Por: Florisvaldo F. dos Santos
A recente decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas acendeu um forte sinal de alerta no cenário político, diplomático e de segurança pública brasileira. A medida, anunciada pelo Departamento de Estado norte-americano e com entrada em vigor prevista para 5 de junho, não representa apenas uma mudança de nomenclatura jurídica. Ela pode abrir caminho para consequências profundas nas relações entre Brasil e Estados Unidos.
Segundo o comunicado oficial, as facções brasileiras estariam entre as organizações criminosas mais violentas da América Latina, sendo responsáveis por “ataques brutais”, tráfico internacional, lavagem de dinheiro e conexões transnacionais. O enquadramento como terrorismo amplia significativamente os instrumentos legais e operacionais disponíveis aos EUA, inclusive fora de seu território.
O que preocupa autoridades brasileiras é justamente o alcance dessa classificação. Historicamente, quando os Estados Unidos rotulam grupos como terroristas, passam a adotar mecanismos mais agressivos de monitoramento financeiro, cooperação internacional e até ações indiretas de pressão diplomática. Em alguns casos pelo mundo, isso resultou em interferências políticas, sanções econômicas e aumento da presença de organismos estrangeiros em assuntos internos de outras nações.
No caso brasileiro, a preocupação cresce porque PCC e CV, infelizmente, já extrapolaram há muito tempo os limites do crime comum. Hoje, são organizações com forte estrutura financeira, presença internacional e influência crescente em regiões vulneráveis do país. O combate a essas facções é uma necessidade urgente. Porém, surge uma pergunta delicada: até que ponto uma potência estrangeira pode utilizar essa classificação para ampliar sua influência sobre decisões internas do Brasil?
O debate não é simples. Por um lado, há quem veja a medida como positiva, entendendo que ela pode fortalecer o combate ao narcotráfico, ao tráfico de armas e à lavagem de dinheiro internacional. Por outro, especialistas alertam para riscos relacionados à soberania nacional, especialmente se houver tentativas de imposição de agendas externas sobre as políticas de segurança pública brasileiras.
Outro ponto importante é o impacto econômico e diplomático. Empresas, bancos e instituições financeiras brasileiras poderão sofrer pressão internacional para reforçar controles, bloqueios e rastreamentos ligados a qualquer suspeita de conexão com essas organizações. Isso pode afetar desde operações comerciais até investimentos estrangeiros, além de ampliar a vigilância internacional sobre o sistema financeiro brasileiro.
Também chama atenção o fato de o Brasil, até hoje, não possuir uma legislação tão ampla quanto a norte-americana para enquadrar facções criminosas domésticas como organizações terroristas. Isso cria um cenário de divergência jurídica e política entre os dois países, aumentando ainda mais as tensões diplomáticas.
A verdade é que o crescimento do crime organizado no Brasil deixou de ser apenas um problema policial. Tornou-se uma questão de Estado, de economia, de política internacional e de soberania nacional. Quando organizações criminosas alcançam tamanho poder financeiro e operacional, o país inteiro passa a sofrer consequências – dentro e fora de suas fronteiras.
O momento exige equilíbrio, responsabilidade e firmeza. O Brasil precisa combater com rigor absoluto o crime organizado, fortalecer suas instituições e ampliar a cooperação internacional. Porém, também precisa preservar sua autonomia, suas leis e sua capacidade de decidir internamente os caminhos de sua política de segurança.
Mais do que uma simples classificação internacional, a decisão dos Estados Unidos representa um novo capítulo nas complexas relações entre segurança, diplomacia e soberania no século XXI. E os reflexos disso poderão ser sentidos não apenas nos gabinetes de Brasília, mas no cotidiano de toda a sociedade brasileira.
Nota: Artigo produzido a partir de informações divulgadas pelo portal G1/Globo.
Blog do Florisvaldo – Informação Com Imparcialidade

4 Comentários
Eu vou simplificar toda a situação e trazer pro nosso mundo
Imagina que você tem um vizinho extremamente poderoso. Há mais de 30 anos, um grupo de criminosos, traficantes e bandidos fortemente armados invadiu tua casa. Desde então, eles vivem escondidos lá dentro, usando tua própria casa como base, enquanto você e tua família vivem reféns dessa situação há décadas.
