{"id":21630,"date":"2025-11-26T08:00:45","date_gmt":"2025-11-26T11:00:45","guid":{"rendered":"https:\/\/portaldenoticias.net\/ffsantos\/?p=21630"},"modified":"2025-11-28T08:55:26","modified_gmt":"2025-11-28T11:55:26","slug":"periferias-paulistanas-samba-punk-hip-hop-e-a-construcao-de-uma-cultura-de-resistencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portaldenoticias.net\/ffsantos\/periferias-paulistanas-samba-punk-hip-hop-e-a-construcao-de-uma-cultura-de-resistencia\/","title":{"rendered":"PERIFERIAS PAULISTANAS: SAMBA, PUNK, HIP-HOP E A CONSTRU\u00c7\u00c3O DE UMA CULTURA DE RESIST\u00caNCIA"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/portaldenoticias.net\/ffsantos\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Kaike-0cd90cbb-853d-4360-9012-ef39b8639a53.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-21633\" src=\"http:\/\/portaldenoticias.net\/ffsantos\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Kaike-0cd90cbb-853d-4360-9012-ef39b8639a53-200x300.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/portaldenoticias.net\/ffsantos\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Kaike-0cd90cbb-853d-4360-9012-ef39b8639a53-200x300.jpg 200w, https:\/\/portaldenoticias.net\/ffsantos\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Kaike-0cd90cbb-853d-4360-9012-ef39b8639a53-683x1024.jpg 683w, https:\/\/portaldenoticias.net\/ffsantos\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Kaike-0cd90cbb-853d-4360-9012-ef39b8639a53-768x1152.jpg 768w, https:\/\/portaldenoticias.net\/ffsantos\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Kaike-0cd90cbb-853d-4360-9012-ef39b8639a53-150x225.jpg 150w, https:\/\/portaldenoticias.net\/ffsantos\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Kaike-0cd90cbb-853d-4360-9012-ef39b8639a53-450x675.jpg 450w, https:\/\/portaldenoticias.net\/ffsantos\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Kaike-0cd90cbb-853d-4360-9012-ef39b8639a53.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong><i><span style=\"font-size: 14.0pt;font-family: 'Arial',sans-serif\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Por: Caike Guedes Ramos<\/span><\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong><em>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Introdu\u00e7\u00e3o:<\/em><\/strong><\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o das periferias paulistanas \u00e9 resultado de um complexo processo hist\u00f3rico que envolve industrializa\u00e7\u00e3o, migra\u00e7\u00f5es, segrega\u00e7\u00e3o socioespacial e resist\u00eancia cultural. Ao longo das d\u00e9cadas, especialmente a partir dos anos 1940, diferentes sujeitos e movimentos sociais produziram formas pr\u00f3prias de exist\u00eancia e express\u00e3o nas bordas da cidade, transformando-as em espa\u00e7os de cria\u00e7\u00e3o e disputa simb\u00f3lica. Nesse percurso, manifesta\u00e7\u00f5es culturais como o samba \u2014 que registrou as transforma\u00e7\u00f5es urbanas e as remo\u00e7\u00f5es \u2014, o punk e, posteriormente, o hip-hop, contribu\u00edram para dar visibilidade \u00e0s viv\u00eancias perif\u00e9ricas. Este texto aborda essa trajet\u00f3ria, discutindo como a expans\u00e3o urbana, a ditadura militar e esses movimentos culturais consolidaram a periferia como um territ\u00f3rio de luta, identidade e produ\u00e7\u00e3o cultural.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong><em>AS PERIFERIAS PAULISTANAS: ESPA\u00c7O, CULTURA E RESIST\u00caNCIA.