Makoto Uchida, presidente e CEO da Nissan (esq.), e Toshihiro Mibe, presidente da Honda, participam de coletiva em Tóquio onde anunciaram futura fusão – União das duas montadoras japonesas pode dar a escala necessária para reagir à crescente concorrência da China no setor em plena transição energética – Foto: Philip Fong/AFP
A incorporação da Nissan pela Honda em uma nova gigante japonesa de automóveis com a participação da Mitsubishi pode fornecer uma saída para as montadoras para as atuais dificuldades que estão enfrentando, mas também ajuda o Japão a enfrentar os avanços da China no segmento de carros elétricos.
Preocupa particularmente a indústria de automóveis japonesa o crescimento da chinesa BYD. A fusão criará a terceira maior montadora do mundo e pode dar à futura nova companhia de carros do Japão a escala necessária para competir com a BYD, de acordo com números de vendas das duas empresas divulgados nesta semana.
O acordo anunciado no início da semana significa que, na prática, a Honda vai absorver a Nissan. A Honda vendeu 3,43 milhões de carros globalmente nos primeiros 11 meses de 2024. A Nissan, por sua vez, informou ter vendido pouco mais de 3 milhões no mesmo período.
Já a BYD, maior montadora da China, registrou 3,76 milhões de veículos vendidos no mesmo intervalo – um indicativo claro de que, isoladamente, Honda e Nissan mostram fragilidade, mas, juntas, poderiam ter uma chance de competir no mercado global de automóveis em meio à transformação da indústria pela transição energética.
Ambas as empresas enfrentam dificuldades para lidar com o crescimento das montadoras chinesas, que superaram o Japão como maior exportador de automóveis do mundo no ano passado e devem ampliar essa liderança em 2025.
A Honda e a Nissan reduziram operações e força de trabalho na China, enquanto a Mitsubishi Motors Corp., que pode se unir à aliança Honda-Nissan, praticamente encerrou sua atuação no maior mercado automotivo global.
As vendas da Honda na China caíram 28% em novembro na comparação com o mesmo mês de 2023, enquanto a produção na região sofreu um declínio de 38% no mesmo período.
Segundo a S&P Global, a capacidade de investimento da Honda para recuperar espaço pode ser prejudicada pelo programa de recompra de ações de 1,1 trilhão de yenes (US$ 7 bilhões) anunciado pela montadora nesta semana.

A agência de classificação de risco destacou que “recompras de ações em larga escala não fortalecem a base futura dos negócios e resultam em saída de capital”.
A Nissan também registrou queda nas vendas na China em novembro, com recuo de 15,1% e redução de 26% na produção local.
Montadoras têm dificuldades no mundo
No cenário global, a Honda teve retração de 6,7% nas vendas em novembro, para 324.504 unidades, enquanto a produção caiu 20,4%. Já a Nissan apresentou queda de 1,3% nas vendas globais no mesmo mês, para 278.763 veículos, com um impacto ainda maior na produção, que recuou 14,3%.

A possível fusão entre Honda e Nissan também poderia intensificar a concorrência com a também japonesa Toyota, hoje a maior montadora do mundo, seguida pela alemã Volkswagen.
Em novembro, as vendas globais da Toyota apresentaram leve retração, totalizando 984.348 unidades, uma queda de 0,2% em relação a novembro de 2023. A produção da empresa caiu 9,4% no período, para 966.921 unidades.
Japonesa Toyota também está em apuros
A Toyota também enfrenta pressão crescente de veículos elétricos produzidos na China e da intensa concorrência com híbridos gasolina-elétrico nos Estados Unidos. Além disso, sua presença no Sudeste Asiático vem sendo progressivamente erodida por concorrentes chinesas.

A demanda global mais fraca por carros novos em 2024 foi agravada por cortes de produção da Toyota devido a investigações regulatórias e recalls no Japão e no exterior. Entre janeiro e novembro, a produção da montadora caiu 7,3% no Japão e 15,2% na China, evidenciando a competição acirrada no maior mercado da Ásia.
Ainda assim, o mercado reagiu positivamente após um relatório da Nikkei indicar que a Toyota planeja dobrar sua meta de retorno sobre o patrimônio (ROE) para 20%. Historicamente, o índice tem variado entre 9% e 16%. No entanto, a montadora afirmou que “não tem uma meta explícita ou prazo definido” para atingir o novo objetivo.
Fonte: https://oglobo.globo.com – Por Bloomberg – Tóquio
Blog do Florisvaldo – Informação Com Imparcialidade
1 comentário
A fusão entre Honda, Nissan e possivelmente Mitsubishi simboliza um passo estratégico para revitalizar a indústria automotiva japonesa. Ao criar a terceira maior montadora do mundo, a aliança busca enfrentar desafios como a ascensão das montadoras chinesas, especialmente a BYD, e liderar a transição energética global.
Essa união promete fortalecer a capacidade de inovação e produção, transformando dificuldades em oportunidades de crescimento e competitividade no mercado global. É um marco de esperança e renovação para a indústria, destacando o poder da colaboração em tempos de mudança.