando ela desaparece, investimentos são adiados, o consumo diminui e o crescimento perde força. Em outras palavras, o desenvolvimento simplesmente para ou, no mínimo, desacelera bruscamente.
Tem sido comum nas boas rodas de conversa o tipo de desabafo das pessoas, recheado de desencanto e descrédito com relação ao noticiário corrente, sempre infestado de registros sobre as crises que afetam todos os setores da economia.
Ocorre que essa postura da população se contrapõe ao otimismo divulgado pelos índices oficiais, que frequentemente apresentam sinais positivos da economia. Como são eles que fazem, e conferem, dificilmente vão pintar um quadro negativo das suas responsabilidades. Fato!
O fator “confiança institucional” sempre se constituiu como um dos ativos fundamentais de uma Nação. Onde ela está presente, os investidores investem, os empresários ampliam os seus negócios e os trabalhadores passam a acreditar no futuro. Inexistindo esse elemento básico, um processo de insegurança se instala e a economia entra em completo declínio.
Há alguns anos o Brasil enfrenta esse desafio. Não obstante o amplo potencial econômico, o farto universo de recursos naturais e um vasto mercado consumidor, o país convive com um ambiente de incertezas políticas, elevada carga tributária e conflitos para estabelecer políticas permanentes de Estado.
Para se alcançar um nível de crescimento sustentável, é fundamental a existência da credibilidade, que não se ampara em discursos otimistas, mas é construída por meio de decisões coerentes, da existência de instituições sólidas e de regras estáveis e bem definidas.
A combinação de todos esses fatores produz um ambiente favorável e previsível para a normalidade do desenvolvimento. Os grandes investidores nem sempre colocam os resultados como objetivo básico do empreendimento, mas buscam, principalmente, a segurança de que as regras permanecerão estáveis ao longo do tempo.
Onde predominam as incertezas, até mesmo o público consumidor reduz o nível de consumo, provocando, consequentemente, a desaceleração da atividade econômica. Quando lemos notícias de que uma grande rede de supermercados fechou 22 lojas, esse é o reflexo do tema abordado, que precisa ser recuperado.
A recuperação da confiança está diretamente subordinada ao estabelecimento de prioridades nacionais que ultrapassem governos, fortaleçam as instituições, simplifiquem o sistema tributário e aumentem a eficiência do gasto público, além de garantir segurança jurídica para quem produz, trabalha e empreende.
Ao lado do esforço para restabelecer a previsibilidade das ações do Estado e fortalecer suas instituições, é importante que se reduzam os níveis de polarização que têm dominado o debate nacional. Torna-se inconsistente a tentativa de viabilizar um projeto robusto de desenvolvimento se não houver consensos mínimos em torno dos interesses nacionais.
O Brasil se configura como um dos países com melhores condições de alcançar os seus objetivos, não somente em razão das suas riquezas naturais, mas porque possui capital humano, indústria diversificada, capacidade produtiva e amplo mercado interno. Basta desenvolver um planejamento adequado, reformas econômicas duradouras e oferecer credibilidade às suas ações.
Não importa se o processo eleitoral resulta em alternância de poder político ou ideológico, mas sim que as instituições estejam sólidas e o desenvolvimento não seja interrompido. Uma máquina governamental enxuta e sem ônus eternos, como se vê atualmente no entra e saí de governantes…
Desde que tenhamos um país em estado de estabilidade e competitividade, a sua economia atrairá naturalmente investimentos, ampliará oportunidades e estará preparado para enfrentar os desafios do século XXI.
Autor: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público – Salvador – BA.
Blog do Florisvaldo – Informação Com Imparcialidade

2 Comentários
Agenor, o editorial aborda com precisão a importância da confiança como alicerce do desenvolvimento. No entanto, cabe uma reflexão: como reconstruir essa confiança quando, repetidamente, promessas de campanha desaparecem logo após as eleições? Como fortalecer a confiança institucional se muitas denúncias permanecem sem respostas convincentes, alimentando a percepção de impunidade e descrédito?
O brasileiro passou a desconfiar não apenas de governos, mas da própria política. A sucessão de promessas não cumpridas ao longo dos últimos mandatos contribuiu para afastar, principalmente, os jovens da participação partidária e da vida pública. Quando a esperança dá lugar ao ceticismo, a democracia perde uma de suas maiores forças: a participação consciente do cidadão.
O Brasil possui recursos naturais, capacidade produtiva, empreendedorismo e um povo trabalhador. Entretanto, quem produz, fabrica, planta e gera empregos ainda enfrenta uma carga tributária elevada, sem receber em contrapartida serviços públicos e investimentos na mesma proporção do que arrecada, além de conviver com um ambiente de insegurança que muitas vezes desestimula o investimento. Recuperar a confiança exige mais do que discursos otimistas. Exige coerência entre o que se promete e o que se entrega, transparência nas instituições e políticas públicas capazes de devolver ao cidadão a certeza de que o esforço de quem trabalha será valorizado e respeitado.
O nobre comentarista Florisvaldo disse tudo: sem credibilidade fica difícil a confiança. Então está na hora ou já passa da hora dos senhores e senhoras da política, prometerem aquilo que é possível realizar… ou prometer menos, e fazer mais!!!