
Setor de seguros conta com soluções que atendem o espectro de riscos enfrentados no campo; seguro rural é ferramenta de estabilidade financeira para o produtor, mas segue reduzido pelo PSR
O Brasil é um grande protagonista da produção de alimentos no mundo. De acordo com dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), enquanto a população mundial cresce, a disponibilidade de terras agricultáveis cai continuamente.
Cerca de 7,5% do território do Brasil é ocupado por lavouras, de acordo com dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o que posiciona o país como potência agrícola mundial.
O seguro é fundamental neste cenário, embora seja muito dependente do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), mecanismo que subsidia parte do custo do seguro para o produtor, sem o qual a contratação da proteção tende a diminuir.
Francisco Galiza, diretor da Rating de Seguros, analisa que os números dos últimos dez anos mostram uma evolução do seguro rural. “Só que é um seguro muito ligado ao governo federal e que agora não está andando. Com isso, de 2024 a 2025 houve queda nominal”.
Inclusive, o ramo começou 2026 em queda. De acordo com os dados divulgados, em janeiro a queda foi de 12,2%, totalizando R$1,1 bilhão.
Dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) indicam que a arrecadação do segmento rural alcançou R$ 12,9 bilhões em 2025, uma queda de 8,8% em relação a 2024. A proporção da área agrícola segurada no país caiu significativamente nos últimos anos. O Brasil chegou a ter cerca de 13,7 milhões de hectares da área plantada protegida por seguro rural, mas o índice recuou para pouco mais de 3 milhões em 2025, o que representa 3,3% do total de área plantada do Brasil, refletindo a retração da subvenção federal.
Por isso, em março a CNseg revisou para baixo a projeção de desempenho do seguro rural neste ano. A expectativa anterior apontava crescimento nominal de 2,3%, mas a nova estimativa indica queda de 3,9%, refletindo um cenário de retração no mercado após um 2025 já marcado por recuo.
“O seguro rural é o ramo mais difícil de prever. Ele está com um comportamento atípico e em uma trajetória completamente diferente do mercado segurador brasileiro”, chama a atenção Galiza.

Os efeitos do clima e o potencial do agro
Mesmo diante dos desafios, as companhias seguem apostando alto no setor. “Enxergamos o seguro como uma ferramenta essencial para fortalecer a resiliência do agronegócio brasileiro e buscamos apoiar seu desenvolvimento por meio de soluções desenhadas especificamente para enfrentar os riscos relacionados ao clima”, comenta Guilherme Perondi, head Ibero-America, Middle East & South Africa da Swiss Re.
Um dos principais players do setor, a Swiss Re Corporate Solutions no Brasil tem o segmento rural como altamente relevante em sua operação. “Contamos com mais de 20 anos de experiência contínua em seguros rurais e somos um participante reconhecido no mercado. Além do seu tamanho, o agronegócio é uma carteira estratégica para nós, estreitamente ligada às nossas prioridades de crescimento, inovação e investimento no Brasil”, ressalta Perondi.
Ele acrescenta que há o aumento da exposição aos riscos climáticos, a baixa penetração do seguro em diversas regiões e as oportunidades de escala decorrentes da combinação entre expertise global, dados e tecnologia.
O foco da Swiss Re está na adaptação das soluções aos diferentes perfis de produtores e realidades regionais, apoiados por expertise técnica e uma colaboração próxima aos parceiros.
Segundo Perondi, a tecnologia é um fator-chave para a melhoria da avaliação e da proteção de riscos no agronegócio. “Na Swiss Re Corporate Solutions, utilizamos dados climáticos, imagens de satélite e informações agronômicas para apoiar uma subscrição mais precisa, dinâmica e orientada ao futuro. Isso permite uma melhor compreensão da exposição ao risco desde o início”.
Além da subscrição, o monitoramento remoto possibilita uma análise detalhada das áreas seguradas, considerando o histórico produtivo e a exposição climática.
“O agronegócio está cada vez mais exposto à volatilidade climática, e o seguro desempenha um papel fundamental na gestão desses riscos ao longo das culturas, do rebanho e dos ativos”, destaca o head da Swiss Re.
No seguro agrícola, os principais riscos incluem seca e períodos prolongados de estiagem, excesso de chuvas, ventos fortes e vendavais, além de incêndios e descargas elétricas, eventos que impactam diretamente a produtividade.
Conforme Perondi, a região Centro-Oeste é uma área de foco prioritário para a Swiss Re Corporate Solutions. “Desde 2025, contamos com um especialista sênior dedicado, atuando de forma próxima ao nosso parceiro Bradesco Seguros, reforçando nossa presença local e proximidade com os clientes”.
Ele ainda diz observar um aumento no interesse por modelos de proteção mais sofisticados. “O seguro paramétrico, por exemplo, vem ganhando espaço como complemento às soluções tradicionais, contribuindo para fortalecer a resiliência financeira dos produtores”.

