– Cidadão brasileiro tentando ver o Brasil no futuro –
Sempre que nos bate-papos estão presentes os assuntos ligados às reflexões sobre o nosso País, em que o passado e o presente são objetos de análises e avaliações, habitualmente surge alguém que procura confortar a todos relembrando um ditado tradicional que afirma que “o Brasil é o país do futuro”!
Embora relativamente jovem, prestes a completar 526 anos de sua descoberta, o ditado traz o conforto da esperança de que algo possa acontecer para apressar esse desenvolvimento social, econômico e cultural desejado.
Assim, o Brasil é apresentado num tempo sempre presente ou de lembranças do passado. Um País sob a percepção de que vive em estado de promessa permanente, mas com execução insuficiente. Na expectativa do amanhã, dependente do próximo mandato, do projeto que será lançado após o recesso, nas modificações que dependem de consenso, no investimento que aguarda o momento adequado. É UM FUTURO constantemente anunciado, mas QUE NUNCA CHEGA!
Ano após ano, as ofertas de benefícios do País se acumulam como quem empilha projetos em gavetas emperradas. Elas não desaparecem, apenas envelhecem. Mudam-se os nomes, os porta-vozes, mas o roteiro permanece quase intacto: diagnóstico correto, discurso animador e execução incompleta.
Os discursos no universo político anualmente são alimentados pelo tema das reformas, mas se manifestam como um processo repetitivo e que logo perdem o fôlego no labirinto das conveniências políticas, dos interesses cruzados e do medo de desagradar.
O resultado é um país que avança de forma moderada, em passos trôpegos e tropeçando em si mesmo. E chama isso de progresso possível! Sinceramente, essa visão está totalmente distorcida e creiam, assim continuará por tempos sem fim… É algo como o ditado: “me engana que eu gosto!”
Enquanto isso, a esperança vai sendo adormecida. Não desaparece por completo, mas entra num estado de espera cautelosa. De maneira progressiva o cidadão já não acredita com o mesmo entusiasmo e sim com relativas doses de ressalvas.
Como uma aeronave à espera de autorização para decolar, assim está o Brasil, sempre pronto para decolar, mas preso à pista por autorizações que nunca chegam da torre. Possui potencial, recursos, criatividade e gente que trabalha, mas se perde na incapacidade de transformar planos em políticas duradouras e compromissos em resultados concretos. Aquele algo que puxa pra baixo, existe de uma forma muito forte e sabemos o quanto isso é prejudicial. Que termina travando tudo e, às vezes, fazendo andar de marcha ré…
Como cidadão observador atento da vida pública, tenho a sensação de que nos falta coragem e determinação de concluir o que desejamos. Urge tomar a decisão de transformar o futuro em presente, mesmo que isso desagrade, custe capital político ou rompa zonas de conforto. Um País não se constrói apenas com programas partidários, mas com escolhas feitas no tempo certo. E o tempo, este, não espera discursos, por mais bem elaborados que sejam. Ou seja, os discursos vagos e vazios, e porque não dizer, enganadores, não passam de bolas de assopro, que logo estouram e dá em nada.
Adiar decisões tornou-se uma prática institucionalizada, mas toda postergação tem custo – econômico, social e moral – pago silenciosamente pela população.
Mais do que anunciar planos, é necessário assegurar continuidade, execução e postura de responsabilidade. Não basta, durante os mandatos, desenvolver o hábito de elaborar projetos; é preciso adotar decisões que atendam os interesses e necessidades da sociedade, e superem o ciclo histórico da frequente procrastinação.
Tenho a convicção de que essa é uma visão compartilhada por muitos cidadãos que amam o Brasil acima das querelas político-partidárias. E assim como o cidadão da ilustração, que possamos dirigir o nosso olhar patriótico para o futuro e enxergar a breve chegada de uma Nação com um novo perfil, livre dos desonestos e corruptos que ora destroem a imagem desta pátria Brasil. Assim sendo, se mais engajamentos como esse não tivermos, jamais passaremos de caranguejos, infelizmente!
Autor: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público – Aposentado do Banco do Brasil-Salvador-BA.
Blog do Florisvaldo – Informação Com Imparcialidade


1 comentário
Belo artigo. A frase abaixo da ilustração diz TUDO! Como vamos ver o futuro se eles só pensam nos interesses próprios deles no presente ???