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>O termo periferia ao longo da hist\u00f3ria sempre foi objeto de discuss\u00e3o sobre o que de fato possa significar. Especificamente na cidade de S\u00e3o Paulo, as periferias, pelo menos aquelas que conhecemos nos dias de hoje, geograficamente falando no sentido de localiza\u00e7\u00e3o, foram crescendo e se desenvolvendo a partir, sobretudo, das d\u00e9cadas de 1940 e 1950, com o processo de industrializa\u00e7\u00e3o da cidade, a chegada de empresas multinacionais e o aumento da demanda por m\u00e3o de obra para trabalhar nessas f\u00e1bricas. Houve nesse per\u00edodo um grande deslocamento de massas oriundas do norte e nordeste do Brasil para cidade de S\u00e3o Paulo, e por conseguinte do centro para a periferia. \u201cVale ressaltar tamb\u00e9m que as remo\u00e7\u00f5es historicamente ocorreram do centro tradicional para a periferia, e n\u00e3o o contr\u00e1rio\u201d (D\u2019ANDREA, 2025).<\/p>\n<p>Se por um momento esses trabalhadores eram alocados em alojamentos oferecidos pelas pr\u00f3prias f\u00e1bricas e\/ou em corti\u00e7os e pens\u00f5es na regi\u00e3o central da cidade, em outro momento essas popula\u00e7\u00f5es tiveram que se deslocar para cada vez mais longe dos seus postos de trabalho, devido ao processo de verticaliza\u00e7\u00e3o, ou seja, o surgimento de constru\u00e7\u00f5es de pr\u00e9dios,\u00a0 e \u201cmoderniza\u00e7\u00e3o\u201d da cidade, como podemos ver no samba de Geraldo Filme se retratando da regi\u00e3o do Bexiga conhecida principalmente por ser um importante bairro oper\u00e1rio e residencial onde no verso \u201cBexiga hoje \u00e9 s\u00f3 arranha-c\u00e9u\/ E n\u00e3o se v\u00ea mais a luz da Lua\u201d (FILME, 1980) ele reflete sobre a mudan\u00e7a na paisagem urbana do bairro, e tamb\u00e9m\u00a0 na letra de Saudosa Maloca, de Adoniran Barbosa que retrata a desapropria\u00e7\u00e3o e o tal do \u201cpogressio\u201d, como o pr\u00f3prio dizia.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><strong>Se o senhor n\u00e3o est\u00e1 lembrado<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><strong>D\u00e1 licen\u00e7a de contar<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><strong>Que aqui onde agora est\u00e1<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><strong>Esse edif\u00edcio alto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><strong>Era uma casa velha, um palacete abandonado<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><strong>Foi aqui seu mo\u00e7o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><strong>Que eu, Mato Grosso e o Joca<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><strong>Constru\u00edmos nossa maloca<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><strong>Mas um dia nem quero me lembrar<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><strong>Veio os homens com as ferramentas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><strong>O dono mandou derrubar (BARBOSA, 1951).<\/strong><\/p>\n<p>Nesse per\u00edodo, como dito anteriormente houve uma grande migra\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es vindas do Norte\/Nordeste do pa\u00eds para a cidade de S\u00e3o Paulo, vendo nesse processo de aumento da demanda por m\u00e3o de obra uma oportunidade de emprego que lhes desse condi\u00e7\u00f5es de subsist\u00eancia e com a promessa de vida digna e bons sal\u00e1rios. Foi dentro desse contexto que a cidade come\u00e7ou a crescer exponencialmente, tanto em quest\u00e3o de tamanho f\u00edsico quanto na quest\u00e3o demogr\u00e1fica.<\/p>\n<p>Os sal\u00e1rios oferecidos pelas ind\u00fastrias j\u00e1 n\u00e3o eram mais suficientes para o custeio das necessidades b\u00e1sicas da classe trabalhadora que viviam nas regi\u00f5es centrais e suburbanas da cidade, como na regi\u00e3o do Br\u00e1s \u2014 um territ\u00f3rio central que abrigava muitas f\u00e1bricas nessa \u00e9poca \u2014 e regi\u00f5es suburbanas como Tatuap\u00e9, Freguesia do \u00d3 e Penha, por exemplo, que podemos chamar de territ\u00f3rios prolet\u00e1rios.