
Por: Florisvaldo Ferreira dos Santos
Há datas que o calendário registra. Outras, a História se encarrega de gravar na memória.
11 de setembro é uma delas.
Em 2001, os Estados Unidos sofreram uma série de ataques terroristas coordenados pela Al-Qaeda. O mundo assistiu, perplexo, às Torres Gêmeas do World Trade Center desabarem diante das câmeras. Quase três mil pessoas morreram e, depois daquele dia, muita coisa mudou — não apenas nos Estados Unidos, mas também na maneira como o mundo passou a enxergar segurança, inteligência, prevenção e vulnerabilidade.
Seria absurdo — e historicamente irresponsável — comparar aquela tragédia humana com o que acontece hoje no Brasil.
Mas datas também servem para provocar reflexões.
Vinte e cinco anos depois, outro 11 de setembro nos encontra olhando para Brasília.
Não há aviões sequestrados. Não há torres em chamas. Não há terrorismo.
Há, porém, instituições em turbulência.
E turbulências institucionais também recomendam atenção aos instrumentos de bordo.
Quando decisões judiciais entram em choque, autoridades divergem sobre competências e o cidadão comum começa a ter dificuldade para compreender onde termina o poder de um e começa o do outro, talvez seja hora de fazer algumas perguntas aparentemente simples:
Quem obedece a quem?
Quem investiga quem?
Quem pune quem?
Quem fiscaliza quem?
Quem limita quem?
E, talvez a mais complicada:
Quem decide sobre quem decide?
A Constituição brasileira procurou responder a boa parte dessas perguntas ao estabelecer a separação e a independência entre os Poderes e criar mecanismos de controle justamente para impedir que qualquer autoridade se torne maior do que a instituição que representa.
Mas Constituição não funciona sozinha.
Ela depende de homens e mulheres dispostos a respeitar não apenas aquilo que podem fazer, mas também os limites daquilo que devem fazer.
E aqui surge uma ironia difícil de ignorar.
Quanto maior o poder de uma instituição, maior deveria ser sua preocupação em demonstrar equilíbrio, transparência e autocontenção.
Afinal, confiança institucional não se impõe por despacho.
Muito menos por decreto.
Constrói-se.
O Supremo Tribunal Federal é indispensável à democracia brasileira. Exatamente por isso, qualquer sinal de conflito interno, dúvida sobre competências ou desgaste de sua autoridade merece preocupação — jamais comemoração.
Democracias não precisam de Poderes fracos.
Precisam de Poderes fortes o suficiente para cumprir suas funções e conscientes o bastante para reconhecer seus limites.
Talvez esta seja uma das reflexões que a lembrança daquele 11 de Setembro — guardadas todas as enormes e indispensáveis diferenças — ainda nos permita fazer: até as estruturas que parecem mais sólidas revelam suas vulnerabilidades quando os sinais de alerta são ignorados.
Por isso, neste 11 de setembro de 2026, em vez de procurar vencedores e derrotados em Brasília, talvez seja mais prudente observar as instituições e perguntar se os sinais estão sendo percebidos enquanto ainda há tempo para preservar aquilo que realmente importa.
Porque instituições não pertencem aos homens que, temporariamente, as ocupam.
Pertencem à sociedade.
E, quando aqueles que têm a missão de interpretar as regras passam a divergir sobre os próprios limites, uma antiga pergunta volta a ecoar com desconfortável atualidade:
Quem guarda os guardiões?
Blog do Florisvaldo – Informação com Imparcialidade

7 Comentários
O texto propõe que a verdadeira solidez de uma democracia não reside na força de seus decretos, mas na autocontenção daqueles que exercem o poder. Ao cruzar a memória do 11 de setembro com a atual crise institucional brasileira, o autor nos lembra de que as maiores ameaças a um país nem sempre vêm de fora; elas podem germinar silenciosamente na erosão das regras do jogo. Quando os guardiões da Constituição passam a disputar as próprias fronteiras, a segurança jurídica desmorona, restando ao cidadão o eco de uma dúvida perigosa. Proteger as instituições, portanto, exige reconhecer que nenhum homem pode ser maior do que a cadeira que ocupa temporariamente.
Particularmente, o que mais me inquieta não é a força de uma instituição, mas o momento em que essa força parece não reconhecer mais os próprios limites.
Autoridade sem limites deixa de ser garantia de estabilidade e passa a ser uma ameaça à própria instituição que deveria proteger.
Talvez seja por isso que a pergunta seja tão incômoda e tão necessária: quem guarda os guardiões?
Meu caro amigo, Editor Florisvaldo, você produziu uma pérola! Sensibilidade e perfeita visão comparativa das duas grandes tragédias da história! Enquanto o trágico ato terrorista sugou 2.753 vidas no Trade Center, 25 anos atrás, os terroristas brasileiros estão conseguindo destruir o Estado e a credibilidade das instituições, deixando milhões de brasileiros perplexos quanto ao futuro do brasil! Parabéns, pela boa análise do seu texto!
Excelente texto! Excelente reflexão. E pensando no 11/09 acredito que todos saibam exatamente onde estavam no momento da queda das torres gêmeas, infelizmente fica guardado na memória.
Florisvaldo, Instituições fortes também precisam ser cobradas, fiscalizadas e submetidas a freios e contrapesos.
André Mendonça, não quer aceitar aos freios das regras constitucionais, protegendo um lado, em gratidão ao seu criador ( Bolsonaro).
Perrtinente pergunta. Quem saberá responder? O povo é o melhor juiz num momento como esse. Mas são excluídos de opinar ou de se manifestar livremente! Eis aí a dificuldade de encontrar um guardião. Pense numa verdade!!!
Florisvaldo, na verdade, vivemos momentos tenebroso, o onze de setembro nos Estados Unidos, foi uma situação dramática, onde o terrorismo constrói obras sem as devidas leis, e sim sua vontade, para desentupir a dignidade daqueles que não concordo com suas ideologias, evidentemente a nossa constituição está sendo destruída pelos aviões dos poderes, com isso a nossa democracia está esfacelada.
Essa é a minha percepção.
Joãozinho