{"id":11937,"date":"2023-07-30T23:20:58","date_gmt":"2023-07-31T02:20:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portaldenoticias.net\/deusimar\/?p=11937"},"modified":"2023-07-30T23:20:58","modified_gmt":"2023-07-31T02:20:58","slug":"blog-do-deusimar-das-abeljas-o-significado-da-origem-das-expressoes-do-nosso-cotidiano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portaldenoticias.net\/deusimar\/blog-do-deusimar-das-abeljas-o-significado-da-origem-das-expressoes-do-nosso-cotidiano\/","title":{"rendered":"BLOG DO DEUSIMAR DAS ABELJAS \u2013  O SIGNIFICADO DA ORIGEM DAS EXPRESS\u00d5ES DO NOSSO COTIDIANO."},"content":{"rendered":"<p>Afogar o Ganso \u2013 Origem e Significado<br \/>\nA origem da express\u00e3o popular \u201cafogar o ganso\u201d deu-se por atos \u2013 repugnantes, diga-se de passagem \u2013 praticados por chineses, h\u00e1 um longo tempo. Os chineses satisfaziam suas necessidades sexuais com gansos. Pouco antes da ejacula\u00e7\u00e3o, afundavam a cabe\u00e7a da ave em lagos, para sentirem os espasmos \u2013 contra\u00e7\u00f5es musculares involunt\u00e1rias \u2013 anais da v\u00edtima. Da\u00ed a express\u00e3o: \u201cAfogar o ganso\u201d, ou seja, relacionar-se sexualmente.<\/p>\n<p>Afogar o Ganso<\/p>\n<p>Afogar o Ganso<\/p>\n<p>Alguns ditados populares e seus significados:<br \/>\n.<\/p>\n<p>Muitas vezes usamos certas express\u00f5es, mas n\u00e3o temos ideia do que elas significam.<\/p>\n<p>S\u00e3o ditados ou termos populares que atrav\u00e9s dos anos permaneceram sempre iguais, significando exemplos morais, filos\u00f3ficos e religiosos.<\/p>\n<p>Tanto os prov\u00e9rbios quanto os ditados populares constituem uma parte importante de cada cultura.<\/p>\n<p>Historiadores e escritores sempre tentaram descobrir a origem dessa riqueza cultural, mas essa tarefa nunca foi nada f\u00e1cil.<\/p>\n<p>O grande escritor Jos\u00e9 da C\u00e2mara Cascudo j\u00e1 dizia que: \u201cos ditados populares sempre estiveram presentes ao longo de toda a Hist\u00f3ria da humanidade\u201d.<br \/>\nNo Brasil isso n\u00e3o \u00e9 nenhuma novidade. Muitas vezes ocorrem express\u00f5es t\u00e3o estranhas e sem sentido, mas que s\u00e3o muito importantes para a nossa cultura popular.<\/p>\n<p>Veja aqui algumas dessas express\u00f5es ou ditados populares:<\/p>\n<p>Bicho-de-sete-cabe\u00e7as<\/p>\n<p>Tem origem na mitologia grega, mais precisamente na lenda da Hidra de Lerna, monstro de sete cabe\u00e7as que, ao serem cortadas, renasciam. Matar este animal foi uma das doze proezas realizadas por H\u00e9rcules. A express\u00e3o ficou popularmente conhecida, no entanto, por representar a atitude exagerada de algu\u00e9m que, diante de uma dificuldade, coloca limites \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o da tarefa, at\u00e9 mesmo por falta de disposi\u00e7\u00e3o para enfrent\u00e1-la.<\/p>\n<p>Com o rei na barriga<\/p>\n<p>A express\u00e3o prov\u00e9m do tempo da monarquia em que as rainhas, quando gr\u00e1vidas do soberano, passavam a ser tratadas com defer\u00eancia especial, pois iriam aumentar a prole real e, por vezes, dar herdeiros ao trono, mesmo quando bastardos. Em nossos dias refere-se a uma pessoa que d\u00e1 muita import\u00e2ncia a si mesma.