Por: Florisvaldo F dos Santos
Todo mundo já ouviu a famosa expressão: “Tudo terminou em pizza.”
Ao longo dos anos, ela ganhou inúmeros significados. No futebol, na política, nas rodas de conversa e até nas brincadeiras entre amigos, virou sinônimo de confusão que acaba sem punição ou sem solução.
Mas existe um lugar onde terminar em pizza é motivo de alegria.
Aliás, de muita alegria.
Quem nasce no sertão nordestino conhece bem o valor de um forno aquecido a lenha. Ali se assavam pães, bolos, biscoitos, carnes e tantas receitas que reuniam a família ao redor da mesa. O fogo não servia apenas para cozinhar; aquecia a casa, alimentava os sonhos e fortalecia os laços da família.
Talvez por isso exista algo de tão poético na história que hoje contamos.
Neste 10 de julho, Dia Internacional da Pizza, o calor de um antigo fogão a lenha parece encontrar outro forno, igualmente capaz de reunir pessoas, espalhar aromas e criar memórias.
Foi justamente essa imagem que me veio à mente ao pensar em Ana Paula Bloise, a Paulinha.
Todo forno conta uma história.
Alguns assam o pão de cada dia.
Outros assam sonhos.
A pizza, que hoje faz parte da mesa dos brasileiros, nasceu muito longe daqui. Surgiu em Nápoles, no sul da Itália, ainda no século XVIII, como uma refeição simples destinada aos trabalhadores. Com o tempo, ganhou fama mundial com a tradicional Margherita, criada em homenagem à rainha Margarida de Savoia.
No final do século XIX, milhares de imigrantes italianos atravessaram o Atlântico trazendo na bagagem poucos pertences, muitas esperanças e uma receita que mudaria os hábitos alimentares do Brasil.
Foi em São Paulo que a pizza encontrou seu maior palco.
Nos bairros italianos, especialmente no Brás, no Bixiga e na Mooca, ela deixou de ser um costume de imigrantes para se transformar em um patrimônio gastronômico dos paulistanos. Depois, conquistou o país inteiro.
Hoje, pedir uma pizza já faz parte da cultura brasileira.
E como todo bom brasileiro gosta de colocar sua identidade em tudo, cada região acabou criando seus próprios costumes.
Em São Paulo, muitos preferem apreciar a pizza praticamente como saiu do forno, apenas com um fio de azeite e um pouco de orégano, valorizando a massa e os ingredientes.
No Rio de Janeiro, tornou-se tradição acrescentar ketchup e mostarda sobre cada fatia, hábito que provoca intermináveis – e divertidas – discussões entre cariocas e paulistas.
No Sul, fazem sucesso os sabores com embutidos e queijos mais intensos.
No Nordeste, ingredientes regionais, como carne de sol, charque, queijo coalho e banana, conquistaram espaço definitivo nos cardápios.
Na Região Norte, produtos da Amazônia também já encontraram seu lugar sobre a massa italiana.
Entre tantas opções, uma continua reinando absoluta: a pizza de mussarela, seguida pela calabresa e pela portuguesa.
Os números ajudam a explicar essa paixão nacional.
Estima-se que o Brasil consuma mais de um milhão de pizzas por dia, ultrapassando 350 milhões de unidades por ano. Somente a cidade de São Paulo responde por uma parcela expressiva desse consumo, consolidando-se como uma das maiores capitais mundiais da pizza.
Mas esta crônica não nasceu apenas para falar de estatísticas.
Ela nasceu para homenagear uma mulher.
Lá de Acopiara, na Microrregião do Sertão de Senador Pompeu, no coração do Ceará, uma jovem chamada Ana Paula Bloise, carinhosamente conhecida como Paulinha, também decidiu partir em busca de novos horizontes.
Como tantos nordestinos, chegou a São Paulo trazendo na bagagem coragem, esperança e muita disposição para trabalhar.
Não trouxe receitas italianas.
Nem experiência como pizzaiola.
Trouxe aquilo que jamais falta ao povo sertanejo: a determinação.
Foi aprendendo, enfrentando desafios, vencendo dificuldades e acreditando na força do próprio trabalho que transformou um ofício desconhecido em uma história de sucesso.
Assim nasceu a Pizzaria Napoli.
E talvez seja justamente aí que o destino tenha escrito uma de suas mais belas coincidências.
Quem cresceu vendo o calor de um fogão a lenha sertanejo passou a comandar um forno que hoje alimenta famílias paulistanas.
Mudou a receita, Mudou a cidade, Não mudou o sotaque, mas permaneceu o principal ingrediente: o trabalho.
Seu forno não assa apenas pizzas.
Assa encontros, Assa amizades, Assa aniversários, Assa reencontros e Assa histórias.
Cada cliente que recebe uma pizza talvez enxergue apenas uma refeição.
Quem conhece a trajetória da Paulinha enxerga muito mais.
Vê uma sertaneja que fez do trabalho sua maior receita.
Talvez seja essa a maior semelhança entre a pizza e a vida.
Nenhuma nasce pronta.
É preciso escolher bons ingredientes.
Sovar a massa com paciência, Esperar o tempo certo e Suportar o calor do forno.
Só então surge algo capaz de alimentar o corpo e aquecer o coração.
Neste Dia Internacional da Pizza, fica nossa homenagem à Paulinha e, através dela, a todos os brasileiros que deixaram suas cidades, cruzaram estradas e estados em busca de um futuro melhor, provando que os sonhos também crescem quando encontram trabalho, perseverança e oportunidade.
E quanto à velha expressão que atravessou gerações – “tudo terminou em pizza” – talvez ela nunca tenha sido tão bem compreendida.
Na política ou no futebol, cada um lhe dará o significado que desejar.
Mas existe um endereço onde ela só desperta boas lembranças.
Porque, na Pizzaria Napoli, terminar em pizza não significa impunidade.
Significa amizade, significa família reunida, Significa celebrar a vida e significa reconhecer que algumas histórias, assim como as melhores pizzas, são preparadas com tempo, dedicação e muito amor.
À Ana Paula Bloise – Paulinha – nossa sincera homenagem.
Do calor do fogão a lenha ao forno da Pizzaria Napoli, o ingrediente que nunca mudou foi o trabalho.
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