Após a apuração das urnas de qualquer eleição, ou mesmo o resultado parcial de um 1° Turno, como aconteceu agora no Brasil, nada mais lógico do que o recorrente questionamento de todo o eleitorado sobre a compreensão e interpretação efetiva do resultado delas decorrente.
O foco principal não significa apenas identificar quem recebeu mais votos; exige examinar o contexto das escolhas e reconhecer a diversidade do eleitorado. As tendências eleitorais se manifestam e as diferenças regionais de caráter social e político ganham ênfase. E não poderia ser diferente num país tão grande e continental!
Com uma extensão territorial de aproximadamente 8,5 milhões de quilômetros quadrados e uma população superior a 214 milhões de habitantes, o Brasil reúne realidades sociais, econômicas e culturais muito distintas. Esperar unanimidade política de uma sociedade com essa diversidade seria ignorar a própria complexidade do país.
A diversidade de opiniões faz parte da vida democrática. Nesse sentido, permanece provocativa a conhecida frase atribuída a Nelson Rodrigues: “Toda unanimidade é burra”. Esse particular aqui não se aplica, porque temos pensamentos diferentes, bem como diferenças em todas as áreas o que, de certa forma, termina sendo bom.
As diferenças regionais de votação não autorizam a desqualificação dos eleitores. Nenhuma região detém o monopólio da inteligência, da consciência política ou do patriotismo. Em uma democracia, o voto pode ser questionado no debate público, mas o cidadão não deve ser humilhado por sua origem ou por sua preferência eleitoral.
A democracia admite o direito ao debate e à convivência dos pensamentos divergentes, mas, nunca a violência gerada pelo radicalismo descontrolado. É válido defender as posições político-partidárias; porém, precipitado considerar antecipadamente definido o resultado do 2° Turno. Essa disputa é de certa forma salutar, e muito melhor do que a mordaça que impede a liberdade de expressão, que em alguns lugares ainda existe de maneira exacerbada.
A questão fundamental é entender que a eleição não se restringe apenas à escolha de nomes para ocupar cargos públicos. As urnas também revelam comportamentos, expectativas, insatisfações e esperanças de uma sociedade que, diante de diferentes propostas, precisa decidir os rumos que deseja para o seu país.
Mais do que identificar vencedores e derrotados, é necessário examinar as mensagens transmitidas pelo eleitorado e compreender o que elas representam para o futuro político, econômico e social da nação. Pode representar, também, um sinal de significativo protesto.
O eleitor pode votar por convicção, por identificação com determinadas propostas, por rejeição a um adversário ou pela expectativa de que uma alternativa seja capaz de melhorar suas condições de vida.
A sociedade brasileira precisa fazer uma leitura responsável e cautelosa dos resultados, e assim ter equilíbrio e disposição para compreender as motivações que estão por trás dos números.
Felizmente, temos o privilégio de dizer que as urnas revelam, antes de tudo, que o Brasil é uma sociedade plural. Revelam também que a disputa pelo poder continua sendo um instrumento fundamental para definir os representantes e os caminhos políticos do país.
O fato de o Nordeste ter escolhido um candidato diferente do Sul e Sudeste, não justifica que os eleitores nordestinos sejam hostilizados nas redes sociais como pobres e ignorantes, em razão de suas preferências políticas. É preciso respeito à leitura cultural e à visão política de cada povo e sua região. Quem tem outro olhar sobre isso, é radical e intolerante. E isso não cabe nas democracias… É tudo Brasil!
As urnas revelam diferenças, registram expectativas e definem escolhas, mas não devem transformar adversários políticos em inimigos. O verdadeiro desafio começa depois da votação: cabe aos eleitos demonstrar, por meio de decisões responsáveis, trabalho e resultados, que compreenderam a dimensão da confiança recebida.
Afinal, o Brasil não precisa pensar de maneira uniforme para construir objetivos comuns. Precisa respeitar suas diferenças e reconhecer que o destino nacional é uma responsabilidade compartilhada por todos.
Autor: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público (Salvador-BA).
Blog do Florisvaldo – Informação Com Imparcialidade

2 Comentários
Parabéns, Agenor, por mais uma reflexão sensata e equilibrada! Seu editorial nos lembra que as diferenças políticas e regionais não justificam o desrespeito a ninguém. Defender nossas convicções e respeitar quem pensa diferente são compromissos que precisam caminhar juntos. Como você bem destacou: ‘É tudo Brasil!’. Obrigado por enriquecer, a cada domingo, este espaço de informação e reflexão, em sintonia com a imparcialidade que orienta o nosso Blog.
As urnas trarão a vontade popular. Dividido está e muito, e no dia 25/10 vamos ter certeza se a divisão foi em favor das melhorias que precisamos, ou da continuidade da forma que ai está.