Estamos vivendo um período pré-eleitoral, normalmente marcado por expectativas de mudanças no cenário político e pela busca de novos rumos para o país. Afinal, temos esse direito, ainda que eles pensem apenas no rumo de suas vidas.
A fase atual evidentemente tem como fator comum o uso abundante das ‘palavras’, na disputa natural pelo convencimento dos eleitores habilitados a votar em todo o país. Em 2026 será o momento certo para escolher quem vai ter condições de pensar e sugerir instrumentos que possam melhorar a vida das pessoas!
Mais importante que a dimensão desse eleitorado, entretanto, é a responsabilidade que acompanha cada voto. E é justamente nesse ponto que surge uma questão recorrente do período eleitoral: o excesso de palavras, muitas vezes repetitivas e nem sempre acompanhadas de propostas convincentes.
Para compreender a verdadeira força do voto no Brasil, vale a pena olhar para os números sob uma perspectiva global. O nosso eleitorado, por si só, é maior do que a população inteira de 187 dos 195 países soberanos reconhecidos pela ONU e com direito a voto nas Assembleias Gerais.
Hoje, o Brasil faz parte de um grupo seleto de nações cuja população total passa dos 150 milhões de habitantes. No cenário global, segundo previsão oficial da ONU (2025), o ranking dos países mais populosos do mundo se desenha assim:
- Índia: 1.463,9 milhões China: 1.416,1 milhões
- Estados Unidos: 347,3 milhões Indonésia: 285,7 milhões
- Paquistão: 255,2 milhões Nigéria: 237,5 milhões
- Brasil: 212,8 milhões Bangladesh: 175,7 milhões
Isso significa que a quantidade de eleitores que vão às urnas por aqui supera a de habitantes da esmagadora maioria dos países do planeta. É um peso demográfico e político gigantesco que não pode ser ignorado.
Conter os excessos é necessário, claro, mas precisamos lembrar o peso que a ‘palavra’ tem na engrenagem democrática. É conversando, argumentando e até discordando que governos mostram seus planos, legisladores alinham projetos, partidos defendem bandeiras e o cidadão cobra o que lhe é de direito.
Mas existe uma distância que precisa ser enfrentada: a distância entre aquilo que se promete e aquilo que efetivamente se realiza. Ou seja, aguçar a capacidade de distinguir quando as palavras deixam de ser instrumentos para orientar ações e passam a substituir a própria ação.
É no dia a dia que as políticas públicas passam pelo teste de fogo. De nada adianta anunciar investimentos ou criar programas no papel se o dinheiro não é executado e os resultados não aparecem na ponta.
Discursos fazem parte do jogo eleitoral, é natural. O desafio do eleitor é identificar quem tem propostas sólidas e quem está apenas empilhando promessas vazias. Afinal, o país não vai sair do lugar se o futuro for sustentado apenas por retórica de palanque.
Tirar uma ideia do papel e fazê-la chegar à ponta exige um percurso longo, que a sociedade precisa fiscalizar de perto. Isso envolve desde o planejamento inicial e a execução orçamentária até a cobrança por transparência e resultados reais. Ou mais que isso, é preciso ter compromisso e vergonha para não decepcionar seu eleitorado, que vota cheio de esperança de que o prometido será cumprido!
Essa regra vale do menor município à engrenagem da União. Cada esfera tem seu papel, mas o desafio de fundo é rigorosamente o mesmo: fazer o imposto pago pelo cidadão virar hospital funcionando, escola de qualidade e infraestrutura que mude a vida das pessoas.
No fim das contas, a política sempre vai depender das palavras para se comunicar. Mas o documento final que validará o discurso só será emitido através dos resultados práticos.
Autor: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público (Salvador-BA).
Blog do Florisvaldo – Informação Com Imparcialidade

4 Comentários
Caro Agenor, bom dia!
Diante de tudo o que estamos assistindo e acompanhando nestes últimos dias, gostei muito da escolha do tema e, principalmente, da forma como você desenvolveu o conteúdo, muito oportuno para o momento que estamos vivendo.
Após ler e refletir sobre este Editorial, assisti ao horário eleitoral, espaço em que os candidatos apresentam suas ideias e propostas, e acompanhei também os últimos noticiários sobre a crise no STF, que, lamentavelmente, ganhou repercussão nacional e internacional.
Diante desse cenário, seu título – “O Brasil precisa muito mais que palavras” – não poderia ser mais oportuno e assertivo.
O Brasil precisa, sim, de palavras responsáveis, mas, acima de tudo, precisa transformá-las em atitudes, compromisso e resultados. E com urgência!
Parabéns pelo Editorial.
Um Artigo em letras maiusculas, em todos os sentidos. Seja pela narrativa, seja pela exemplificação nele contida. O melhor mesmo, é a verdade e a realidade absolutamente exposta de forma clássica e bem dita!
Parabéns, Agenor. Ótima crônica. Um abraço e um bom final de semana prolongado. (Salvador-BA)
Bom dia, meu amigo Agenor. Mais uma bela crônica. (Maracás-BA).