O agro no Centro-Oeste
O Brasil é uma grande potência agrícola com alto potencial para produção de grãos, inclusive concentrados no Centro-Oeste do país. Esta região vive um grande movimento do ponto de vista do seguro, analisa Karine Brandão, diretora executiva Comercial do Canal Corretor e Global Corporate da Mapfre.
“A região concentra parte importante da produção agrícola brasileira junto aos grandes avanços no nível de profissionalização do produtor. Fatos que nos permitem confirmar que o campo mudou muito nos últimos anos. O produtor investe em tecnologia, maquinário de alto valor, gestão da propriedade e planejamento da safra – e isso faz com que a conversa sobre risco passe a fazer parte da rotina do negócio”.
Uma das companhias tradicionais no agronegócio, a Mapfre atravessou diversos ciclos econômicos e manteve a consistência. Para se ter uma ideia, na regional do Centro-Oeste, a carteira representou cerca de 15% dos negócios em 2025.
“Nosso objetivo aqui na Mapfre é ajudar o produtor a proteger toda a estrutura que sustenta a produção. Estamos falando de lavouras, máquinas agrícolas, benfeitorias, estruturas de armazenagem, aeronaves usadas na pulverização e também da proteção das pessoas que conduzem esse negócio. E, neste cenário, o papel do corretor é essencial, visto seu enorme espaço para atuar de forma consultiva”.
A Mapfre conta com um portfólio bastante amplo de soluções para o agronegócio, o que permite atender diferentes perfis de produtores e atividades dentro da cadeia agrícola. “O olhar da companhia acompanha a diversidade da produção agrícola brasileira. Cada região tem suas características e o seguro precisa acompanhar essa realidade para apoiar o produtor na gestão da safra”.
Vale ressaltar que o seguro rural cobre eventos climáticos que podem impactar diretamente o resultado da safra. “Quem atua no campo sabe que a produção agrícola convive com fatores que estão fora do controle do produtor. Uma mudança no clima no momento errado pode comprometer meses de trabalho e investimento. O seguro entra justamente para dar previsibilidade financeira em um ambiente que, por natureza, é cheio de variáveis”.
Para Karine, o agronegócio brasileiro segue evoluindo em tecnologia, produtividade e gestão. “O produtor investe cada vez mais em equipamentos, infraestrutura e eficiência operacional. Esse processo aumenta o valor do patrimônio envolvido na atividade e torna a gestão de riscos ainda mais importante. O seguro rural acompanha esse movimento e ganha espaço como ferramenta de estabilidade financeira para o produtor. Ele permite que o empresário rural enfrente eventos climáticos adversos com mais segurança e preserve a continuidade da operação”.

Equipamentos e Implementos Agrícolas de porte pequeno, médio e grande
Leonardo Duque, gerente Sênior de Agro da Bradesco Seguros, ressalta que a força produtiva do chamado Cinturão do Agro, composto por Mato Grosso do Sul, Goiás, Mato Grosso e Distrito Federal, torna o segmento agropecuário um dos principais motores de crescimento também para o setor de seguros. “Com alto nível de mecanização e uso intensivo de tecnologia no campo, o seguro para equipamentos agrícolas se torna não apenas relevante, mas indispensável. Ele desempenha um papel fundamental na proteção dos investimentos dos produtores, ajudando a mitigar riscos e prejuízos que podem comprometer a continuidade das operações rurais”, diz.
Na Bradesco, o agro é uma frente de atenção e investimentos. “Hoje, o segmento agrícola representa cerca de 65% de toda a produção da carteira de equipamentos da Bradesco Seguros”, destaca o gerente.
O grupo oferece proteção para equipamentos e implementos agrícolas de porte pequeno, médio e grande, financiados ou não, próprios ou alugados utilizados durante todo processo produtivo, desde o preparo do terreno até a colheita.
Por meio da cobertura básica, o seguro para equipamentos agrícolas da Bradesco Seguros oferece garantia para os danos materiais decorrentes de acidentes e eventos de causa externa provocados ao equipamento segurado.
Conforme Duque, o produto ainda concede de forma automática, sem custo adicional, a cobertura despesas de salvamento que garante o reembolso das despesas comprovadamente realizadas pelo segurado na tentativa de evitar o sinistro, minorar o dano ou salvar o bem.
“O segurado pode, ainda, contratar coberturas adicionais tais como: danos elétricos, roubo e furto qualificado, perda ou pagamento de aluguel, responsabilidade civil”.
Ele explica que o seguro para equipamentos agrícolas é dinâmico e acompanha a evolução do segmento. Além disso, a companhia mantém um banco de dados constantemente atualizado para acrescentar novos equipamentos, possui um modelo de subscrição diferenciada considerando as características e riscos inerentes à operação no campo.
Também está inclusa equipe dedicada exclusivamente a tratativas e negociações de frotas. A seguradora também vem cada vez mais implementando a inteligência artificial para agilizar os processos e jornadas de atendimento ao corretor e segurado e desenvolveu o projeto RED (Regulação de Equipamento Direta), que conta com apoio e parceria das principais montadoras do segmento de maquinas agrícolas.