<\/p>\n<p>Ver (ou adivinhar) passarinho verde<\/p>\n<p>Significa estar apaixonado. O passarinho em quest\u00e3o \u00e9 uma esp\u00e9cie de periquito verde. Conta uma lenda que alguns rom\u00e2nticos rapazes do s\u00e9culo passado adestravam o bichinho para que ele levasse no bico uma carta de amor para a namorada. Assim, o casal de apaixonados tinha grandes chances de burlar a vigil\u00e2ncia de um paiz\u00e3o ranzinza.<\/p>\n<p>Com a corda toda<\/p>\n<p>Antigamente, os brinquedos que possu\u00edam movimento eram acionados torcendo um mecanismo em forma de mola ou um el\u00e1stico, que ao ser distendido, fazia o brinquedo se mexer. Ambos os mecanismos eram chamados de \u201ccorda\u201d. Logo, quando se dava \u201ccorda\u201d totalmente num brinquedo, ele movia-se de forma mais agitada e fren\u00e9tica. Da\u00ed a origem da express\u00e3o.<\/p>\n<p>Favas contadas<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador C\u00e2mara Cascudo, antigamente, votavam-se com as favas brancas e pretas, significando sim ou n\u00e3o. Cada votante colocava o voto, ou seja, a fava, na urna. Depois vinha a apura\u00e7\u00e3o pela contagem dos gr\u00e3os, sendo que quem tivesse o maior n\u00famero de favas brancas estaria eleito. Atualmente, significa coisa certa, neg\u00f3cio seguro.<\/p>\n<p>Fazer ouvidos de mercador<\/p>\n<p>Orlando Neves, autor do Dicion\u00e1rio das Origens das Frases Feitas, diz que a palavra mercador \u00e9 uma corruptela de marcador, nome que se dava ao carrasco que marcava os ladr\u00f5es com ferro em brasa, indiferente aos seus gritos de dor. No caso, fazer ouvidos de mercador \u00e9 uma alus\u00e3o a atitude desse algoz, sempre surdo \u00e0s s\u00faplicas de suas v\u00edtimas.<\/p>\n<p>Tapar o sol com a peneira<\/p>\n<p>Peneira \u00e9 um instrumento circular de madeira com o fundo em trama de metal, seda ou crina, por onde passa a farinha ou outra subst\u00e2ncia mo\u00edda. Qualquer tentativa de tapar o sol com a peneira \u00e9 ingl\u00f3ria, uma vez que o objecto \u00e9 perme\u00e1vel \u00e0 luz. A express\u00e3o teria nascido dessa constata\u00e7\u00e3o, significando atualmente um esfor\u00e7o mal sucedido para ocultar uma asneira ou negar uma evid\u00eancia.<\/p>\n<p>O pomo da disc\u00f3rdia<\/p>\n<p>A lend\u00e1ria Guerra de Tr\u00f3ia come\u00e7ou numa festa dos deuses do Olimpo: \u00c9ris, a deusa da Disc\u00f3rdia, que naturalmente n\u00e3o tinha sido convidada, resolveu acabar com a alegria reinante e lan\u00e7ou por sobre o muro uma linda ma\u00e7\u00e3, toda de ouro, com a inscri\u00e7\u00e3o \u201c\u00e0 mais bela\u201d. <\/p>\n<p>Como as tr\u00eas deusas mais poderosas: Hera, Afrodite e Atena disputavam o trof\u00e9u, Zeus passou a espinhosa fun\u00e7\u00e3o de julgar para P\u00e1ris, filho do rei de Tr\u00f3ia. O pr\u00edncipe concedeu o t\u00edtulo a Afrodite em troca do amor de Helena, casada com o rei de Esparta.<br \/>\nA rainha fugiu com P\u00e1ris para Tr\u00f3ia, os gregos marcharam contra os troianos e a famosa ma\u00e7\u00e3 passou a ser conhecida como \u201co pomo da disc\u00f3rdia\u201d \u2013 que hoje indica qualquer coisa que leve as pessoas a brigar entre si.