<\/p>\n<p>Vale ressaltar que h\u00e1 uma no\u00e7\u00e3o de senso comum e, de certa forma, subjetiva no linguajar popular, onde sub\u00farbio e periferia s\u00e3o tidos como a mesma coisa:<\/p>\n<p>\u201cDenomina-se aqui sub\u00farbio uma \u00e1rea intermedi\u00e1ria entre a \u00e1rea central-sudoeste e a periferia. Para marcar as diferen\u00e7as entre sub\u00farbio e periferia, ressalta-se que sub\u00farbio \u00e9 composto por bairros mais antigos e com padr\u00f5es urban\u00edsticos com maior regula\u00e7\u00e3o. Quase sempre o crescimento desses bairros ocorreu pela presen\u00e7a de ind\u00fastrias e de vias f\u00e9rreas. Os lotes dos bairros de sub\u00farbio geralmente s\u00e3o maiores e as ruas mais largas. O padr\u00e3o \u00e9 o de casas baixas com quintais. S\u00e3o suburbanos os distritos da Penha, Vila Matilde, Vila Esperan\u00e7a, Vila Maria, Lim\u00e3o, Freguesia do \u00d3, Jabaquara, Sa\u00fade, entre outros\u201d (D\u2019ANDREA, 2025).<\/p>\n<p>Se pegarmos, por exemplo, a regi\u00e3o do extremo leste, onde se situa o distrito de S\u00e3o Mateus, e a dist\u00e2ncia \u2014 embora pequena \u2014 da regi\u00e3o do ABC, principalmente Santo Andr\u00e9, n\u00e3o podemos dizer que s\u00e3o a mesma coisa. Se por um lado temos um bairro perif\u00e9rico totalmente constru\u00eddo na base do improviso pelos pr\u00f3prios moradores, pela for\u00e7a de suas necessidades, por outro temos uma regi\u00e3o onde o loteamento, a paisagem urbana, a largura das ruas e as condi\u00e7\u00f5es sociais s\u00e3o totalmente distintas, embora estejam geograficamente distantes do centro.<\/p>\n<p>Dentro dessa diferencia\u00e7\u00e3o do que seja sub\u00farbio e periferia, o soci\u00f3logo Tiaraju Pablo D\u2019Andrea nos permite compreender de que forma essa segrega\u00e7\u00e3o socioespacial se deu a partir da falta de poder econ\u00f4mico dos trabalhadores para se manterem nessas regi\u00f5es \u2014 primeiro saindo do centro para os sub\u00farbios; depois, dos sub\u00farbios para as periferias que ainda n\u00e3o existiam, e que em sua maior parte eram \u00e1reas rurais. Foi assim que a maior parte das periferias se constru\u00edram na cidade de S\u00e3o Paulo: fruto de uma alta densidade demogr\u00e1fica a partir da migra\u00e7\u00e3o nordestina e de um processo de gentrifica\u00e7\u00e3o das pessoas pobres que viviam nas regi\u00f5es centrais.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong><em>DITADURA MILITAR: \u201cTUDO ACONTECE NA PERIFERIA\u201d.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Dentro desse processo de crescimento demogr\u00e1fico da popula\u00e7\u00e3o trabalhadora, da migra\u00e7\u00e3o do povo nordestino e do crescimento da cidade a partir da segrega\u00e7\u00e3o socioespacial, devemos nos ater ao processo hist\u00f3rico e pol\u00edtico que situou toda essa din\u00e2mica de acontecimentos que foram base emp\u00edrica para o surgimento de v\u00e1rios movimentos culturais dentro desse universo que se firmou nos \u201cbueiros\u201d da cidade.<\/p>\n<p>A d\u00e9cada de 1960 foi palco de v\u00e1rios golpes militares em toda a Am\u00e9rica Latina, financiados pelo imperialismo estadunidense como forma de frear a influ\u00eancia comunista advinda dos processos revolucion\u00e1rios, sobretudo em Cuba em 1959, quando o ditador Fulg\u00eancio Batista foi tirado do poder pelo movimento dos trabalhadores capitaneados por Fidel Castro e Ernesto Che Guevara. O medo de uma poss\u00edvel revolu\u00e7\u00e3o latino-americana fez com que os norte-americanos financiassem golpes militares em v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, e no Brasil n\u00e3o foi diferente.<\/p>\n<p>Os anos de chumbo \u2014 de repress\u00e3o, viol\u00eancia, cerceamento de direitos, censura, mis\u00e9ria e fome \u2014 foram palco para o surgimento de movimentos de contracultura conduzidos pela juventude, que n\u00e3o aguentava mais o t\u00e9dio de uma sociedade militarizada e a viol\u00eancia que ali sofriam.<\/p>\n<p>\u201cDevido aos entraves hist\u00f3ricos que dificultaram a presen\u00e7a dos mais pobres nas universidades e na representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, o campo da cultura foi o que se mostrou o mais prop\u00edcio para a visibiliza\u00e7\u00e3o desse processo pol\u00edtico em curso\u201d (D\u2019ANDREA, 2020).