Entre os quinze países de pesada carga tributária, que atualmente integram o cenário político-econômico mundial, o Brasil, ao lado de mais 14 países europeus, está ocupando o 14° lugar na classificação descendente – 32,4% a 34,35% do PIB – entre os que mais possuem elevados índices de carga tributária aplicada sobre as empresas e a população em geral. Nesse grupo, oito deles variam de 48 a 40%: Dinamarca, França, Bélgica, Itália, Áustria, Finlândia, Suécia e Noruega. Veja o quadro abaixo:
Com base em dados projetados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e estudos da carga tributária de 2025/2026, o quadro de classificação em escala descendente, focado na “relação imposto/PIB”, é dominado por países europeus, com o Brasil apresentando uma das maiores cargas entre os países emergentes.
No demonstrativo acima, o Brasil aparenta uma posição confortável, por ser o penúltimo da classificação. O problema central, contudo, não está apenas no volume de impostos arrecadados, mas na percepção cada vez mais clara de que a sociedade trabalha para pagar impostos. A verdade é que existem contradições estruturais no Estado brasileiro: o elevado peso da arrecadação tributária diante da percepção coletiva de baixa devolução em serviços públicos de qualidade. Para onde está indo o nosso dinheiro? Se alguém souber, eu também quero saber. Saneamento, infraestrutura, saúde? Respondam por favor, senhores governantes.
Nada mais óbvia do que a obrigação inconfundível do cidadão e empresas, em contribuir com o seu imposto para que alguém no Estado desenvolva ações na gestão pública e se responsabilize por manter ativas as estruturas básicas da máquina administrativa. Essa consciência e comprometimento deve existir em qualquer Nação.
Há tributos embutidos nos alimentos, nos combustíveis, nos medicamentos, na energia elétrica, nos serviços, no transporte, nos salários e até no consumo mais básico das famílias de baixa renda. Em muitos casos, o contribuinte sequer percebe o quanto está pagando, porque a carga tributária já vem incorporada ao preço final dos produtos.
Ninguém jamais se imaginou fugindo dessa incumbência inquestionável. Uma verdade, porém, é ver um país onde milhões de brasileiros trabalham diariamente para sustentar uma máquina pública pesada, que é cara e frequentemente ineficiente. O esforço produtivo da sociedade financia estruturas burocráticas gigantescas, privilégios históricos, desperdícios administrativos e sucessivos desequilíbrios fiscais que se repetem independentemente de quem está no governo. Sem falar nas festas e festanças gigantescas, como podemos ver quando eles resolvem comemorar uma ou outra posse nos poderes centrais!
O contexto real exibe uma saúde com filas intermináveis, a segurança pública convive com limitações estruturais, a educação básica ainda apresenta enormes desigualdades regionais e a infraestrutura nacional avança lentamente diante das necessidades do país.
Enquanto isso, o setor produtivo enfrenta um ambiente hostil para produzir, investir e gerar empregos. O empresário brasileiro convive com insegurança jurídica, excesso de obrigações acessórias, complexidade tributária e custos elevados para manter suas atividades funcionando. Em muitos casos, empreender no Brasil exige mais energia para sobreviver à burocracia do que propriamente para crescer economicamente. Sobreviver a toda essa complexidade exige resignação, força e determinação. Ou seja, quem produz, emprega e gera riqueza é demonizado; em outras palavras, isso é inexplicável!
Esse cenário produz efeitos econômicos e políticos profundos. Quando a população percebe que paga muito e recebe pouco, cresce o sentimento de descrença nas instituições públicas. Existe uma percepção amplamente disseminada no país: a de que o contribuinte brasileiro sustenta um Estado caro, complexo e pouco eficiente na devolução de serviços essenciais compatíveis com o volume arrecadado.
O mais grave de tudo isso, é a não observância de limites nos gastos públicos, principalmente pelo tamanho superdimensionado da máquina administrativa em todos os setores dos Três Poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário. Urge a execução de uma Reforma responsável nas Instituições da República e um consequente ajustamento na carga tributária deste país. Se isso um dia acontecer, nada mais será igual. 
Autor: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público (Salvador-BA).
Blog do Florisvaldo – Informação Com Imparcialidade


1 comentário
Boa tarde meu querido eu acho que este dinheiro está bem distribuido na educação, na saúde através do SUS, nos benefícios sociais, na infraestrutura e demais programas, o importante é que o país segue em evolução, diminuindo a corrupção, colocando-os na prisão e transformando a vida das pessoas com mais segurança, combatendo o crime organizado através da PF que não está brincando e quem praticar o ilícito vai pagar, vamos ver o desenrolar do caso Master. (Uibaí-BA).