A eleição de 2026 começa a ocupar, cada vez mais, o centro da atenção nacional. Candidatos se apresentam, partidos se movimentam, alianças são construídas e as pesquisas passam a alimentar a disputa pelo voto. Tudo isso faz parte do processo democrático. Bem-organizado, é um meio de chegar e informar ao eleitor; mas, eles não agem assim.
Contudo, para além dos nomes que estarão nas urnas, existem questões que deveriam ocupar lugar central no debate eleitoral: agora, quais são os projetos que cada candidato pretende apresentar para o Brasil? Alguém sabe? Leu em algum lugar? Ao inscrever a candidatura para concorrer, onde tem alguma coisa mínima sobre projetos, ideias, planos etc.? Estas são perguntas que não querem calar.
A conquista do poder frequentemente acaba se sobrepondo à apresentação de propostas consistentes para enfrentar os problemas estruturais do país.
A democracia não se resume à escolha de pessoas. Escolher governantes significa, também, decidir entre propostas, prioridades e diferentes visões de país. O eleitor precisa saber não apenas quem pretende governar, mas, sobretudo, para quem pretende governar e qual Brasil deseja construir.
O país não pode continuar vivendo sob a inspiração das soluções improvisadas para problemas antigos. Educação, saúde, segurança pública, infraestrutura, saneamento, equilíbrio das contas públicas, eficiência do Estado, geração de empregos e aumento da produtividade são desafios que não desaparecem apenas com a mudança de governo ou de grupos partidários.
Ao contrário: permanecem e se acumulam quando não são enfrentados de maneira competente e responsável. Será que é pedir muito? Ou alguém simplesmente desejando expor sua vaidade, vai lá concorrer sem ter nada a dizer, apresentar, enfim, sem conteúdo algum!
Essa talvez seja uma das maiores diferenças entre administrar um país e construir um projeto de país. Administrar é responder aos problemas que surgem. Governar, porém, exige também capacidade de definir onde se pretende chegar.
É também tempo de o eleitorado reconhecer a necessidade de maior consciência sobre a responsabilidade do voto e a importância que ele representa no processo de escolher aqueles que irão governar o País. E é justamente nesse ponto que o debate eleitoral deveria ser mais exigente.
Estamos diante de um universo de perguntas sem respostas: Quais são as prioridades de cada candidato para a educação brasileira? Como pretende enfrentar a violência? Que modelo de Estado defende? Como pretende tornar a máquina pública mais eficiente? Que estratégia pretende adotar para aumentar a produtividade, estimular investimentos e tornar o Brasil mais competitivo?
Um país não se transforma pela soma de medidas isoladas. Precisa de direção. Precisa estabelecer metas objetivas e manter políticas que demonstrem resultados, independentemente de quem esteja ocupando o Palácio do Planalto.
O pleito de 2026 deveria ser diferente. Não porque os candidatos sejam diferentes, mas porque o país precisa exigir mais do processo eleitoral. Por isso, a próxima eleição deveria ser uma oportunidade para discutir um projeto nacional. Um projeto que ultrapasse o horizonte de quatro anos e estabeleça objetivos capazes de orientar o país por mais de um governo.
Não se trata de defender um modelo econômico ou uma determinada corrente ideológica. Trata-se de reconhecer que existem questões fundamentais para o Brasil que não deveriam depender da alternância de governos.
A democracia não se fortalece apenas pela quantidade de candidatos. Fortalece-se quando o eleitor tem condições de escolher conscientemente entre diferentes projetos de futuro. Candidatos existem. A disputa pelo poder também existirá. Mas o Brasil precisa de algo maior do que uma disputa entre nomes.
Portanto, eis a pergunta: cadê os projetos senhores e senhoras? O que será defendido se eleitos? Será que sabem a importância daquilo que irão fazer? Ou será que estão buscando apenas uma boquinha ou alternativa de ganhar um bom dinheiro? Apresentem-se melhor, o povo quer saber.
Autor: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público (Salvador-BA).
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