<\/p>\n<p>No artigo Contribui\u00e7\u00f5es para a defini\u00e7\u00e3o dos conceitos periferia e sujeitas e sujeitos perif\u00e9ricos, o soci\u00f3logo Tiaraju Pablo D\u2019Andrea afirma que o termo periferia \u201cna d\u00e9cada de 1970, Clubes de M\u00e3es e o Movimento Punk, por exemplo, j\u00e1 o utilizavam\u201d (D\u2019ANDREA, 2020). Embora o uso do termo periferia nesse recorte hist\u00f3rico n\u00e3o seja o que ele vai discutir ao longo do artigo, \u00e9 de suma import\u00e2ncia notar o papel de den\u00fancia que os punks se propuseram a fazer a partir de ent\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">No \u00e1lbum Crucificados pelo Sistema, da banda Ratos de Por\u00e3o, oriunda da periferia oeste da cidade de S\u00e3o Paulo \u2014 mais especificamente da Vila Piau\u00ed, no distrito de Pirituba \u2014 ecoavam letras que denunciavam a viol\u00eancia e repress\u00e3o que esses jovens sofriam dentro do contexto da ditadura militar, como podemos analisar na letra de Periferia, escrita por J\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><strong><em>Tudo acontece na periferia<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><strong><em>Brigas, mortes na periferia<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><strong><em>Tiros, sangue na periferia<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><strong><em>Na periferia<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><strong><em>Tudo acontece na periferia<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><strong><em>Bagulho corre direto na periferia<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><strong><em>Mantemos a anarquia na periferia<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><strong><em>Na periferia<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><strong><em>Tudo acontece na periferia (RATOS DE\u202fPOR\u00c3O, 1984).<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Se por um lado existe essa den\u00fancia de que a periferia \u00e9 um lugar na cidade onde tudo acontece de maneira violenta, trazendo esse lado sombrio de perigo e de um lugar onde pessoas deveriam ter medo de ir, por outro, na letra tamb\u00e9m podemos notar que ali j\u00e1 havia um senso de organiza\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica \u2014 mesmo que de maneira rudimentar \u2014 quando \u00e9 dito que \u201cfazemos muita anarquia na periferia\u201d.<\/p>\n<p>Esse verso remete ao lema motor do punk, o Do It Yourself, em que os pr\u00f3prios punks gravavam suas demos, criavam seus visuais, instrumentos, eventos (gigs), zines e selos, muitas vezes sem recursos financeiros. Embora o sentido de periferia ecoado pelos punks n\u00e3o fosse o mesmo que seria entoado nas quebradas a partir da d\u00e9cada de 1990 com o movimento hip-hop, ali j\u00e1 existia uma forma peculiar e pr\u00f3pria dessa juventude delinquente de reivindicar a quebrada e os sub\u00farbios como espa\u00e7os de produ\u00e7\u00e3o cultural.<\/p>\n<p>Havia uma rebeldia incontida que veio a se transformar talvez no primeiro movimento juvenil de reivindica\u00e7\u00e3o das quebradas, pois, como diria a banda Ulster (1982), \u201csomos anti-boys\u201d. Havia tamb\u00e9m um discurso de enfrentamento ao Estado repressor, como podemos observar na primeira letra punk da hist\u00f3ria do punk rock nacional, chamada Restos de Nada, em que Clemente Nascimento diz: \u201cN\u00f3s somos a verdade do mundo \/ somos restos de nada \/ vivemos como ratos de esgoto \/ entre lixos e entulhos\u201d (NASCIMENTO, 1978).