<\/p>\n<p>Ave de mau agouro<\/p>\n<p>Diz-se de pessoa portadora de m\u00e1s not\u00edcias ou que, com a sua presen\u00e7a, anuncia desgra\u00e7as. O conhecimento do futuro \u00e9 uma das preocupa\u00e7\u00f5es inerentes ao ser humano. Quase tudo servia para, de maneiras diversas, se tentar obter esse conhecimento. As aves eram um dos recursos que se utilizava. Na antiga Roma, a predi\u00e7\u00e3o dos bons ou maus acontecimentos (Avis spicium, em Latim) era feita atrav\u00e9s da leitura do v\u00f4o ou canto das aves. Os p\u00e1ssaros mais usado para isso eram a \u00e1guia, a coruja, o corvo e a gralha. Ainda hoje perdura, popularmente, a conota\u00e7\u00e3o funesta com qualquer destas aves.<\/p>\n<p>Santinha do pau oco<\/p>\n<p>Express\u00e3o que se refere \u00e0 pessoa que se faz de boazinha, mas n\u00e3o \u00e9. Nos s\u00e9culo XVIII e XIX os contrabandistas de ouro em p\u00f3, moedas e pedras preciosas utilizavam est\u00e1tuas de santos ocas por dentro. O santo era \u201crecheado\u201d com preciosidades roubadas e enviado para Portugal.<\/p>\n<p>Mais vale um p\u00e1ssaro na m\u00e3o que dois voando<\/p>\n<p>Significa que \u00e9 melhor ter pouco que ambicionar muito e perder tudo. \u00c9 tradi\u00e7\u00e3o de antigos ca\u00e7adores. Eles achavam melhor apanhar logo a ave que tinham atingido de rasp\u00e3o, antes que ela fugisse, do que tentar atirar nas que estavam voando e errar o alvo.<\/p>\n<p>Apressado come cru<\/p>\n<p>Quando n\u00e3o existia o forno microondas, era preciso muito tempo para a comida ficar pronta, ou ent\u00e3o com\u00ea-la crua. Nessa \u00e9poca, a culin\u00e1ria japonesa ainda n\u00e3o estava na moda e comida crua era vista com maus olhos. Assim, a express\u00e3o passou a ser usada para significar afobamento, precipita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Chorar as pitangas<\/p>\n<p>Pitangas s\u00e3o deliciosas frutinhas cultivadas e apreciadas em todo o pa\u00eds, especialmente nas regi\u00f5es norte e nordeste do pa\u00eds. A palavra deriva de pyrang, que, em tupi-guarani, significa vermelho. Sendo assim, a prov\u00e1vel rela\u00e7\u00e3o da fruta com l\u00e1grimas, vem do fato de os olhos ficarem vermelhos, parecendo duas pitangas, quando se chora muito.<\/p>\n<p>Farinha do mesmo saco<\/p>\n<p>\u201cHomines sunt ejusdem farinae\u201d esta frase em latim (homens da mesma farinha) \u00e9 a origem dessa express\u00e3o, utilizada para generalizar um comportamento reprov\u00e1vel. Como a farinha boa \u00e9 posta em sacos diferentes da farinha ruim, faz-se essa compara\u00e7\u00e3o para insinuar que os bons andam com os bons enquanto os maus preferem os maus.<\/p>\n<p>Aquela que matou o guarda<\/p>\n<p>Tratava-se de uma mulher que trabalhava para D. Jo\u00e3o VI e se chamava Canjebrina, que, como informam os dicion\u00e1rios, significa pinga, cacha\u00e7a. Ela teria matado um dos principais guardas da corte do Rei. O fato n\u00e3o foi provado. Mas est\u00e1 no livro \u201cInconfid\u00eancias da Real Fam\u00edlia no Brasil\u201d, de Alberto Campos de Moraes.<\/p>\n<p>Sangria desatada<\/p>\n<p>Diz-se de qualquer coisa que requer uma solu\u00e7\u00e3o ou realiza\u00e7\u00e3o imediata. Esta express\u00e3o teve origem nas guerras, onde se verificava a necessidade de cuidados especiais com os soldados feridos. \u00c9 que, se por qualquer motivo, se desprendesse a atadura posta sobre as feridas, o soldado morreria, por perder muito sangue.