Passado o primeiro turno das eleições – e mesmo ainda faltando a definição final no 2° Turno para seis Estados, Distrito Federal e, também, para o Presidente da República -, o Brasil começa a ter um olhar diferenciado para além das eleições. E eis que uma pergunta especial e importante surge no cenário nacional: QUE BRASIL SAIRÁ DAS URNAS?
A curiosidade resultante dessa interrogação é a de que ela não deve ser dirigida apenas aos candidatos, mas, também, à própria sociedade, agente principal em todo esse processo. E, por conseguinte, a parte mais interessada e porque não dizer, a quem mais precisa ser direcionadas as benesses necessárias para melhor qualidade de vida do povo.
A disputa eleitoral que durante meses ocupou grande parte da atenção nacional, vai nos deixar até o final do mês de outubro um resultado concreto: candidaturas encerradas, votos transformados em mandatos e, sobretudo, um país diante das consequências de suas escolhas.
Cujas escolhas, ao longo de quatro longos anos, serão benéficas ou maléficas, mas isso só o tempo dirá. Só o tempo vai dizer se aquelas batidinhas nas costas, bem-educadas e cheias de segundas intenções no seu voto, era verdade ou pura enganação!
Aos candidatos que terão a definição do seu futuro político no 2° Turno, ainda restará um curto espaço de tempo para pensar no futuro. As urnas não escolhem apenas pessoas, mas elas também expressam prioridades.
Como também não entregam apenas vencedores e derrotados. Elas revelam expectativas, insatisfações, prioridades e, em alguma medida, a maneira como uma parcela expressiva da sociedade percebe o momento vivido pelo país.
E é essa visão que faz toda a diferença e que o eleitor vai moldando suas escolhas que não deixa de ser um processo de aprendizado, porque algumas vezes acertamos, mas, outras vezes, erramos feio!!!
Cada voto representa uma manifestação individual, mas o conjunto deles forma um retrato político que precisa ser compreendido com responsabilidade. Por isso, o resultado de uma eleição precisa ser analisado para além da comemoração dos vencedores e da frustração dos derrotados.
Depois das urnas, chega a hora de transformar propostas em planejamento, e este em ações na direção dos resultados. Este é o momento em que os discursos já perderam a sua função precípua e não mais representam os anseios do eleitorado.
Nesse momento o que mais importa é fazer valer que a promessa seja cumprida, a espera seja efetivamente realizada, assim como, a palavra seja substituída por efetivas ações…
O país que desejamos e que irá emergir das urnas dependerá, também, da maturidade daqueles que forem os escolhidos. E aos eleitos cabe a consciência de que o mandato pertence à sociedade e não ao mandatário. O voto é uma delegação de poder, não uma autorização para ignorar compromissos, instituições ou interesses coletivos.
Uma verdade é insofismável dentro do contexto democrático: o vencedor deverá governar para todos, inclusive para os que lhe foram contrários politicamente. E estes deverão exercer a oposição com sentimento de responsabilidade. Sim, porque aos cidadãos cabe o direito de fiscalizar, criticar e cobrar, sem perder de vista o nível de respeito que deve corresponder, o que representa um compromisso permanente entre sociedade e Estado.
Durante o período eleitoral a disputa pelo voto se constitui no tema inspirador dos discursos. Depois dessa fase, o interesse público precisa recuperar o seu lugar de prioridade central do universo administrativo.
Chega o momento em que o país não pode permanecer em campanha permanente. A lógica evidente é que há uma diferença fundamental entre conquistar votos e administrar responsabilidades. A primeira tarefa termina nas urnas; a segunda começa justamente depois delas.
Conclui-se, portanto, que a eleição é apenas o prefácio de um livro que se escreve diariamente com planejamento, fiscalização e responsabilidade. Que em 2026, governantes e cidadãos compreendam que a soberania das urnas não outorga cheques em branco, mas sim o dever insofismável de gerir o Estado com eficiência, ética e transparência para todos.
Autor: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público (Salvador-BA).
Blog do Florisvaldo – Informação com Imparcialidade

2 Comentários
Parabéns, Agenor, por mais um excelente editorial, que nos convida a refletir sobre o Brasil que teremos após as eleições.
Lembrei-me de meu saudoso pai, que, com a sabedoria adquirida ao longo da vida, costumava desconfiar do ditado popular: “Donde menos se espera, é que sai o coelho”. Ele preferia dizer: “Donde menos se espera, é daí que não sai nada!”
Que desta vez a experiência do meu velho pai seja contrariada e que das urnas saiam não apenas vencedores, mas governantes verdadeiramente comprometidos com o povo.
Obrigado por mais essa oportuna reflexão!
Esperamos que saia um país melhor e acima de tudo voltado para o futuro como sempre disseram que somos. Dito isso, pergunto: o futuro nunca chega aqui por que?