<\/p>\n<p>Podemos notar atrav\u00e9s desse verso que, mesmo com todas as condi\u00e7\u00f5es deficit\u00e1rias impostas pela elite, esses jovens afirmavam sua exist\u00eancia e produ\u00e7\u00e3o cultural: somos produto da precariedade que voc\u00eas nos oferecem, mas mesmo assim estamos aqui vomitando pra fora aquilo que voc\u00eas nos colocaram goela abaixo, fazendo arte com as condi\u00e7\u00f5es que nos restaram, mesmo que seja m\u00fasica \u201cbaixa qualidade, feitas por pessoas de baixa qualidade, afinal, n\u00f3s somos a escoria, e vamos chocar voc\u00eas com a nossa capacidade de se \u201cauto promover\u201d culturalmente.\u201d<\/p>\n<p>O punk abra\u00e7ou as contradi\u00e7\u00f5es dessa segrega\u00e7\u00e3o socioespacial, dessa espolia\u00e7\u00e3o de direitos b\u00e1sicos, para se tornar um movimento seminal dentro das quebradas, dizendo a todos os \u201cgarotos do sub\u00farbio\u201d que eles n\u00e3o poderiam desistir de seguir em frente:<\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><strong><em>\u201cGarotos do sub\u00farbio, garotos do sub\u00farbio<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><strong><em>Voc\u00eas, voc\u00eas, voc\u00eas n\u00e3o podem desistir<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><strong><em>Garotos do sub\u00farbio, garotos do sub\u00farbio<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><strong><em>Voc\u00eas, voc\u00eas, voc\u00eas n\u00e3o podem desistir de viver.\u201d (GRITOSUBURBANO,1982)<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Diferente do movimento punk em outros lugares do mundo, no Brasil, sobretudo em S\u00e3o Paulo, o punk foi fundamental para o fortalecimento de uma autoestima ent\u00e3o negada a muitos jovens, que eram fruto de uma classe trabalhadora e viviam em constante repress\u00e3o e esmagamento social por parte do sistema pol\u00edtico que imperava na \u00e9poca. Foi atrav\u00e9s do punk que se seguiu toda uma gera\u00e7\u00e3o que veio a \u201cfundar\u201d e consolidar toda a onda do rock nacional dos anos 1980, que, embora vinda de uma classe m\u00e9dia alta, foi fundamental tamb\u00e9m para as problematiza\u00e7\u00f5es nos ditos anos de chumbo. At\u00e9 hoje, o punk continua mais vivo do que nunca nos undergrounds da periferia, vivendo e \u201csobrevivendo no inferno\u201d que a vida suburbana e perif\u00e9rica daqueles habita, como diria os \u201cGarotos Podres\u201d, o outro lado do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong><em>ANOS FINAIS DA DITADURA E O SURGIMENTO DO MOVIMENTO HIP-HOP<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1980, o regime militar brasileiro entrou em decl\u00ednio, marcado pela crise econ\u00f4mica e pelo avan\u00e7o da abertura pol\u00edtica iniciada por Geisel e continuada por Figueiredo. Em 1979, a Lei da Anistia permitiu o retorno de exilados e o surgimento de novos partidos, como o PT e o PMDB, que fortaleceram a oposi\u00e7\u00e3o. As elei\u00e7\u00f5es de 1982 revelaram o desejo de mudan\u00e7a e prepararam o terreno para o movimento Diretas J\u00e1 (1983\u20131984), quando milh\u00f5es exigiram elei\u00e7\u00f5es presidenciais diretas.<\/p>\n<p>Embora a emenda que as propunha tenha sido rejeitada, a press\u00e3o popular foi decisiva para o fim do regime. Em 1985, Tancredo Neves foi eleito indiretamente, simbolizando a transi\u00e7\u00e3o para o governo civil e o in\u00edcio da redemocratiza\u00e7\u00e3o do Brasil.<\/p>\n<p>As Comunidades Eclesiais de Base foram, dentro desse contexto, essenciais para a politiza\u00e7\u00e3o e conscientiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora, que enxergava nesse processo de redemocratiza\u00e7\u00e3o uma forma de emancipa\u00e7\u00e3o e luta por direitos negados durante o per\u00edodo da ditadura militar.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Dentro desse contexto, no campo da cultura, o hip-hop surgiu como voz daquela juventude pobre e, sobretudo, negra, que gritava por justi\u00e7a social e racial. Essa juventude encontrou nos quatro elementos da cultura uma forma de resist\u00eancia \u00e0s diversas formas de opress\u00e3o que aconteciam no territ\u00f3rio perif\u00e9rico. A letra de \u201cVoz Ativa\u201d \u00e9 um manifesto de empoderamento da juventude negra que exemplifica essa guinada discursiva que havia modificado a forma daqueles jovens de se autodefenderem atrav\u00e9s dos seus manifestos po\u00e9ticos e musicais.