Benfeitoria e Penhor Rural: soluções técnicas e consultivas
Para Miriam Perra, gerente Comercial do Canal Assessorias da Alba Seguradora, o Centro-Oeste apresenta um potencial gigantesco devido à alta tecnificação do campo. “A grande oportunidade para as assessorias e os corretores está na consolidação de frotas de equipamentos, especialmente nas modalidades de Benfeitoria e Penhor Rural. Focamos em operações robustas, a partir de 20 itens, o que permite oferecer uma gestão centralizada e eficiente para grandes grupos agrícolas que precisam proteger seu patrimônio de ponta a ponta”, destaca.
O RD Máquinas e Equipamentos da Alba foi desenhado para grandes riscos. “Trabalhamos com o conceito de LMI (Limite Máximo de Indenização) Único, com capacidade de até R$ 30 milhões. Esse modelo simplifica a apólice e garante flexibilidade, permitindo que as coberturas sejam customizadas exatamente de acordo com a operação e a necessidade específica de cada cliente”.
A Alba aposta na agilidade e na especialização. Afinal, conforme Miriam, no agronegócio, o tempo é um fator crítico e, por isso, a companhia otimizou o fluxo de cotação e emissão. “Além disso, contamos com uma estrutura de sinistro dedicada e reguladores especialistas no setor, garantindo que, no momento do imprevisto, o atendimento seja técnico, rápido e focado na continuidade do negócio do produtor”.

Apesar de ter iniciado a operação da carteira em agosto de 2024, ela já representa atualmente 13% do portfólio total da companhia. “Isso já demonstra uma força impressionante. Esse crescimento acelerado reflete a demanda represada do mercado por soluções mais técnicas e consultivas”.
Por isso, segue como uma das principais apostas de crescimento da companhia. Buscamos um crescimento sustentável, pautado no rigoroso gerenciamento de riscos e na parceria com as assessorias e os corretores especialistas. “Para nós, este segmento tem a mesma relevância estratégica que o Agro tem para a economia brasileira: é o motor que impulsiona nosso desenvolvimento e onde depositamos nossos maiores investimentos em inovação e serviço”.
Fonte: https://www.revistacobertura.com.br – Conteúdo da edição 3 da Revista da Aconseg Centro-Oeste
Blog do Florisvaldo – Informação Com Imparcialidade

1 comentário
Como leitor do artigo “Os Desafios do Promissor Agronegócio”, entendo que o texto apresenta uma visão muito lúcida sobre a realidade do agro brasileiro. Ao mesmo tempo em que evidencia a força, a tecnologia e a capacidade produtiva do setor, também deixa claro que o produtor rural continua exposto a riscos climáticos e financeiros cada vez maiores.
O artigo mostra que o seguro rural deixou de ser apenas uma opção e passou a ser uma ferramenta essencial de estabilidade e proteção para quem produz. Também chama atenção a preocupação com a redução do apoio governamental através do PSR, fator que impacta diretamente a segurança do produtor e o crescimento sustentável do setor.
Outro aspecto muito positivo foi destacar a evolução tecnológica das seguradoras, utilizando inteligência artificial, imagens de satélite e monitoramento climático para oferecer soluções mais modernas e eficientes ao campo.
Sem dúvida, trata-se de uma matéria muito esclarecedora, atual e importante, que reforça a necessidade de maior apoio ao agronegócio brasileiro, setor fundamental para a economia e para a segurança alimentar do país.