
Em razão da frequência de fatos e sucessivos escândalos envolvendo autoridades e instituições públicas, geralmente tendo como personagem central a excrescente praga da “corrupção”, a sociedade brasileira passou a conviver sob o domínio da dúvida e da incerteza.
Esse clima, é um indicador negativo de que mais do que os desequilíbrios fiscais ou as limitações orçamentárias, o Brasil enfrenta hoje um déficit mais profundo e silencioso: A CRISE DE CONFIANÇA. E essa desconfiança é o que há de pior em qualquer relação, principalmente, no que diz respeito às finanças nacionais.
A incredulidade da população se amplia diante da clara percepção de que os índices econômicos anunciados, nem sempre estão conectados com a realidade social do País. Por outro lado, a constante busca da aprovação de verbas extras para a realização de certos projetos ou para encarar determinados problemas sociais, demonstra que há possíveis inconsistências entre os resultados positivos de mentirinha cantados em prosa e verso e a legitimidade de uma boa gestão financeira nacional.
Diante de um quadro de insegurança econômica, até mesmo os indicadores positivos perdem força e consistência mesmo antes de produzir efeitos reais, principalmente pela hesitação dos investidores, o recuo dos agentes econômicos e a desconfiança da sociedade.
Outro fator que desestabiliza e contribui para a desconstrução de um bom cenário econômico do País, é o desvio de enormes valores dos cofres públicos, visando atender a sede insaciável dos parlamentares, que são favorecidos pelas verbas geradas pelas tais Emendas Parlamentares, em troca dos votos para a aprovação de projetos do Governo. Uma nojenta negociata, que se configura como verdadeiro escândalo! Sem falar nos famosos empréstimos para outros países, cujo dinheiro nunca mais volta.
A questão fundamental não reside na existência das Emendas Parlamentares, mas, na forma como são utilizadas, sem a necessária transparência e planejamento, transformando-se em moeda política e promovendo a queda acentuada da credibilidade da gestão pública.
Com muita frequência o que se tem assistido é a prioridade na acomodação dos interesses políticos, em detrimento das reformas estruturais básicas reclamadas pelo País, cujos projetos são postergados pela prática do conhecido arquivamento.
É preciso a compreensão de que o foco da queda de confiança não se restringe à pessoa do Prefeito, do Governador ou do Presidente, ou Ministros do Judiciário, ou ainda Deputados e Senadores, como pessoas físicas. Existe uma magnitude maior, por se tratar de um efeito mais grave e desgastante sobre as Instituições Públicas que eles representam.
Quando o cidadão deixa de acreditar no Estado, o País paralisa, mesmo diante de indicadores aparentemente favoráveis. A descrença representa um mecanismo de defesa, mas, também, se constitui num obstáculo ao desenvolvimento.
A recuperação da confiança perdida exige mais que discursos e narrativas de palanques, ou índices cuidadosamente elaborados, mas implica na prática da coerência entre palavras e ações. A realidade é que esse déficit de confiança não faz parte da contabilidade oficial.
Na realidade, é visível que a comunicação oficial diverge, em muito, da experiência concreta da população, e o resultado tende a ser o contrário do desejado. Reconstruir a confiança perdida tem de estar associada à transparência e responsabilidade fiscal e social, sem as quais a estabilidade política e econômica será falsa e o crescimento estará sempre sob suspeita.
Autor: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público – Aposentado do Banco do Brasil-Salvador-BA.
Blog do Florisvaldo – Informação Com Imparcialidade

2 Comentários
Caro Agenor, confesso que, ao ler seu editorial sobre a “Crise de Confiança”, fiquei entre a gargalhada nervosa e a insônia solidária. Afinal, a desconfiança anda tirando o sono – sobretudo da classe mais abastada, que só agora percebeu o que o pobre sabe há décadas: quando a realidade não fecha a conta, dormir vira luxo.
Se a descrença no Estado já é antiga, a novidade é sua expansão para o sistema financeiro. O escândalo do Banco Master ilustra bem esse cenário: ninguém sabe onde começou, como evoluiu ou quando termina, como uma série sem roteiro e sem final. Seu texto acerta ao mostrar que, sem confiança, qualquer indicador positivo perde sentido – e um país que desconfia simplesmente não anda.
POIS É. O AUTOR TRATOU DO PONTO PRINCIPAL DE QUALQUER RELAÇÃO. PRINCIPALMENTE QUANDO SE TRATA DE POVO X PODER. QUE ELES LEIAM ESSE TEXTO TÃO SIGNIFICATIVO EM TODOS OS SENTIDOS!!!