Passada a contagem regressiva do dia 31 de dezembro e dissipado o brilho dos fogos, o Brasil retorna ao seu ritmo habitual, carregando problemas antigos e expectativas renovadas. Mais um ano ficou para trás, levando no seu bojo um vasto bloco de abraços e desejos realizados ou não, expressões de alegrias e tristezas. O Ano Novo não inaugura milagres; apenas escancara a necessidade de escolhas mais responsáveis.
A virada do calendário convida à reflexão sobre os caminhos que vêm sendo trilhados e aqueles que ainda precisam ser construídos. E aí está a grande sacada: olhar para o alto, e seguir em frente!
Enquanto o calendário vira mais uma página na história, a eleição nacional de 2026 já se anuncia no horizonte e faz o Brasil acordar para uma nova realidade política e social brasileira e com a mesma pergunta que insiste em ser repetida todos os anos: que Brasil queremos construir a partir de agora? Isso depende de nós. Depende da nossa coerência em escolher bem os futuros governantes, quando estamos diante de nós mesmos!
E talvez seja justamente essa distância que permita uma reflexão mais serena. Longe do calor dos palanques, o momento pede menos torcida e mais consciência; menos paixão e mais responsabilidade. Os excessos de partidarismo precisam ser superados para dar lugar à busca das melhores soluções para o futuro do País.
A chegada do Ano Novo não apaga os problemas, mas nos oferece algo importante em tempos turbulentos: a chance simbólica de recomeçar a luta com lucidez e determinação. mas, geralmente não é bem assim que acontece! Na maioria das vezes, testemunhamos que uma paixão cega impede a muitos de escolherem o melhor ou menos ruim…
Ao longo de sua história, o país aprendeu que soluções fáceis costumam custar caro. Aprendeu também que a democracia, com todos os seus ruídos, ainda é o caminho mais seguro para corrigir erros e preservar liberdades. Cada eleição não é um fim em si mesma, mas parte de um processo contínuo de amadurecimento coletivo.
O Ano Novo deveria funcionar como um alerta silencioso. Não basta trocar o número do ano se persistem práticas que afastam o cidadão da política e transformam o voto em ato de protesto, não de escolha consciente. Isso vem acontecendo ao longo de 20 anos no mínimo, e o senhor eleitor está indo para a urna como se fosse para um Estádio torcer pelo seu time preferido! O voto não admite o grito de gol…!!!
O Brasil não precisa de milagres, mas de compromisso. Mais do que esperar por salvadores ou promessas fáceis, o Brasil é chamado a fortalecer a cidadania, valorizar o debate qualificado e compreender que cada eleição representa uma oportunidade de correção de rumos. O Ano Novo surge, assim, como um ponto de partida para um olhar mais atento, crítico e esperançoso sobre o país que se deseja construir, sempre atento ao princípio de que a pressa é inimiga da perfeição.
Hoje, o Brasil conta com algo em torno de um quarto de sua população formada por jovens – acima de 50 milhões. Embora sejamos um país de ascendência jovem, a experiência dos mais velhos não pode ser desprezada na construção desse futuro que desejamos.
É preciso considerar que, mesmo com o avanço do envelhecimento populacional, esse contingente ainda representa dezenas de milhões de brasileiros, em plena idade de formação, trabalho, participação social e definição de valores. Nesse particular, o Brasil é um país privilegiado, porque ambos os segmentos podem somar as suas energias e competência para reservar às futuras gerações uma Nação com um novo e reformulado perfil de cidadania.
Dentre as muitas e belas mensagens que circularam nas redes sociais neste final de ano, repasso aos meus leitores esta que expressa uma grande verdade: “Antes de desejar Feliz Ano-Novo, deseje Feliz Atitudes Novas, pois o ano será igual se as suas atitudes forem as mesmas”!
Autor: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público – Aposentado do Banco do Brasil-Salvador-BA.
Blog do Florisvaldo – Informação Com Imparcialidade

6 Comentários
Agenor, este Editorial cumpre com precisão o papel de uma reflexão madura de virada de ano: revisita verdades já conhecidas sem cair na repetição e projeta, com lucidez, os desafios que se aproximam, especialmente no horizonte de 2026. Ao evitar promessas fáceis e discursos salvacionistas, o autor convida o leitor a pensar o Brasil com responsabilidade, memória e senso crítico.
Quando você propõe “olhar para o alto e seguir em frente”, vejo um chamado necessário à esperança e à elevação do debate. Como leitor, acrescento apenas que esse olhar para o alto não deve nos fazer esquecer de olhar também para o chão, onde estão os obstáculos reais e os erros que insistimos em se repetir. Sonhar é essencial, mas caminhar atento é indispensável.
A pergunta – “Que Brasil queremos construir a partir de agora?” – é direta e provocadora. Vocâ atribui ao eleitor a responsabilidade de escolher bem seus governantes, apelando à coerência cívica. Aqui, manifesto minhas reservas: acredito que muitos eleitores escolhem com convicção e boa-fé, mas acabam frustrados quando, após a posse, promessas de campanha são esquecidas. Ainda assim, a provocação é válida, pois reforça que a omissão jamais será uma alternativa.
Por fim, a frase que encerra o editorial – “Antes de desejar Feliz Ano-Novo, deseje Feliz Atitudes Novas, pois o ano será igual se as suas atitudes forem as mesmas” – sintetiza com precisão todo o espírito do texto. Nesse ponto, compartilho plenamente do pensamento do autor, em número, gênero e grau.
Agenor, você traz um editorial sóbrio, consciente e oportuno, que nos afasta do entusiasmo vazio dos festejos e nos reconecta à realidade com maturidade. Como leitor, termino a leitura não com respostas prontas, mas com reflexões necessárias – e esse talvez seja o maior mérito de um bom editorial.
Parabéns!
Belo texto professor, o conhecimento tem muita importância na vida do ser humano. Quando tivermos eleitores, na maioria com conhecimento político, as coisas passam a fluir melhor e poderemos ter um país mais próspero e um povo mais feliz. (Uibaí-BA).
Muito obrigado. Feliz “atitudes novas”, então, para todos nós. Um abraço. (Salvador-BA).
REALMENTE PRECISAMOS MUDAR, TUDO PRECISA MUDAR, O ANO NOVO AJUDA POUCO. EXCELENTE TEXTO. (Salvador-BA).
Artigo bem oportuno. verdades bem ditas. O último parágrafo disse tudo: não adianta apenas desejar da boca pra fora. É preciso fazer antes de falar. É preciso dar o bom exemplo praticando, não apenas, desejando.
Se apenas falar palavras bonitas, sem gestos concretos, o novo não chegará. A dica está dada!
É assim que funciona o governo Lula/Xandão! Roubos escandalosos, mas investigação sigilosa, cadeia para inocentes e liberdade para criminosos. (Miraí-MG)).