
“Historicamente, o setor segurador ajudou a impulsionar padrões de segurança que hoje consideramos naturais. Ao precificar riscos, criar incentivos e apoiar melhores práticas, contribuiu para elevar padrões de construção, segurança operacional e gestão de riscos em diferentes setores da economia. Precisamos agora aplicar a mesma lógica ao risco climático”, analisa Eduard Folch, presidente da Allianz Brasil.
Segundo ele, o seguro tem que preceder o risco, em vez de apenas reagir a ele. Além de indenizar perdas, ele aponta ser necessário ajudar clientes a compreender, prevenir e reduzir riscos. “Isso inclui incorporar critérios climáticos aos processos de subscrição, oferecer serviços de consultoria em resiliência e desenvolver produtos inovadores e adaptados à nova realidade climática”.
A atuação da Allianz é pautada em duas frentes complementares: mitigação e adaptação climática. “Enquanto a mitigação busca reduzir riscos futuros, enfrentando as causas das mudanças climáticas por meio do apoio à transição para uma economia de baixo carbono, incorporando princípios ESG na avaliação de riscos, na precificação de seguros e nas decisões de investimento, além de incentivar práticas com menor impacto ambiental, a adaptação, por sua vez, foca na redução dos impactos já existentes, com ênfase em prevenção, modernização de infraestruturas e desenvolvimento de soluções de cobertura que tornem comunidades e empresas mais preparadas para eventos climáticos extremos”, explica Folch.
Além das coberturas oferecidas nas apólices, o Grupo Allianz possui duas ferramentas preditivas: o CAReS (Climate Adaptation & Resilience Services) e o GloRiA (Global Risk Assessment).
A primeira é uma plataforma para gestão estratégica de riscos climáticos voltado para linhas corporativas que traduz ameaças físicas em impactos financeiros e operacionais, apoiando decisões com dados avançados e consultoria especializada. “Com análises detalhadas de 12 perigos climáticos, como inundações, tempestades tropicais, granizo, incêndios florestais e ondas de calor, e projeções de risco em quatro horizontes temporais: atual, 2030, 2050 e 2080, ele permite às empresas avaliarem riscos em ativos, investimentos e cadeias de fornecimento, promovendo planejamento preventivo e resiliência”.
Já a segunda é uma ferramenta digital que examina o risco de desastres naturais em qualquer endereço, traduzindo dados científicos em uma escala simples para apoiar decisões de prevenção e seguro. Voltado para o público geral, ou seja, às pessoas físicas, ele conscientiza sobre riscos reais, como inundação, tempestade, incêndio, e oferece orientações práticas para proteger pessoas e bens, promovendo a cultura da resiliência.
“Precisamos nos concentrar em mudar o conceito de ‘transferência de riscos’ para o de ‘mudança de riscos’, incentivando ou encorajando melhores escolhas e compartilhando os vastos insights que temos sobre o impacto potencial das mudanças climáticas. A colaboração público-privada será cada vez mais necessária e fundamental”, aponta o executivo, para quem há espaço também para parcerias entre seguradoras, resseguradoras e bancos de desenvolvimento, com a criação de estratégias para o fortalecimento de infraestrutura crítica, por exemplo, como energia, saneamento e transporte.
Fonte: https://www.revistacobertura.com.br – Conteúdo da edição de junho (287) da Revista Cobertura.
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