Por Agenor Santos – Das Bahamas – CARIBE.
Conforme revelei na crônica anterior, uma viagem ao exterior representa muito mais do que um giro turístico, e sim a oportunidade de conviver com fantásticas experiências que consolidam um novo aprendizado. Impossível não absorver informações que fortalecem o perfil cultural do viajante.
No sábado partimos de Miami para um Cruzeiro pela região caribenha, no luxuoso e confortável navio Royal Caribbean, visitando as praias de Costa Maya e Cozumel, no México, a Praia de Roatán, em Honduras e nas Bahamas. Daí para a frente, as conclusões individuais dependem do campo de visão aplicado por cada viajante. Eu, por exemplo, procuro exercitar a área de avaliações comparativas, e obter lições, com o fim de dividir os conhecimentos com os meus leitores, semanalmente, o que é objetivo através de nossos Artigos.
A impressão natural de quem observa o mapa da região com rapidez, é a de que Miami e o Caribe formam quase uma mesma paisagem geográfica. Separados por poucas horas de navegação ou de voo, compartilham o mesmo mar azul-turquesa, o clima tropical e a forte presença cultural latina. Contudo, basta atravessar essas águas para perceber que, apesar da proximidade física, trata-se de realidades profundamente distintas.
Miami tornou-se, ao longo das últimas décadas, uma das cidades mais dinâmicas do hemisfério ocidental. Não apenas pelo turismo ou pelas praias mundialmente conhecidas, mas, sobretudo, pela solidez institucional que sustenta seu desenvolvimento urbano e econômico. Ruas organizadas, infraestrutura eficiente, serviços públicos funcionando e um ambiente favorável ao investimento compõem um cenário que transmite previsibilidade, elemento essencial para qualquer sociedade que pretende prosperar.
Já o Caribe – formado por diversas ilhas e pequenos Estados soberanos -, apresenta um universo muito mais complexo. Embora possua destinos turísticos de grande beleza natural e forte vocação para o lazer internacional, muitas dessas nações convivem com desafios estruturais significativos: economias altamente dependentes do turismo, limitações institucionais, fragilidades fiscais e, em alguns casos, instabilidade política.
A proximidade geográfica entre Miami e o Caribe revela, portanto, um contraste que vai muito além da paisagem. De um lado, um território inserido no sistema institucional e econômico dos Estados Unidos, com regras estáveis, segurança jurídica e forte integração aos mercados globais. De outro, países que, embora ricos em natureza e cultura, ainda enfrentam obstáculos históricos para consolidar estruturas econômicas mais diversificadas e sustentáveis.
Esse contraste ajuda a explicar por que Miami se tornou, paradoxalmente, uma espécie de capital informal do próprio Caribe. Empresários, investidores e até governos caribenhos utilizam a cidade como base logística, financeira e comercial. É ali que se concentram escritórios, bancos, companhias aéreas, centros de convenções e conexões internacionais que articulam grande parte das atividades econômicas da região. A diferença, portanto, não está no mar que os separa, mas nas instituições que moldam seus caminhos.
A ascendência americana é tão acentuada, que começa com o predomínio do idioma inglês, presente tanto nos shows, como usado pelos atendentes de pontos turísticos e os guias, os quais priorizam falar o inglês, mesmo tendo turistas latinos presentes nos grupos.
Não por acaso, muitos produtos que circulam nas ilhas caribenhas passam primeiro pelos portos e aeroportos de Miami. A cidade funciona como um grande entreposto regional, conectando economias menores ao fluxo global de mercadorias, serviços e capitais.
Além disso, há também uma dimensão humana nessa relação. Comunidades oriundas de diversos países caribenhos vivem hoje em Miami, contribuindo para formar um ambiente multicultural vibrante. Cubanos, haitianos, dominicanos e jamaicanos, entre outros, trouxeram consigo tradições, gastronomia, música e modos de vida que enriquecem a identidade da cidade.
E talvez essa seja a principal lição que emerge dessa vizinhança tão próxima quanto desigual: geografia pode aproximar territórios, mas são as escolhas políticas, econômicas e institucionais que, ao longo do tempo, definem destinos muito diferentes. Essa é minha visão, de alguém que está vendo e vivenciando tudo isso tão de perto, e poder compartilhar de forma plena e em tempo real.
Autor: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público – Aposentado do Banco do Brasil.
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