<\/p>\n<p>Colocar panos quentes<\/p>\n<p>Significa favorecer ou acobertar coisa errada feita por outro. Em termos terap\u00eauticos, colocar panos quentes \u00e9 uma receita, embora paliativa, prescrita pela medicina popular desde tempos remotos. Recomenda-se sobretudo nos estados febris, pois a temperatura muito elevada pode levar a convuls\u00f5es e a problemas da\u00ed decorrentes. Nesses casos, compressas de panos encharcados com \u00e1gua quente s\u00e3o um santo rem\u00e9dio. A sudorese resultante faz baixar a febre.<\/p>\n<p>Cor de burro quando foge<\/p>\n<p>A frase original era \u201cCorra do burro quando ele foge\u201d. Tem sentido porque, o burro enraivecido, \u00e9 muito perigoso. A tradi\u00e7\u00e3o oral foi modificando a frase e \u201ccorra\u201d acabou virando \u201ccor\u201d.<\/p>\n<p>Pagar o pato<\/p>\n<p>A express\u00e3o deriva de um antigo jogo praticado em Portugal. Amarrava-se um pato a um poste e o jogador (em um cavalo) deveria passar rapidamente e arranc\u00e1-lo de uma s\u00f3 vez do poste. Quem perdia era que pagava pelo animal sacrificado. Sendo assim, passou-se a empregar a express\u00e3o para representar situa\u00e7\u00f5es onde se paga por algo sem ter qualquer benef\u00edcio em troca.<\/p>\n<p>De pequenino \u00e9 que se torce o pepino<\/p>\n<p>Os agricultores que cultivam os pepinos precisam de dar a melhor forma a estas plantas. Retiram uns \u201colhinhos\u201d para que os pepinos se desenvolvam. Se n\u00e3o for feita esta pequena poda, os pepinos n\u00e3o crescem da melhor maneira porque criam uma rama sem valor e adquirem um gosto desagrad\u00e1vel. Assim como \u00e9 necess\u00e1rio dar a melhor forma aos pepinos, tamb\u00e9m \u00e9 preciso moldar o car\u00e1ter das crian\u00e7as o mais cedo poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Salvo pelo gongo<\/p>\n<p>O ditado tem origem na na Inglaterra. L\u00e1, antigamente, n\u00e3o havia espa\u00e7o para enterrar todos os mortos. Ent\u00e3o, os caix\u00f5es eram abertos, os ossos tirados e encaminhados para o oss\u00e1rio e o t\u00famulo era utilizado para outro infeliz. S\u00f3 que, \u00e0s vezes, ao abrir os caix\u00f5es,os coveiros percebiam que havia arranh\u00f5es nas tampas, do lado de dentro, o que indicava que aquele morto, na verdade, tinha sido enterrado vivo (catalepsia \u2013 muito comum na \u00e9poca). <\/p>\n<p>Assim, surgiu a id\u00e9ia de, ao fechar os caix\u00f5es, amarrar uma tira no pulso do defunto, tira essa que passava por um buraco no caix\u00e3o e ficava amarrada num sino. Ap\u00f3s o enterro, algu\u00e9m ficava de plant\u00e3o ao lado do t\u00famulo durante uns dias. Se o indiv\u00edduo acordasse, o movimento do bra\u00e7o faria o sino tocar. Desse modo, ele seria salvo pelo gongo. Atualmente, a express\u00e3o significa escapar de se meter numa encrenca por uma fra\u00e7\u00e3o de segundos.<\/p>\n<p>Elefante branco<\/p>\n<p>A express\u00e3o vem de um costume do antigo reino de Si\u00e3o, situado na atual Tail\u00e2ndia, que consistia no gesto do rei de dar um elefante branco aos cortes\u00e3os que ca\u00edam em desgra\u00e7a. Sendo um animal sagrado, n\u00e3o podia ser posto a trabalhar. Como presente do pr\u00f3prio rei, n\u00e3o podia ser vendido. Mat\u00e1-lo, ent\u00e3o, nem pensar. N\u00e3o podendo tamb\u00e9m ser recusado, restava ao infeliz agraciado aliment\u00e1-lo, acomod\u00e1-lo e cri\u00e1-lo com luxo, sem nada obter de todos esses cuidados e despesas. Da\u00ed o ditado significar algo que se tem ou que se construiu, mas que n\u00e3o serva para nada.