
Enquanto autoridades públicas reiteram, em pronunciamentos oficiais, que o Brasil atravessa um contínuo processo de crescimento, sustentado por indicadores econômicos considerados positivos, a realidade enfrentada diariamente pela população conta outra história. As filas para atendimento médico, a superlotação de hospitais, o aumento do custo de vida e as deficiências no transporte público expõem um contraste evidente entre a retórica institucional e a vida concreta do cidadão comum. E é aí onde reside a dona mentira…
Nos discursos, o país avança, moderniza-se e supera obstáculos históricos. No cotidiano das camadas mais vulneráveis – desprovidas de planos privados de saúde e de educação -, persistem dificuldades estruturais que relativizam o otimismo oficial. E novamente cabe lembrar a diferença do andar de cima para o andar de baixo!
Nesse contexto, é indispensável reconhecer uma das mais relevantes conquistas sociais do país: o Sistema Único de Saúde (SUS), instituído pela Constituição Federal de 1988. Inspirado em modelos internacionais, como o britânico, o SUS consolidou-se como um dos maiores e mais complexos sistemas públicos de saúde do mundo, garantindo acesso universal e gratuito à população brasileira. Agora falando muito sério, o que seria das classes pobres se não fosse a existência desse sistema!
Apesar das críticas recorrentes relacionadas à demora no atendimento e à dificuldade de agendamento de consultas e exames – em grande parte decorrentes da elevada demanda -, o sistema oferece desde ações básicas de prevenção até procedimentos de alta complexidade, como transplantes de órgãos. Trata-se de uma política pública de alcance singular, inclusive no cenário internacional, sobretudo considerando a dimensão populacional do Brasil.
O caráter universal do SUS, que assegura atendimento inclusive a estrangeiros em território nacional, reforça seu papel humanitário e constitucional. Países com sistemas semelhantes compartilham o princípio da universalidade, mas poucos enfrentam desafios proporcionais aos impostos por um país continental como o Brasil.
É um contraponto histórico positivo, e que merece ser valorizado por nossa gente. Os brasileiros que vivem em outros países sabem das dificuldades que enfrentam por lá, quando dependem de um atendimento médico de rotina ou emergencial.
O Brasil é, notavelmente, o único País com mais de 200 milhões de habitantes que tem um sistema de saúde pública integralmente universal e gratuito como o SUS. O sistema foi inspirado num modelo existente no Reino Unido, mas com uma amplitude maior no campo dos benefícios.
Embora haja outros países com sistemas de saúde que compartilham o princípio fundamental da universalidade – acesso à saúde como um direito de cidadania -, a exemplo do Reino Unido, Canadá, Dinamarca, Suécia, Portugal, Espanha, Tailândia, Cuba e Colômbia, cada um tem suas particularidades operacionais.
Diante da amplitude dos serviços prestados, seria razoável esperar que a saúde figurasse como prioridade absoluta na alocação dos recursos públicos. Contudo, historicamente, o setor é impactado, frequentemente, por cortes orçamentários, comprometendo sua capacidade operacional.
Diante de uma das maiores cargas tributárias do mundo, é inadmissível que a população continue enfrentando serviços precários nas áreas essenciais. Se houvesse mais zelo com o dinheiro público e menos tolerância com desvios e ineficiência, o Brasil teria condições reais de oferecer sistema de saúde, educação e segurança compatíveis com o que se promete em palanques e pronunciamentos oficiais. Para constatar uma dessas realidades, façamos um giro pelos corredores dos hospitais, que logo iremos encontrar uma realidade abaixo do suportável.
Autor: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público – Aposentado do Banco do Brasil-Salvador-BA.
Blog do Florisvaldo – Informação Com Imparcialidade

4 Comentários
Bom dia, caro Agenor!
Fica evidente que, entre o discurso oficial e a prática cotidiana, existe um vácuo profundo. É inegável que o país vivenciou avanços importantes em décadas passadas, como a ampliação dos direitos garantidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), instituído pela Constituição de 1988, e a modernização da Previdência Social, iniciada ainda na Constituição de 1967.
O que preocupa, contudo, é a progressiva dilapidação dessas conquistas ao longo dos governos seguintes, levando o país à situação atual. Um exemplo emblemático é o caso dos descontos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas do INSS. Apesar do anúncio oficial, em rede nacional, de que os valores seriam devolvidos, passados mais de seis meses muitos ainda aguardam a restituição, sendo obrigados a recorrer ao Judiciário.
Esse episódio sintetiza, com precisão, o título do seu editorial: “A REALIDADE DO PAÍS, FORA DOS DISCURSOS”.
E a carga tributária, aumenta anualmente. Assim fica difícil mesmo. (Salvador-BA).
Mesmo assim amigo! VIVA O SUS!!! (Rio de Janeiro-RJ).
A realidade do Brasil! No início de 2026, fora dos discursos, apresenta um cenário de contradições: indicador pobre, desafios fiscais estratégicos. Permanecem altos. (Irecê-BA).