Durante todos esses anos, você tentou resolver o problema sozinho. Chamou ajuda, tentou negociar, tentou combater os caras, mas nunca conseguiu eliminar o grupo que a cada ano fica maior, mais forte, mais organizado e mais violento.
Com o tempo, outros grupos diferentes de criminosos foram surgindo e também se apoderaram de tua casa compartilhando espaço com os que já existiam, ao longo dos anos os meliantes passaram a incomodar também o teu vizinho poderoso. Além de dominar tua casa, começaram a provocar do outro lado do muro: ameaças, barulho, ataques, jogando “bituca de baseado” pro quintal do vizinho e criando problemas cada vez maiores. O teu vizinho então começou a te cobrar diariamente para resolver a situação, porque o problema deixou de afetar só você e passou a ameaçar ele também.
Mas você continuava sem força suficiente para acabar com os caras. E o teu vizinho, por ser muito mais poderoso, começou a usar influência e pressão: multas, sanções, bloqueios e cobranças cada vez mais pesadas estão na mesa.
Depois disso, ele oficialmente declarou dois grupos criminosos que mora dentro de tua casa como terroristas.
A partir daí, o vizinho passou a dizer: “Já que você não consegue eliminar esses elementos há mais de 30 anos, e agora eles também estão ameaçando minha segurança, eu mesmo vou entrar aí e acabar com isso.”
No fundo, o vizinho quer te pressionar cada vez mais para que tú resolva o problema, mas existe a possibilidade real dele invadir tua casa sem pedir autorização para eliminar os caras e libertar você e tua família daquele domínio que já dura décadas. É claro que esse vizinho não vai fazer isso por bondade e vai acabar cobrando um preço depois!
A pergunta é: você ficaria mais revoltado com o vizinho por ter entrado na tua casa sem autorização e violado tua hipotética soberania… ou com os criminosos que invadiram tua casa primeiro, te fizeram refém por 30 anos estão destruindo teu lar e tua família e ainda passaram a ameaçar toda a vizinhança enquanto ninguém consegue pará-los?
SOBERANIA MUDOU SIGNIFICADO NO CENARIO INTERNACIONAL.
Sou Advogado bem formado na Nigeria bem antes de chegar no sólo Brasileiro em 1993. Na décadas de 70 e até 90, soberania simplesmente significa o que? Significa que nenhum país pode interferir na administração interno de outro país. Porém vimos em Iraque, Libya e mais recente, Ucrânia.No caso de Iraque e Libya, EUA entrou nesses dois países para acabar com financiamento de terrorismo. Sadam Hussein em Iraque e Gaddafi em Libya financiavam terrorismo com vendas de petroleum. Quem não se lembram a queda do French Airbus no território de Lockerbie, onde morreram centenas? Iraque do Saddam, não se fala. Lembra attack Aeria Israelense contra usina nuclear em Osirak, Iraque? São exemplos onde soberania perdeu sua essência, e interferência externa se legalizou.
Hoje, em circulo 21, Venezuela já passou por interferência externa. No passado foi Panamá do Manoel Noriega. Esse ano será Brasil , onde temos um governo que abertamente feche os olhos a favor de crime organizados e suas atividades. Soberania infelizmente, perdeu suas essências no Brasil, e por isso, haverá interferência, sim.
Acho sinceramente que, cada país tem sua autonomia e soberania, e como tal deve resolver seus assunto internos da forma que melhor lhe convier. Caso, precisem de ajuda, podem solicitar formalmente, e aí de forma combinada partem para a melhor solução.
Eu respeito a opinião de qualquer pessoa, pois ainda temos 30% de democracia, porém na minha ótica o país está governado pela pior quadrilha que a da lei, eles não respeitam o direito constitucional dos cidadãos, o cidadãos de bem estão retidos dos seus direitos, vivemos sob o poder do tráfico, aqueles de defendem a Venezuela, Cuba, atrocidade do Irã com as mulheres, da Coreia do Norte , etc.
É isso que traz muitas vezes a interferência internacional, é isso que eu vejo, mas respeito todos aqueles que defende outro lado, isso é o resto da nossa Democracia.