<\/p>\n<p>Comer com os olhos<\/p>\n<p>Soberanos da \u00c1frica Ocidental n\u00e3o consentiam testemunhas \u00e0s suas refei\u00e7\u00f5es. Comiam sozinhos. Na Roma Antiga, uma cerim\u00f4nia religiosa f\u00fanebre consistia num banquete oferecido aos deuses em que ningu\u00e9m tocava na comida. Apenas olhavam, \u201ccomendo com os olhos\u201d. A prop\u00f3sito, o pesquisador C\u00e2mara Cascudo diz que certos olhares absorvem a subst\u00e2ncia vital dos alimentos. Hoje o ditado significa apreciar de longe, sem tocar.<\/p>\n<p>Amigo da on\u00e7a<\/p>\n<p>Segundo estudiosos da l\u00edngua portuguesa, este termo surgiu a partir de uma hist\u00f3ria curiosa. Conta-se que um ca\u00e7ador mentiroso, ao ser surpreendido, sem armas, por uma on\u00e7a, deu um grito t\u00e3o forte que o animal fugiu apavorado. Como quem o ouvia n\u00e3o acreditou, dizendo que , se assim fosse, ele teria sido devorado, o ca\u00e7ador, indignado, perguntou se, afinal, o interlpcutor era seu amigo ou amigo da on\u00e7a. Atualmente, o ditado significa amigo falso, hip\u00f3crita.<\/p>\n<p>Estar com a corda no pesco\u00e7o<\/p>\n<p>O enforcamento foi, e ainda \u00e9 em alguns pa\u00edses, um meio de aplica\u00e7\u00e3o da pena de morte. A met\u00e1fora nasceu de anistias ou comuta\u00e7\u00f5es de pena chegadas \u00e0 \u00faltima hora, quando o condenado j\u00e1 estava prestes a ser executado e o carrasco j\u00e1 lhe tinha posto a corda no pesco\u00e7o, situa\u00e7\u00e3o que, de fato, \u00e9 um sufoco. Hoje, o ditado significa estar amea\u00e7ado, sob press\u00e3o ou com problemas financeiros.<\/p>\n<p>Como sardinha em lata<\/p>\n<p>A palavra sardinha vem do latim sardina. Designa o peixe abundante na Sardenha, conhecida regi\u00e3o da It\u00e1lia. \u00c9 um alimento apreciado e nutritivo, de sabor bem peculiar. As sardinhas, quando enlatadas em \u00f3leo ou em outro molho, v\u00eam coladas umas \u00e0s outras. Por analogia, usa-se a express\u00e3o popular sardinha em lata para designar a superlota\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos de transporte p\u00fablico.<\/p>\n<p>O pior cego \u00e9 o que n\u00e3o quer ver<\/p>\n<p>Em 1647, em Nimes, na Fran\u00e7a, na universidade local, o doutor Vicent de Paul D\u2019Argenrt fez o primeiro transplante de c\u00f3rnea em um alde\u00e3o de nome Angel. <\/p>\n<p>Foi um sucesso da medicina da \u00e9poca, menos para Angel, que assim que passou a enxergar ficou horrorizado com o mundo que via. Disse que o mundo que ele imagina era muito melhor. Pediu ao cirurgi\u00e3o que arrancasse seus olhos. <\/p>\n<p>O caso foi acabar no tribunal de Paris e no Vaticano. Angel ganhou a causa e entrou para a hist\u00f3ria como o cego que n\u00e3o quis ver. Atualmente, o ditado se refere a a algu\u00e9m que se nega a admitir um fato verdadeiro.<\/p>\n<p>Andar \u00e0 toa<\/p>\n<p>Toa \u00e9 a corda com que uma embarca\u00e7\u00e3o remboca a outra. Um navio que est\u00e1 \u201c\u00e0 toa\u201d \u00e9 o que n\u00e3o tem leme nem rumo, indo para onde o navio que o reboca determinar. Uma mulher \u00e0 toa, por exemplo, \u00e9 aquela que \u00e9 comandada pelos outros. Jorge Ferreira de Vasconcelos j\u00e1 escrevia, em 1619: Cuidou de levar \u00e0 toa sua dama. Hoje, o ditado significa andar sem destino, despreocupado, passando o tempo.