Dono de uma carreira longeva e bem-sucedida na área, ele entendeu desde cedo que pessoas são mais importantes que apólices e que o aprendizado nunca termina.
Dia 13 de março foi mais do especial para o consultor da área de seguros e benefícios Florisvaldo Ferreira dos Santos, que, aos 76 anos de idade, atingiu a impressionante marca de 57 anos de atuação no seguro e, – detalhe –, ainda continua trabalhando com muita vitalidade e disposição para aprender. “A vida é um aprendizado contínuo e sinto que as novas gerações podem me ensinar muito”, diz.
Atualmente, Florisvaldo está à frente da FF Santos Consultoria de Seguros e Benefícios, empresa que fundou em 2014 e que opera nas áreas de seguros vida, automóvel e saúde. Com residência fixa em São Paulo, onde construiu toda a sua carreira, ele reserva três meses do ano para trabalhar na filial que instalou em Cansanção (BA), sua cidade natal. De quebra, ainda produz conteúdo para o Blog do Florisvaldo, há 14 anos.
Trajetória
Ao longo de mais de cinco décadas de trabalho, Florisvaldo vivenciou as grandes transformações do setor de seguros, da modernização regulatória à hiperinflação e, posteriormente, com a estabilização, à forte expansão e, mais recentemente, à automação e digitalização dos processos. Toda essa bagagem de experiências foi construída a partir de 1969, ano em que iniciou na Companhia Internacional de Seguros.
“Cheguei a São Paulo em 28 de fevereiro de 1969, vindo de Cansanção, sertão da Bahia. Tinha pouca instrução formal, nenhuma experiência profissional e muita expectativa de encontrar uma oportunidade de trabalho em qualquer área”, diz. Depois de algum tempo como office-boy, Florisvaldo iniciou sua formação técnica na área de seguro de vida e acidentes pessoais, saúde e DPVAT.
Tempos depois, passou a atuar no suporte à área comercial e, posteriormente, na área financeira, especialmente na administração de indenizações, chegando à posição na empresa de superintendente em nível nacional. Em sua fase áurea, a Cia. Internacional de Seguros (CIS) era reconhecida não apenas como a principal seguradora independente do mercado, como também a mais técnica entre todas.
Com matriz no Rio de Janeiro e sucursais em todas as capitais, a CIS mantinha escritórios de representação nas principais cidades do país, tornando-se um celeiro de profissionais técnicos do setor. “A CIS era considerada uma das melhores escolas de seguros do país. Mas, pessoalmente, eu a definiria como uma verdadeira universidade, por sua excelência no ensino das normas e técnicas de seguros”, diz.
Dos 22 anos de trabalho na CIS (1969/1991), Florisvaldo guarda as grandes amizades que fez, algumas cultivadas até hoje, tanto que periodicamente se reúne com os ex-funcionários da companhia nos “Encontro de Amigos da CIS”. Nesse ambiente de amizade e confraternização, o grupo relembra sempre episódios e se diverte com causos pitorescos. “Guardo boas lembranças desse período”, diz.
Florisvaldo relata a postura peculiar da CIS de não anunciar vagas de emprego. As contratações eram feitas por indicação. Por outro lado, a companhia também mantinha algumas práticas, hoje consideradas machistas, como a de não contratar mulheres casadas. “As funcionárias sabiam no momento da admissão que deveriam deixar a empresa ao se casarem”, diz, acrescentando que todas recebiam seus direitos e gratificações.
O seguro em transformação
Florisvaldo é testemunha e ator em várias fases do mercado de seguros. Quando iniciou, a Susep tinha apenas três anos de existência e já consolidava sua fiscalização em um setor marcado pelas tarifas fixas e comissões máximas, que resultavam em pouca flexibilidade de preços. O seguro automóvel, por exemplo, foi tarifado até 1986, quando a Susep revogou normas e liberou preços e comissões.
A alta inflação foi um período marcante para Florisvaldo e para todos os profissionais de seguros que atuavam naquela época. “O mercado buscava alternativas para equilibrar receitas e despesas”, diz. A introdução da correção monetária para indenizações foi crucial para manter o valor real das apólices em um cenário de inflação crescente.
