É legítimo e saudável que a sociedade cobre, de forma incessante, que a administração pública cumpra suas obrigações. Esse papel ativo representa o poder fiscalizador do cidadão sobre as ações do Estado.
E sinceramente falando, não há poder maior e mais apropriado, porque é o povo que lá na ponta sente as verdadeiras necessidades que o Estado às vezes finge não ver…
Contudo, essa engrenagem exige reciprocidade. Por outro lado, o desenvolvimento nacional depende de fatores que devem partir do próprio povo: educação cidadã, respeito às regras, engajamento social e senso de responsabilidade coletiva. Afinal, direitos e deveres caminham sempre em mão dupla.
Quando a sociedade se omite dos problemas públicos, corremos o risco de normalizar dificuldades históricas, agindo como se não houvesse alternativas ou culpados pela estagnação.
Os governos passam, mas o país permanece. É exatamente nessa perspectiva de continuidade que reside o verdadeiro motor do desenvolvimento brasileiro.
Nas eleições de 2026, mais de 158,7 milhões de eleitores estavam aptos a exercer o voto, segundo os registros do (Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Mais do que escolher o próximo presidente, Governadores de Estado e os representantes do Legislativo, cada cidadão teve em mãos a oportunidade – e o dever cívico – de definir os rumos do país.
Desse total, porém, um número expressivo de 33.444.876 eleitores deixou de comparecer às urnas no 1° Turno. Essa ausência elevada representou 21,08% de abstenção, consolidando-se como o maior índice registrado em eleições gerais desde 1998. Embora esse silêncio nas urnas reflita um claro recado de descontentamento, ele não anula a legitimidade nem a força das escolhas feitas pela maioria que votou.
Essa ausência é o sintoma visível de uma dupla crise: a exaustão provocada pela polarização crônica e o descrédito nas promessas institucionais. Ao escolher o silêncio, uma parcela gigantesca do eleitorado usou a apatia como escudo contra um ambiente político que se tornou hostil e pouco focado na realidade do cidadão.
E é aqui que, talvez, resida um recado da total insatisfação, um recado de profunda insatisfação e indiferença do eleitor que é o cidadão do dia a dia que fica acompanhando todas as mazelas praticadas pelos senhores políticos.
Independentemente de quem vença o segundo turno agora em 2026, o novo governante precisa entender que políticas públicas eficientes pertencem ao Estado, e não a partidos.
Na prática, a disputa pelo poder frequentemente sufoca o debate sobre o desenvolvimento do país. Quando a agenda pública se resume a conflitos, ataques e vaidades institucionais, as reformas estruturais urgentes acabam engavetadas, penalizando toda a sociedade. O erro grave dos líderes que lesam nossa confiança acaba sendo cobrado de uma forma dura – a única que as pessoas encontram com facilidade.
Afinal, a qualidade de uma democracia não se mede apenas pela regularidade das eleições, mas sim pela robustez de suas instituições. É essa engrenagem que deve funcionar com independência, fiscalizar o exercício do poder e garantir que as leis defendam os interesses do povo, e não dos governantes.
A democracia amadurece quando o cidadão deixa o papel de mero espectador e assume o protagonismo permanente da vida pública. O dever cívico não termina ao digitar o “confirma” na urna. Ele se estende na exigência de transparência, no monitoramento diário das decisões governamentais, na fiscalização do dinheiro público e na blindagem das nossas instituições.
Os interesses nacionais jamais podem se subordinar à vitória ou à derrota de um grupo político. O Brasil não tem dono: não pertence a um partido, a um governante ou a cartilhas ideológicas de esquerda ou de direita.
Esta nação pertence, única e exclusivamente, ao seu povo. E é essa população que tem todo o direito – e o dever – de exigir de seus representantes o respeito institucional, o zelo com o erário e um compromisso inegociável com as reais necessidades do país.
O momento político atual está complexo e nada como as respostas silenciosas das urnas para decifrar melhor esse cenário!
Autor: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público (Salvador-BA).
Blog do Florisvaldo – Informação Com Imparcialidade

2 Comentários
Parabéns, Agenor, por mais uma reflexão lúcida e oportuna! Neste momento de decisão nas urnas, seu editorial nos lembra que o compromisso com o Brasil precisa estar acima das preferências partidárias. Como você bem ressalta, o país pertence ao seu povo, e a responsabilidade de construir seu futuro é compartilhada entre governantes e cidadãos.
Qualquer que seja o resultado, permanecerão o dever de fiscalizar, a disposição para participar e o respeito a quem pensa diferente. Que o próximo presidente governe para todos e que nós, brasileiros, saibamos cobrar com firmeza, reconhecer os acertos e contribuir para o bem comum.
Obrigado por enriquecer o nosso Blog com uma reflexão especialmente oportuna às vésperas das eleições que acontecerão amanhã. Que sua mensagem nos inspire a votar com consciência e a manter vivo, depois das urnas, o compromisso com o país, em sintonia com a informação e a imparcialidade que orientam este espaço.
O Artigo traz bem ditas palavras. Realmente os governos são consequências das nossas escolhas. E chama a atenção para os nossos comportamentos em todos os sentidos como cidadãos que somos. Os exemplos aqui colocados nos convida a fazermos parte dos governos de uma forma construtiva para o bem de todos!