<\/p>\n<p>Casa de m\u00e3e Joana<\/p>\n<p>Este dito popular tem origem na It\u00e1lia. Joana, rainha de N\u00e1poles e condessa de Proven\u00e7a (1326-1382), liberou os bord\u00e9is em Avignon, onde estava refugiada, e mandou escrever nos estatutos: \u201cQue tenha uma porta por onde todos entrar\u00e3o\u201d.<br \/>\nO lugar ficou conhecido como Pa\u00e7o de M\u00e3e Joana, em Portugal. Ao vir para o Brasil a express\u00e3o virou \u201cCasa da M\u00e3e Joana\u201d. A outra express\u00e3o envolvendo M\u00e3e Joana, um tanto chula, tem a mesma origem, naturalmente.<\/p>\n<p>Onde judas perdeu as botas<\/p>\n<p>Como todos sabem, depois de trair Jesus e receber 30 dinheiros, Judas caiu em depress\u00e3o e culpa, vindo a se suicidar enforcando-se numa \u00e1rvore. <\/p>\n<p>Acontece que ele se matou sem as botas. E os 30 dinheiros n\u00e3o foram encontrados com ele. Logo os soldados partiram em busca as botas de Judas, onde, provavelmente, estaria o dinheiro.<br \/>\nA hist\u00f3ria \u00e9 omissa da\u00ed pra frente. Nunca saberemos se acharam ou n\u00e3o as botas e o dinheiro. Mas a express\u00e3o atravessou vinte s\u00e9culos. Atualmente, o ditado significa lugar distante, inacess\u00edvel.<\/p>\n<p>Quem n\u00e3o tem c\u00e3o ca\u00e7a com gato<\/p>\n<p>Significado: Se voc\u00ea n\u00e3o pode fazer algo de uma maneira, se vira e faz de outra.<br \/>\nHist\u00f3rico: Na verdade, a express\u00e3o, com o passar dos anos, se adulterou. Inicialmente se dizia \u201cquem n\u00e3o tem c\u00e3o ca\u00e7a como gato\u201d, ou seja, se esgueirando, astutamente, trai\u00e7oeiramente, como fazem os gatos. Deusimar- El Hombre Fuerte de las Abejas complementa: Quem n\u00e3o n\u00e3o tem gato, acaba colocando a mulher no mato pra ca\u00e7ar.. srsrsr<\/p>\n<p>Da p\u00e1 virada<\/p>\n<p>Significado: Um sujeito da p\u00e1 virada pode tanto ser um aventureiro corajoso como um vadio. <\/p>\n<p>Hist\u00f3rico: a origem da palavra \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o ao instrumento, a p\u00e1. Quando ela est\u00e1 virada para baixo, \u00e9 in\u00fatil n\u00e3o serve para nada. Hoje em dia, \u201cp\u00e1 virada\u201d tem outro sentido. Refere-se a uma pessoa de maus instintos e criadora de casos ou a um aventureiro.<\/p>\n<p>Deixar de Nhenhenh\u00e9m<\/p>\n<p>Significado: Conversa intermin\u00e1vel em tom de lam\u00faria, irritante, mon\u00f3tona. Resmungo, rezinga. <\/p>\n<p>Hist\u00f3rico: Nhe\u00eb, em tupi, quer dizer falar. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, eles n\u00e3o entendiam aquela fala\u00e7\u00e3o estranha e diziam que os portugueses ficavam a dizer \u201cnhen-nhen-nhen\u201d.<\/p>\n<p>Estar de paquete<\/p>\n<p>Significado: Situa\u00e7\u00e3o das mulheres quando est\u00e3o menstruadas. <\/p>\n<p>Hist\u00f3rico: Paquete, j\u00e1 nos ensina o Aur\u00e9lio, \u00e9 um das denomina\u00e7\u00f5es de navio. A partir de 1810, chegava um paquete mensalmente, no mesmo dia, no Rio de Janeiro. E a bandeira vermelha da Inglaterra tremulava. Da\u00ed logo se vulgarizou a express\u00e3o sobre o ciclo menstrual das mulheres. Foi at\u00e9 escrita uma \u201cConven\u00e7\u00e3o Sobre o Estabelecimento dos Paquetes\u201d, referindo-se, \u00e9 claro, aos navios mensais.