Se há algo que historicamente mobiliza as emoções dos brasileiros, é o processo eleitoral que antecede o momento decisivo das eleições. Seja nas pequenas cidades do interior ou nos grandes centros urbanos, a dinâmica das campanhas desperta entusiasmo, engajamento e participação ativa dos apoiadores das mais diversas correntes políticas. O sangue chega a ferver nas veias dos mais apaixonados, e para radicalizarem não custa!
No entanto, o que deveria representar o ponto mais elevado da democracia – o confronto de ideias, projetos e visões de país – tem sido progressivamente substituído por uma lógica de radicalização que pouco constrói e muito divide. O debate cede espaço ao embate. A proposta perde terreno para o ataque. E o eleitor, no centro desse processo, torna-se cada vez mais exposto ao ruído e menos ao conteúdo.
A democracia não se sustenta no grito. Quando o diálogo é substituído pela hostilidade, perde-se não apenas a qualidade das discussões, mas, também, a capacidade de convivência entre diferentes. Se o país não reencontrar o valor do diálogo, seguirá avançando em direção a um cenário onde vencer será mais importante do que construir. E, nesse caminho, todos perdem. Escrevendo esse Artigo, até pensei e imaginei que poderíamos, de repente, começar a ensinar nas escolas sobre comportamento político. Quem sabe, com essa maneira formativa, eleitores esclarecidos passariam a surgir num futuro próximo…
A radicalização política, quando ultrapassa os limites do debate legítimo, compromete a própria essência das eleições. Em vez de escolhas fundamentadas em programas de governo e soluções concretas para os desafios nacionais, consolida-se um ambiente onde prevalecem narrativas simplificadas, discursos inflamados e estratégias voltadas mais à desqualificação do adversário do que à apresentação de propostas consistentes.
O Brasil precisa decidir se quer continuar disputando narrativas ou começar, de fato, a construir soluções aos inúmeros problemas nacionais. Falar nisso, a briga é tão séria que está chegando até nas escalações da Seleção que vai à Copa, onde interferências políticas lá chegaram e está causando confusões que antes não se via.
Esse cenário impacta diretamente a qualidade da decisão do eleitor. Ao ser bombardeado por disputas artificiais e centradas em extremos, o cidadão é levado a escolher mais por rejeição do que por convicção. E a diversidade de pensamento é elemento fundamental da democracia.
É natural a existência da diversidade de pensamento político, mesmo porque, como disse o grande escritor e dramaturgo brasileiro Nelson Rodrigues: “toda unanimidade é burra”. A frase significa dizer “que o consenso absoluto sufoca o pensamento crítico e a criatividade, sugerindo que, se todos pensam igual, ninguém está realmente pensando”.
No Brasil contemporâneo, observa-se um ambiente de forte polarização, em que diferentes campos políticos frequentemente priorizam o confronto em detrimento do diálogo. O atual presidente mais se identifica como um Embaixador da Esquerda Internacional – visto estar sempre ausente do Brasil – e menos como Gestor do Poder Executivo brasileiro. E quando está no país tem adotado uma política provocativa, com xingamentos contra seus opositores, o que não deixa de ser um grande mal exemplo.
Enquanto isso, a Direita desenvolve a oposição à Esquerda colocando em evidência nomes não tão preparados para o cargo, quando deveria identificar no grupo lideranças nacionais mais à altura da concorrência. É impossível de conceber um diálogo decente entre as partes, sem que o linguajar agressivo esteja presente.
Mais do que acompanhar o debate político, é necessário desenvolver uma postura crítica, capaz de filtrar excessos, valorizar propostas concretas e reconhecer a importância do diálogo como instrumento de transformação.
As escolhas feitas nas urnas não devem ser guiadas apenas por alinhamentos ideológicos ou reações momentâneas, mas pela responsabilidade com o futuro coletivo. Afinal, não há projeto de nação consistente que se sustente sem a participação consciente de sua população.
Ao final, as eleições não se resumem à vitória de um lado sobre o outro. Elas representam, sobretudo, uma oportunidade de construção. E nenhuma sociedade avança de forma sólida quando a radicalização se sobrepõe à razão e ao compromisso com o bem comum. O futuro é para as pessoas, porque não existe nação sem povo.
Autor: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público – Aposentado do Banco do Brasil.-Salvador-BA.
Blog do Florisvaldo – Informação Com Imparcialidade

1 comentário
Artigo merece aplausos pelas perfeitas colocações. Não tem um parágrafo que se possa contestar. Tudo dentro daquilo que a gente ver e assiste todos os dias, onde a radicalização de idéias realmente em nada contribuí para o desenvolvimento do país. APLAUSOS!