Tão logo as urnas são apuradas e os resultados do pleito são anunciados pelos Juízes e Tribunais competentes, nada mais lógico seria ocorrer o início de um breve estágio de choros e lamentações de uns e empolgadas comemorações de outros, ou seja, do lado dos vencedores.
Aparentemente surge um pressuposto de que política e eleição é um papo que ficará adormecido por um longo período até as próximas eleições. Ledo engano! Encerrado o pleito, mal começam os eleitos a exercer seus mandatos e já se especula sobre o próximo embate. Ou seja, uma nova eleição já está à vista e assim se sucedem as intermináveis campanhas.
No dia a dia dos novos mandatos, seja no Executivo ou no Legislativo, entra em desenvolvimento todo um processo voltado à construção de novas expectativas e definições para a carreira futura de cada um. Assim, a política nacional vive em estado contínuo de campanha. Sabem com o dinheiro de quem? Não precisa dizer… com o deles é que não é!
Durante o exercício do mandato, o foco deixa de ser a gestão e se desloca para a narrativa. Governar torna-se exercício de comunicação permanente com as bases; administrar transforma-se num constante projeto eleitoral.
A lógica é simples: medidas impopulares custam votos; decisões responsáveis exigem coragem política. Entre o aplauso de hoje e o equilíbrio de amanhã, a escolha costuma favorecer o calendário eleitoral.
Na medida em que os eleitos para cargos administrativos se envolvem na antecipação do debate sucessório, contribuem para que surja um efeito perverso: a paralisia na tomada de decisões. As tão reclamadas reformas estruturais – administrativas, tributárias ou políticas – tornam-se reféns da conveniência eleitoral. Ajustes prioritários são postergados sob o argumento de que “não é o momento”. E esse momento raramente chega! Vamos ser sinceros, nunca chega mesmo!!!
Diante de tudo isso, percebe-se que a complexidade dos problemas municipais, estaduais e nacionais é minimizada ou esquecida, e o cenário passa a viver mais de disputas políticas do que das soluções necessárias à sociedade.
Aqui não vai nenhuma intenção de desvalorizar ou mitigar a importância das práticas democráticas. A intenção da crítica é questionar o fato de usar a política como motivo de campanha contínua, deixando os governos de serem instrumentos de gestão para se tornarem palco de disputa. O presente é sacrificado em nome do próximo pleito eleitoral. E assim vai, e assim segue a gastança monumental!
Nada mais evidente do que o entendimento de que uma campanha política é feita com o uso de muitas estratégias, mas, exercer a boa gestão no governo exige responsabilidade. Confundir os dois papéis é um erro que cobrará seu preço em crescimento baixo, instabilidade fiscal e frustração social.
Um país não se desenvolve sob aplausos de palanque, mas sob decisões responsáveis. O desafio não está em disputar eleições – isso é da essência democrática. O verdadeiro desafio é saber encerrá-las. Quando a campanha termina no discurso, mas continua na prática, o país perde tempo, recursos e oportunidades. E um país que vive permanentemente no palanque dificilmente consegue construir as bases sólidas do futuro.
Ao tempo em que reconheço o quanto é importante a missão daqueles que se dedicam de forma eletiva ao serviço público, em benefício da sociedade, reprovo com veemência aqueles que, seduzidos pelo poder, buscam se eternizar nos cargos, beneficiados pelo favorecimento das políticas sociais. E lá vivem atirando com a pólvora alheia e sendo favorecidos a cada quatro anos.
Autor: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público – Aposentado do Banco do Brasil-Salvador-BA.
Blog do Florisvaldo – Informação Com Imparcialidade

2 Comentários
Bom dia, Agenor.
O pleito termina nas urnas, mas continua nos gabinetes e discursos, iniciando imediatamente a próxima campanha. O mandato, constitucionalmente limitado, transforma-se em vitrine eleitoral: governar vira marketing, decidir vira cálculo e administrar vira espetáculo.
Com eleições frequentes, medidas necessárias são adiadas, reformas postergadas e decisões impopulares evitadas. O discurso substitui a ação, e o presente é sacrificado pelo futuro eleitoral.
Não se questiona a democracia, mas sim a distorção do mandato em instrumento de autopreservação política. Um país não se desenvolve sob palanques permanentes; desenvolve-se com decisões firmes, planejamento e coragem. Enquanto governar continuar confundido com fazer campanha, seguiremos presos a ciclos de popularidade e estagnação.
Sim. As campanhas são intermináveis. Viraram uma sequência. Com o dinheiro do povo tudo é possível e até o impossível fazem. Está na hora de um BASTA em tudo isso. !!! Afinal tudo tem limites…