Por: Florisvaldo F. dos Santos
Chegar aos 90 anos já é, por si só, motivo de celebração. Chegar a essa idade cercada por filhos, netos, bisnetos, tataranetos e amigos, recebendo manifestações de carinho e gratidão, talvez seja uma das mais bonitas respostas que a vida pode oferecer à pergunta: valeu a pena?
No caso de Dona Izaura Andrade, a resposta parece estar estampada em cada geração que veio depois dela.
Esposa do senhor Juraci Andrade, encanador profissional autônomo, Dona Izaura viveu o modelo familiar bastante característico dos anos 1960: enquanto o marido trabalhava para garantir o sustento da casa, a ela cabia a administração do lar e, principalmente, o cuidado com os filhos — sua educação, seus valores, sua formação moral e a preparação para a vida.
Era uma divisão de responsabilidades comum àquela época, mas que, no caso de Dona Izaura, ganhou contornos ainda mais desafiadores.
Ainda jovem, ficou viúva.
E aquela mulher que até então dividia com o marido as responsabilidades da família precisou assumir, praticamente sozinha, os papéis de mãe e pai. Era preciso continuar a casa, criar os filhos e, acima de tudo, não permitir que as dificuldades mudassem os princípios que sempre procurou transmitir.
E conseguiu.
Os filhos cresceram levando consigo ensinamentos que não estavam escritos em livros ou diplomas, mas que atravessam gerações: honestidade, respeito ao próximo, responsabilidade, dignidade e amor à família.
Vieram os anos, os filhos se tornaram adultos, alguns constituíram suas próprias famílias e Dona Izaura ganhou um novo título: avó.
Mas, para ela, ser avó nunca significou apenas contemplar de longe. Continuou presente, acolhendo, aconselhando, cuidando e ajudando na formação daqueles que chegavam.
Depois vieram os bisnetos. E, como a vida reservava ainda mais capítulos para essa história, chegaram também os tataranetos.
Mudaram as gerações, os costumes e o mundo ao redor. Uma coisa, entretanto, permaneceu igual: o carinho de Dona Izaura, distribuído sem distinção entre aqueles que fazem parte da grande família que ajudou a construir.
E assim chegamos ao dia 6 de setembro de 2026, quando Dona Izaura completou 90 anos de vida.
A comemoração aconteceu no sábado, 19 de setembro, em sua residência — justamente o lugar que, ao longo dos anos, se tornou ponto de encontro e acolhimento da família.
Ali estavam filhos, netos, bisnetos, tataranetos, demais familiares e inúmeros amigos. Alguns fizeram depoimentos emocionados, relembrando episódios e, sobretudo, agradecendo àquela mulher por muito do que são hoje.
Foi uma noite preparada para celebrar a vida.
Aos convidados foi servido um jantar com variadas opções de pratos quentes, sobremesas e bebidas. E, entre tantas opções, havia um detalhe que merecia registro especial: a tradicional salada de berinjela, presença conhecida nos almoços preparados por Dona Izaura ao longo dos anos, sempre feita com aquele carinho que transforma uma receita simples em lembrança de família.
Naquela noite, portanto, a salada de berinjela não estava apenas à mesa. Estava também na memória de quem tantas vezes se sentou à mesa de Dona Izaura e foi por ela recebido e acolhido.
A animação musical ficou por conta do conjunto JM DO PISEIRO, ao som, entre outras, de “Vai Ordinário!”, acrescentando ainda mais descontração à festa.
Entre os convidados, tive a honra de estar presente.
Minha convivência com essa família atravessa cerca de cinco décadas. Por isso, receber o convite especial para participar dessa celebração teve para mim um significado que ultrapassou o compromisso de fazer um registro para o Blog do Florisvaldo.
Foi, antes de tudo, um gesto de amizade e consideração que muito me sensibilizou.
Agradeço sinceramente o convite, a acolhida carinhosa e a oportunidade de testemunhar uma noite em que não se comemoravam apenas 90 anos de existência, mas toda uma história construída ao redor de uma mulher.
Talvez esteja justamente aí a resposta ao “Como?” do título.
Como chegar aos 90 anos assim?
Talvez vivendo de maneira que, ao olhar ao redor, seja possível encontrar filhos, netos, bisnetos, tataranetos e amigos que carregam um pouco daquilo que você lhes ensinou.
Dona Izaura chegou aos 90 anos cercada não apenas por uma família numerosa, mas pelo resultado vivo de sua própria história.
Que Deus lhe conceda saúde, serenidade e muitos anos de vida para continuar acompanhando essa família que cresceu sob seus cuidados e seus ensinamentos.
E, depois de tantos depoimentos, abraços, lembranças e emoções daquela noite, talvez não fosse necessário dizer muito mais.
Bastariam duas palavras:
PARABÉNS E GRATIDÃO!
Parabéns, Dona Izaura, pelos seus 90 anos.
E gratidão por tudo o que a senhora representou – e continua representando – para tantas gerações.
Vida longa, Dona Izaura!
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