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><strong><em>Eu tenho algo a dizer<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><strong><em>E explicar pra voc\u00ea<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><strong><em>Mas n\u00e3o garanto, por\u00e9m<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><strong><em>Que engra\u00e7ado eu serei dessa vez<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><strong><em>Para os manos daqui!<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><strong><em>Para os manos de l\u00e1!<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><strong><em>Se voc\u00ea se considera um negro<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><strong><em>Pra negro ser\u00e1 mano! [&#8230;]<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><strong><em>\u00c9 a verdade mais pura<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><strong><em>Postura definitiva<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><strong><em>A juventude negra<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><strong><em>Agora tem voz ativa (RACIONAIS MC\u2019s, 1993).<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Foi nessa \u00e9poca que os Racionais MC\u2019s se consolidaram como porta vozes de uma gera\u00e7\u00e3o que reivindicavam a periferia como espa\u00e7o produtor de uma cultura at\u00e9 ent\u00e3o invisibilizada. \u201cO rap \u201cP\u00e2nico na zona sul\u201d, j\u00e1 em seu primeiro verso, indicava uma luta por legitimidade nas classifica\u00e7\u00f5es: \u201cs\u00f3 quem \u00e9 de l\u00e1 sabe o que acontece\u201d (D\u2019ANDREA, 2020). O rap empunhava, de maneira discursiva, a den\u00fancia da viol\u00eancia que os jovens sofriam, mas tamb\u00e9m enfatizava esses sujeitos perif\u00e9ricos (D\u2019ANDREA, 2022) como atores preponderantes de suas pr\u00f3prias trajet\u00f3rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong><em>Conclus\u00e3o:<\/em><\/strong><\/p>\n<p>A hist\u00f3ria das periferias paulistanas revela que, apesar das condi\u00e7\u00f5es adversas impostas pela desigualdade urbana e pela repress\u00e3o estatal, esses territ\u00f3rios se consolidaram como polos din\u00e2micos de criatividade, resist\u00eancia e afirma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Do samba \u2014 que j\u00e1 denunciava as remo\u00e7\u00f5es e a viol\u00eancia da moderniza\u00e7\u00e3o excludente \u2014 ao punk e ao hip-hop, sucessivas gera\u00e7\u00f5es transformaram a precariedade em pot\u00eancia e reivindicaram novos sentidos de pertencimento. Assim, compreender a periferia \u00e9 reconhecer o papel central de seus sujeitos na constru\u00e7\u00e3o da cidade e na produ\u00e7\u00e3o de uma cultura que continua a desafiar estruturas hist\u00f3ricas de exclus\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;font-weight: normal\"><strong><em>Autor:<\/em><\/strong> Caike Guedes Ramos &#8211; Servidor P\u00fablico Municipal e Bacharelando em Geografia pela Universidade Federal de S\u00e3o Paulo.<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong><em>Blog do Florisvaldo &#8211; Informa\u00e7\u00e3o Com Imparcialidade<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Por: Caike Guedes Ramos \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Introdu\u00e7\u00e3o: A forma\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":21633,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,4,3],"tags":[],"class_list":{"0":"post-21630","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil","8":"category-opiniao","9":"category-ultimasnoticias"},"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.4 - 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