Foto: As imagens dos dois países
A diversidade é uma realidade concreta e comum existente no país, que começa pela coexistência no mesmo território de um Brasil que vive da estatística oficial sempre positiva, repassada através dos pronunciamentos públicos empolgantes e estratégicos. O país que avança, que moderniza, que cresce e que se organiza dentro de metas e projeções cuidadosamente elaboradas. Vamos ser sinceros? Ao final das contas maquiadas, tudo é uma mentirinha só!
Do outro lado, o Brasil real, vivido diariamente pela população, onde os desafios são mais reais do que conceituais. É o Brasil do longo tempo de espera em hospitais desde as madrugadas, da insegurança, da mobilidade urbana precária, do enfrentamento de um custo de vida cada vez mais elevado, e das promessas nem sempre cumpridas. Entre o país estatístico e das narrativas, e o Brasil cotidiano, existe um grande abismo. Uma dicotomia perfeitamente caracterizada. Isso sim, é uma verdade escancarada que eles escondem, bem escondida!
Enquanto o Brasil institucional fala com muito ufanismo da sua eficiência, o país real enfrenta as consequências da lentidão. Igualmente, enquanto a narrativa governamental planeja tudo para o futuro, o país da realidade concreta tenta sobreviver ao presente. Muitas vezes o projeto institucional constrói uma imagem que não encontra correspondência plena na experiência cotidiana da sociedade. E quando essa diferença se amplia, o resultado é um desgaste progressivo da credibilidade pública.
A problemática não reside apenas na existência de dificuldades – elas são naturais em qualquer nação -, mas na enorme discrepância entre o que os governos dizem e o que efetivamente vive a sociedade.
Quando projetos de políticas públicas são anunciados com grande ênfase e expectativa, mas alcançam resultados limitados, um ciclo de frustração é inevitável. Ainda mais grave é quando indicadores oficiais são falsamente gerados sem o devido contexto, e logo a percepção de distanciamento aumenta.
O país real da população não rejeita o progresso; ele apenas exige que esse progresso seja verdadeiro e perceptível. A falta de sintonia entre discurso e realidade alimenta polarizações, amplia desconfianças e enfraquece a capacidade de diálogo. Afinal, é difícil construir consensos quando diferentes grupos parecem viver em versões distintas do mesmo país. Assim, impõe-se um imediato alinhamento entre a narrativa e a prática. Exige que o país oficial reconheça, com clareza, as limitações do país real e trabalhe para reduzi-las de forma concreta.
Isso passa por políticas mais eficazes, comunicação mais transparente e, sobretudo, compromisso com resultados que possam ser sentidos no cotidiano das pessoas. Porque um país não se sustenta sob as colunas da mentira, pelo que declara ser, mas, principalmente, pelo que efetivamente entrega à sua população.
Durante o tempo em que o Brasil oficial continuar distante do Brasil real, permanecerá a sensação de que se vive em uma nação das promessas, mas não das realizações plenas.
Enquanto o país oficial continuar falando para estatísticas, e não para pessoas, o país real seguirá esperando, não por promessas, mas por respostas. Porque, no fim, nenhuma narrativa resiste por muito tempo quando a realidade insiste em desmenti-la todos os dias. Até porque, segundo um velho ditado, “mentira tem pernas curtas”, e logo a verdade surge e se sobrepõe à mentira inventada e sustentada no maior cinismo que se possa imaginar.
Autor: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público – Aposentado do Banco do Brasil.-Salvador-BA.
Blog do Florisvaldo – Informação Com Imparcialidade

3 Comentários
Parabéns, Agenor, pela lucidez e coragem na construção desa cronica. Com sensibilidade e firmeza, você expõe de forma clara e responsável a distância entre o país que se apresenta nos discursos oficiais e aquele que a população vivencia diariamente.
Seu texto traduz, com precisão, o sentimento de muitos brasileiros que percebem esse contraste entre números otimistas e realidades desafiadoras. Ao abordar essa dualidade, você não apenas denuncia, mas também provoca uma reflexão sobre a necessidade urgente de alinhamento entre discurso e prática.
Mais do que uma crítica, sua crônica é um chamado à responsabilidade, à transparência e ao compromisso com resultados concretos. Trata-se de um texto atual, pertinente e necessário, que contribui de forma significativa para o debate público e para a construção de uma sociedade mais consciente e exigente.
Bem ditas e verídicas palavras. Quer prova maior do que os gastos exorbitantes com as festanças? Tudo errado e eles maquiando a REALIDADE.
Com um bandido mentiroso botado no poder, espera-se o quê? (Miguel Calmon-BA).