Nenhum país alcança desenvolvimento sustentável sem planejamento de longo prazo. As Nações prosperam quando transformam projetos em políticas permanentes de Estado, e não apenas em promessas de campanha. Entretanto, o que mais se vê é exatamente o contrário.
As trocas de governo no país costumam priorizar o calendário eleitoral. Em vez de consolidar bases para o desenvolvimento da nação, os governantes focam em projetos imediatistas para garantir a permanência no poder. Quase nunca buscam lançar os alicerces de uma grande nação e de uma sociedade fortalecida em todos os sentidos.
A montagem de um projeto de governo tem de priorizar ações coerentes voltadas à convivência com duas importantes realidades: a) Enfrentar as urgências do cotidiano reclamadas pela sociedade, definindo as prioridades; b) Ter capacidade de planejar o futuro.
Já destaquei em outras oportunidades que um dos maiores obstáculos enfrentados pelo país surge a cada mudança de governo. Há uma tendência recorrente de interromper programas iniciados, cancelar prioridades e redesenhar políticas públicas segundo conveniências eleitorais ou ideológicas. E sobre isso, que o digam as centenas de obras inacabadas.
Os problemas brasileiros não são desconhecidos, pois os diagnósticos existem à disposição do Estado brasileiro, identificando as carências na educação, segurança, infraestrutura, saúde, inovação tecnológica e equilíbrio fiscal. O que está faltando é uma disposição responsável de transformar esses diagnósticos num compromisso permanente de Estado.
Todo mundo quer um futuro melhor, mas poucos entendem que ele não nasce de sonhos abstratos, e sim de projetos reais. O sonho tem o seu valor para inspirar e despertar esperança, mas é o projeto que dá direção e viabilidade ao futuro. No fim das contas, o planejamento é a única ponte capaz de transformar o que desejamos em realidade concreta.
O sistema de governo brasileiro gasta a maior parte de suas energias administrando crises políticas, conflitos institucionais e disputas eleitorais. Essa conduta deixa a clara impressão de um país em campanha permanente, onde a preocupação com o próximo pleito sempre atropela o futuro da próxima geração.
A democracia se alimenta do debate e das divergências de ideias. O problema não é a falta de unidade política, mas a ausência de acordos básicos sobre pilares essenciais do país, pautas que deveriam ir além das disputas eleitorais e da troca de poder.
“Os Governos passam; o interesse nacional permanece”, assim afirmou o diplomata brasileiro Barão do Rio Branco (1845–1912). O conjunto das políticas públicas não constitui patrimônio de um partido ou grupo político, mas é uma conquista da sociedade. Países que vivem presos apenas às urgências do presente acabam sacrificando o futuro.
Inclusive, essa é uma forma míope de administrar. E podemos dizer mais: sem pensar no amanhã nenhum país ou qualquer que seja a administração, conseguirá um resultado positivo nos seus projetos!
Países da Ásia (Coreia do Sul e Singapura) e da Europa (Finlândia), servem de exemplo: eles mantêm estratégias nacionais que sobrevivem a qualquer troca de governo. Nesses lugares, pilares como educação, inovação e infraestrutura são tratados como projetos de Estado, e não de partidos.
Dividir essa responsabilidade é fundamental. Governo, parlamentares, juízes, empresários e cientistas dividem o mesmo peso na balança. Sem que todas as engrenagens da sociedade civil trabalhem juntas, nenhum planejamento de longo prazo sai do papel.
O verdadeiro desenvolvimento acontece quando as decisões do presente são tomadas pensando na qualidade de vida daqueles que ainda sequer nasceram. É isso o que eleva, de forma inevitável, a responsabilidade da geração atual.
Construir o amanhã não é responsabilidade exclusiva de um governo, mas de uma geração inteira. Quando uma nação decide que seus maiores projetos pertencem ao Estado e não aos ciclos eleitorais, o futuro deixa de ser apenas uma esperança e passa a ser uma decisão coletiva. Que sigam essa visão de futuro a partir de hoje!
Autor: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público – Salvador – BA.
Blog do Florisvaldo – Informação com Imparcialidade

1 comentário
Um Artigo orientador! Dando dicas e apontando caminhos a seguir. Brasília, deveria ler e compreender essa mensagem. Se isso ocorresse todos os pontos nos is seriam colocados para sempre, e uma nova mentalidade seria construída!