Por Florisvaldo Ferreira dos Santos
O Dia Internacional do Fusca é uma data especial para milhões de admiradores ao redor do mundo. Para mim, porém, essa comemoração tem um significado ainda mais profundo, pois representa a realização de um sonho que nasceu na infância e permanece vivo até hoje.
Era o ano de 1957. Eu tinha apenas sete anos de idade quando vi, pela primeira vez, um Fusca modelo 1952. Aquele carro tinha características que hoje são verdadeiras relíquias: não possuía espelho retrovisor externo, suas lanternas eram minúsculas e o vidro traseiro era dividido ao meio. Foi amor à primeira vista.
A imagem daquele automóvel ficou gravada em minha memória. Durante anos, carreguei comigo o desejo de um dia possuir um Fusca. Em 1968, ao atingir a maioridade e conquistar minha carteira de habilitação, fiz uma promessa silenciosa: um dia aquele sonho se tornaria realidade.
A vida seguiu seu curso. Trabalhei, construí minha trajetória e, em 1973, adquiri meu primeiro veículo, uma Variant 1972. Depois vieram diversos automóveis, de diferentes marcas e modelos. Entretanto, por mais modernos ou confortáveis que fossem, nenhum conseguia apagar da minha mente o sonho alimentado desde a infância.
Somente em 2010, aos 60 anos de idade e com a vida estabilizada, consegui realizar esse desejo. Adquiri um Fusca 1980, motor 1500, na cor verde e totalmente original. Foi um momento inesquecível. Após a compra, realizei uma reforma completa, preservando rigorosamente todas as características originais do veículo.
Hoje, aos 76 anos, continuo cuidando desse companheiro de estrada com o mesmo carinho do primeiro dia. O carro permanece em excelente estado de conservação e uso, sendo presença constante em encontros e exposições de veículos antigos. Tenho ainda a satisfação de ser sócio fundador do Clube de Carros Antigos de Cansanção, na Bahia, onde compartilho essa paixão com muitos amigos.
Frequentemente sou abordado por pessoas interessadas em comprar o meu Fusca. Para evitar longas negociações, adotei uma frase inspirada em Luiz Gonzaga quando falava de sua estimada égua: “Não vendo, não troco, não dou e nem empresto.”
Certa vez, minha esposa me perguntou se eu tinha mais ciúmes dela ou do Fusca. Sem pensar duas vezes, respondi que tinha mais ciúmes do carro. Diante do olhar de surpresa, tratei logo de explicar: “Você tem plena capacidade de se defender de determinados assédios. O Fusca não.”
A resposta virou motivo de muitas risadas entre familiares e amigos, mas traduz perfeitamente o carinho que tenho por esse veículo que me acompanha há tantos anos.
Mesmo tendo condições de possuir automóveis zero quilômetro, continuo encontrando uma felicidade indescritível ao pegar a estrada com meu Fusca. Cada viagem é uma volta ao passado, uma lembrança da infância e a confirmação de que alguns sonhos, por mais demorados que sejam, valem a pena ser realizados.
Neste Dia Internacional do Fusca, celebro não apenas um automóvel que marcou gerações, mas também uma história de perseverança, dedicação e amor por uma máquina simples que conquistou o coração de milhões de pessoas.
Sabemos que, para alguns, o Fusca é apenas um carro. Para outros, como eu, é uma parte importante da própria vida.
Blog do Florisvaldo – Informação Com Imparcialidade

2 Comentários
Esse é diferenciado
PARABÉNS MAIÚSCULO A VOCÊ FLORISVALDO PELA SUA VIDA DIGNA. E COM DIGNIDADE TEM REALIZADO SEUS SONHOS. O FUSCA É REALMENTE UMA JÓIA RARA QUE VOCÊ MERECE TER E MANTER PARA TODO SEMPRE.