
Por: Florisvaldo F. dos Santos
Uma tragédia de grandes proporções atingiu a região do Himalaia, entre o Nepal e o Tibete, na China, deixando centenas de mortos, mais de mil desaparecidos e um cenário de destruição que ainda está sendo dimensionado pelas autoridades.
Segundo os balanços divulgados até esta quinta-feira, 27 de agosto, ao menos 362 mortes haviam sido confirmadas, sendo 359 no Nepal e três no Tibete. O número de desaparecidos, entretanto, ainda apresenta diferenças entre as fontes e autoridades responsáveis pelos levantamentos, variando de mais de 1.300 a mais de 1.400 pessoas.
Entre os desaparecidos estão centenas de estrangeiros de diferentes nacionalidades, muitos dos quais visitavam a região como turistas ou peregrinos.
Os números são preliminares e podem sofrer alterações à medida que avançam as operações de busca, resgate e identificação das vítimas.
O que aconteceu
As informações disponíveis até o momento indicam que o desastre começou na manhã de quarta-feira, 26, após o colapso de uma grande massa de gelo e rochas em uma região de alta altitude do Himalaia.
O material desceu violentamente pela montanha e atingiu o sistema de rios da região, desencadeando uma enorme enxurrada formada por água, gelo, lama, pedras e destroços.
A força da corrente atingiu localidades dos dois lados da fronteira, destruindo casas, prédios, pontes, estradas e outras estruturas. Imagens divulgadas por veículos de comunicação mostram comunidades cobertas por espessas camadas de lama e moradores tentando escapar da força das águas.
O fenômeno também provocou sinais sísmicos. Informações iniciais chegaram a levantar a possibilidade de um terremoto ter desencadeado a tragédia. Avaliações posteriores, porém, passaram a apontar que os sinais registrados estariam relacionados ao próprio colapso da geleira e à movimentação da enorme massa de gelo e rochas.
Especialistas continuam analisando dados de satélites e informações coletadas na região para determinar com maior precisão a sequência dos acontecimentos e as causas do colapso.
Vilarejos destruídos e comunidades isoladas
No Nepal, a inundação percorreu áreas ligadas aos rios Bhote Koshi e Trishuli, atingindo comunidades e deixando localidades isoladas.
No Tibete, uma das áreas mais afetadas foi a região de Gyirong, importante passagem terrestre entre a China e o Nepal.
A destruição de estradas e pontes tornou ainda mais difícil o trabalho das equipes de emergência. Em diversas localidades, helicópteros passaram a ser utilizados para localizar sobreviventes, retirar pessoas feridas e transportar alimentos, água, medicamentos e outros suprimentos.
Milhares de integrantes das forças de segurança e equipes de emergência foram mobilizados.
Enquanto algumas frentes continuam procurando sobreviventes, outras já trabalham na retirada de corpos e no atendimento às famílias desabrigadas.
Centenas de estrangeiros entre os desaparecidos
A dimensão internacional da tragédia também chama a atenção.
A região atingida é bastante frequentada por turistas, praticantes de trekking e peregrinos que seguem em direção a locais considerados sagrados, entre eles o Monte Kailash, no Tibete.
Levantamentos divulgados pelas autoridades indicam centenas de estrangeiros entre os desaparecidos, provenientes de dezenas de países.
Há registros de cidadãos da Índia, Estados Unidos, Ucrânia, Malásia, Austrália, Reino Unido, Canadá e diversas outras nacionalidades entre aqueles que ainda não foram localizados.
Os números relativos aos estrangeiros também permanecem sujeitos a confirmação, uma vez que as autoridades do Nepal e da China realizam levantamentos separadamente e ainda trabalham na identificação e localização das pessoas que estavam na região.
Diante da situação, o Ministério das Relações Exteriores do Nepal anunciou a criação de uma Equipe de Resposta de Emergência, destinada a centralizar informações, auxiliar nas buscas e oferecer assistência consular relacionada aos estrangeiros atingidos ou desaparecidos.
O próprio governo nepalês fez um apelo para que informações não verificadas não sejam divulgadas e recomendou que familiares e instituições acompanhem os canais oficiais.
Novo risco preocupa as autoridades
Além das operações de busca, surgiu uma nova preocupação.
A grande quantidade de material deslocado pelo desastre provocou o bloqueio de cursos d’água e a formação de lagos represados naturalmente por gelo, pedras, terra e outros detritos.
As autoridades acompanham essas áreas diante da possibilidade de rompimento das barreiras naturais, o que poderia provocar novas inundações.
Moradores e equipes que trabalham próximos aos rios foram orientados a manter distância das margens e procurar locais mais elevados diante de qualquer sinal de aumento repentino do nível da água.
Causa do colapso ainda é investigada
Embora especialistas estudem a relação entre o aquecimento da região do Himalaia, o recuo das geleiras e o aumento da instabilidade das montanhas, a causa específica do colapso que desencadeou esta tragédia ainda está sendo investigada.
Estudos realizados ao longo dos últimos anos vêm alertando para mudanças importantes nas geleiras do Himalaia e para os riscos associados ao derretimento do gelo e à instabilidade de encostas.
No entanto, diante de um desastre ainda tão recente, estabelecer uma relação direta e definitiva entre um fenômeno climático específico e o ocorrido exige análises científicas mais aprofundadas.
Uma tragédia ainda em desenvolvimento
Mais de um dia depois do desastre, ainda não é possível estabelecer sua dimensão final.
Os números de mortos, desaparecidos, feridos e sobreviventes continuam sendo atualizados e, em alguns momentos, apresentam diferenças entre os levantamentos divulgados pelas autoridades do Nepal e da China e pelas agências internacionais de notícias.
Por essa razão, os dados apresentados nesta matéria devem ser considerados preliminares.
Enquanto equipes de resgate enfrentam lama, estradas destruídas, pontes levadas pelas águas e a difícil geografia do Himalaia, centenas de famílias permanecem aguardando notícias.
Por trás de cada número divulgado existe uma história ainda sem resposta: alguém que saiu para trabalhar, viajar, peregrinar ou simplesmente viver mais um dia e cuja família agora espera saber se está entre os sobreviventes.
Os números certamente ajudam a dimensionar a tragédia. Mas são as vidas interrompidas, as famílias separadas e as comunidades devastadas que revelam sua verdadeira dimensão humana.
NOTA DA REDAÇÃO: As informações desta matéria foram reunidas a partir de dados divulgados por autoridades do Nepal e da China e de informações publicadas por agências internacionais e veículos de comunicação de reconhecida atuação jornalística.
Como as operações de busca, resgate e identificação das vítimas permanecem em andamento, existem diferenças entre alguns dos números divulgados pelas fontes consultadas. Por essa razão, os dados apresentados devem ser considerados preliminares e poderão sofrer alterações nas próximas horas.
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