É inquestionável a importância que representa para a nação, o mandato político resultante de eleições livres, e que coloca no poder maior da República mandatários eleitos pelo povo para a gestão dos interesses públicos. E assim, dependemos da mente e do caráter dessas figuras que elegemos entre erros e acertos.
O desempenho dos governantes do Poder Executivo, bem como dos senhores Deputados e Senadores do Poder Legislativo, não pode ficar restrito às necessidades específicas do mandato ou vinculados às preocupações sucessórias. Mas, nenhuma nação alcança desenvolvimento sustentável quando cada novo gestor reinicia o país como se nada tivesse sido construído anteriormente. Ou seja, eles chegam ao poder fazendo e desfazendo, mandando e desmandando e, muitas vezes, promovendo os maiores desmandos!
É preciso ter a consciência muito clara de que há uma diferença fundamental entre governar um país e apenas administrar o tempo de um mandato. Enquanto a primeira missão exige planejamento estratégico, compromisso responsável com as futuras gerações e capacidade de construir consensos duradouros, a segunda frequentemente se limita às urgências do calendário eleitoral ou ações vinculadas ao processo sucessório ao final dos mandatos.
Obviamente que uma nação não se transforma em quatro anos. Tampouco em oito. Urge a formulação e execução de projetos nacionais consistentes e não apenas por programas de governo ou de partidos políticos. É preciso algo pensado e planejado. É importante que as obras estruturantes sejam colocadas como prioridade permanente, e não apenas pano de fundo de campanhas enganadoras.
Independentemente das periódicas e necessárias alternâncias de poder, é imprescindível que se evite ações como: a) Interrupção de projetos de infraestrutura; b) Políticas educacionais descontinuadas; c) Parar os investimentos em ciência e tecnologia. Inversamente, deve ampliar os investimentos em educação, infraestrutura, inovação, segurança jurídica, estabilidade institucional e qualificação da força de trabalho do país.
Entre os principais obstáculos que se interpõem e dificultam o crescimento nacional, bem como inviabilizam os projetos futuros, está a habitual prática da descontinuidade que ocorre a cada novo eleito. Trocar os integrantes das equipes por novos agentes de confiança é uma providência logicamente compreensível.
Todavia, regularmente ocorre o abandono integral das prioridades do anterior. Essa atitude radical desperdiça recursos, reduz a confiança dos investidores e dificulta a consolidação de políticas públicas eficientes.
A cada gestão administrativa faz-se obrigatória a compreensão de que a redução das desigualdades regionais e o desenvolvimento equilibrado, são objetivos que demandam planejamento permanente, estabilidade e perseverança. Simples decretos governamentais não funcionam como um passe de mágica na consolidação de mudanças profundas. Pensar o Brasil muito além do próximo mandato significa substituir a lógica da urgência pela cultura do planejamento.
É abandonar a improvisação em favor da estratégia e compreender que o verdadeiro legado de uma geração não está apenas nas obras que inaugura, mas nas bases sólidas que deixam para que as futuras gerações estejam preparadas para enfrentar os desafios do século XXI.
Em todo esse contexto é fundamental priorizar, também, a valorização do capital humano. O bom desenvolvimento tecnológico de uma Nação anda em paralelo à boa formação do seu povo, através do investimento em educação de qualidade e um ensino técnico fortalecido. Se assim pensar, mais desenvolvimento sustentável vai acontecer, e a riqueza de valores humanos que é imprescindível, esta será fortemente enriquecida!
O sistema democrático acolhe as divergências legítimas, mas, obviamente, elas não devem interferir na busca pelos consensos mínimos de temas essenciais na vida das pessoas, e que devem estar acima das disputas partidárias e ideológicas.
Assim, enxergando as coisas por esse prisma, construiremos uma Nação cada vez mais forte, que abandona as conveniências vinculadas a um determinado mandato ou partido para consolidar um Projeto Nacional de prosperidade duradoura para todos os brasileiros. Um projeto amplo e abrangente onde todos sejam beneficiados, sem separatismo político na hora de levar aquilo que uma ou outra região precise.
As nações que prosperam são aquelas capazes de transformar projetos de governo em compromissos permanentes de Estado, garantindo que cada geração deixe às seguintes um país mais preparado, mais competitivo e institucionalmente mais forte.
Autor: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público – Salvador – BA.
Blog do Florisvaldo – Informação Com Imparcialidade

2 Comentários
Agenor, o seu editorial traz uma reflexão que merece ser lida sem o filtro das paixões políticas. Mais do que discutir governos ou mandatos, ele nos convida a pensar no Brasil como um projeto que deve continuar sendo construído, independentemente de quem esteja no poder.
Um país não cresce quando, a cada mudança de governo, tudo o que foi feito antes é deixado de lado. O Brasil avança quando os acertos são preservados, os erros são corrigidos e os bons projetos têm continuidade. Educação, infraestrutura, ciência, tecnologia e qualificação das pessoas são investimentos que pertencem à Nação, e não a este ou àquele governo.
Em um ano eleitoral, essa reflexão ganha ainda mais importância. O cidadão tem o direito de escolher livremente seus representantes, mas também pode esperar que os eleitos governem pensando no interesse coletivo, com responsabilidade e visão de futuro.
As campanhas passam. Os mandatos terminam. O Brasil, porém, permanece. Que o compromisso de quem for escolhido nas urnas seja deixar um país mais preparado, mais forte e mais justo para as próximas gerações. Essa é, sem dúvida, a maior mensagem do editorial escrito por você.
Parabéns!
Bem ditas palavras! É exatamente disso que a nação precisa. Infelizmente na prática não pensam assim. E não precisa dizer em que eles pensam… PRECISA?