Ele se recorda de que nos seguros de bens, os contratos eram atualizados, em geral, a cada três meses ou, no máximo, seis meses. Já nos seguros de pessoas, os valores segurados eram vinculados aos salários dos segurados, o que ajudava a preservar seu poder de compra. Além disso, as indenizações eram corrigidas diariamente a partir da comunicação do sinistro.
O fim de uma era
Poucos anos antes de o setor de seguros passar por grandes mudanças, que foram marcadas pelo advento do Plano Real (1994), a CIS atravessava uma crise. A companhia, que chegou a ser quarta maior do setor no país, com mais de 30 mil clientes, se viu arrastada por um tsunami a partir da quebra da Bolsa de Valores no Rio de Janeiro, em 1989, segundo informações da revista Veja (em 2013).
Em meados de 1990, quando a CIS entrou em liquidação extrajudicial, Florisvaldo, que já ocupava o cargo de superintendente, passou a auxiliar o interventor nomeado pela Susep na condução dos trabalhos relacionados à massa liquidada. Ele foi um dos últimos a deixar a empresa, permanecendo até abril de 1991. A CIS teve sua falência oficialmente decretada décadas depois, em 2019.
Nova fase
Após sair da CIS, Florisvaldo passou, ainda, por duas grandes seguradoras. Ele relata que no Grupo ARBI, responsável pela Santa Cruz Seguradora, enfrentou o desafio de atuar em uma empresa pioneira na adoção de tecnologia de ponta no setor de seguros. Já na SulAmérica, consolidou sua experiência profissional, somando os conhecimentos adquiridos ao longo de sua trajetória.
Ao se aposentar pela CLT, Florisvaldo decidiu fundar a FF Santos, em 2014, para prestar consultoria não apenas em seguros, mas também na área de benefícios da Previdência Social, em questões relacionadas à Receita Federal e direitos trabalhistas. “Percebi que ainda tinha a contribuir com o mercado”, diz. Até hoje, ele permanece como responsável pela administração da empresa, que atua em todo o Brasil.
Do seu casamento de 54 anos, ele tem uma filha e neta, que faz a alegria da família. Disciplinado, costuma dormir e acordar cedo, mantendo uma rotina organizada. Sobre sua personalidade, o próprio define: “Tenho personalidade forte, mas com espírito conciliador e participativo. Às vezes, até exagero quando se trata de ajudar o próximo”, diz. Os valores que mais preza são a lealdade e a honestidade.
Sobre o futuro, Florisvaldo, como bom profissional de seguros sabe das incertezas e, por isso, prefere viver o presente. “Aplico tudo o que aprendi ao longo da vida, seguindo com serenidade e confiança nos caminhos que Deus tem reservado para mim”, diz. Olhando para a sua carreira de 57 anos em seguros, ele destaca um aprendizado: “pessoas são mais importantes que apólices”, e uma certeza: “tem muito a aprender”. Praticando o conceito lifelong learning, diz: “Tudo o que quero é continuar aprendendo”.
Se você deseja conhecer mais detalhes dessa trajetória e ouvir o próprio relato de Florisvaldo sobre sua carreira, assista ao vídeo completo em seu canal no YouTube: https://www.youtube.com/shorts/sUXTN-3erf4
Fonte e Texto: Márcia Alves – Jornalista especializada na área de Seguros – Foto: Divulgação
Blog do Florisvaldo – Informação Com Imparcialidade

4 Comentários
Quanta dignidade e lição de vida. Em dias como esses isso é uma LIÇÃO DE VIDA!
Bela matéria da Marcia sobre o bom amigo Florisvaldo.
Profissional competente em todas as atividades em que participou e ainda participa e, com quem já tive o prazer de colaborar.
Parabéns e siga em frente, sempre!
Parabéns meu amigo.
O homem é aquilo que sonha. Pq quando buscamos o conhecimento, Deus na sua infinita bondade nos ajuda a realizar.
Me sinto feliz por poder compartilhar desta sua conquista.
Bom dia! Parabéns amigo! Linda trajetória. Profissional e pessoal. Feliz em ser seu amigo!