<\/p>\n<p>Pensando na morte da bezerra<\/p>\n<p>Significado: Estar distante, pensativo, alheio a tudo. <\/p>\n<p>Hist\u00f3rico: Esta \u00e9 b\u00edblica. Como voc\u00eas sabem, o bezerro era adorado pelos hebreus e sacrificados para Deus num altar. Quando Absal\u00e3o, por n\u00e3o ter mais bezerros, resolveu sacrificar uma bezerra, seu filho menor, que tinha grande carinho pelo animal, se op\u00f4s. Em v\u00e3o. A bezerra foi oferecida aos c\u00e9us e o garoto passou o resto da vida sentado do lado do altar \u201cpensando na morte da bezerra\u201d. Consta que meses depois veio a falecer.<\/p>\n<p>Jurar de p\u00e9s junto<\/p>\n<p>A express\u00e3o surgiu das torturas executadas pela Santa Inquisi\u00e7\u00e3o, nas quais o acusado de heresias tinha as m\u00e3os e os p\u00e9s amarrados (juntos) e era torturado para confessar seus crimes.<\/p>\n<p>Testa de ferro<\/p>\n<p>O Duque Emanuele Filiberto di Savoia, conhecido como Testa di Ferro, foi rei de Chipre e Jerusal\u00e9m. Mas tinha somente o t\u00edtulo e nenhum poder verdadeiro. Da\u00ed a express\u00e3o ser atribu\u00edda a algu\u00e9m que aparece como respons\u00e1vel por um por um neg\u00f3cio ou empresa sem que o seja efetivamente.<\/p>\n<p>Erro crasso<\/p>\n<p>Na Roma antiga havia o Triunvirato: o poder dos generais era dividido por tr\u00eas pessoas. No primeiro destes Triunviratos, t\u00ednhamos: Caio J\u00falio, Pompeu e Crasso. Este \u00faltimo foi incumbido de atacar um pequeno povo chamado Partos. Confiante na vit\u00f3ria, resolveu abandonar todas as forma\u00e7\u00f5es e t\u00e9cnicas romanas e simplesmente atacar. Ainda por cima, escolheu um caminho estreito e de pouca visibilidade. Os Partos, mesmo em menor n\u00famero, conseguiram vencer os romanos, sendo o general que liderava as tropas um dos primeiros a cair. Desde ent\u00e3o, sempre que algu\u00e9m tem tudo para acertar, mas comete um erro est\u00fapido, dizemos tratar-se de um \u201cerro crasso\u201c.<\/p>\n<p>L\u00e1grimas de crocodilo<\/p>\n<p>O crocodilo, quando ingere um alimento, faz forte press\u00e3o contra o c\u00e9u da boca, comprimindo as gl\u00e2ndulas lacrimais. Assim, ele chora enquanto devora a v\u00edtima. Da\u00ed a express\u00e3o significar choro fingido.<\/p>\n<p>Fila indiana<\/p>\n<p>Tem origem na forma de caminhar dos \u00edndios americanos, que, desse modo, encobriam as pegadas dos que iam na frente.<\/p>\n<p>Passar a m\u00e3o pela cabe\u00e7a<\/p>\n<p>Significa perdoar, e vem do costume judaico de aben\u00e7oar crist\u00e3os-novos, passando a m\u00e3o pela cabe\u00e7a e descendo pela face, enquanto se pronuncia a b\u00ean\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Gatos pingados<\/p>\n<p>Esta express\u00e3o remonta a uma tortura procedente do Jap\u00e3o que consistia em pingar \u00f3leo fervente em cima de pessoas ou animais, especialmente gatos. <\/p>\n<p>Existem v\u00e1rias narrativas ambientais na \u00c1sia que mostram pessoas com os p\u00e9s mergulhados num caldeir\u00e3o de \u00f3leo quente. Como o supl\u00edcio tinha uma assist\u00eancia reduzida, tal era a crueldade, a express\u00e3o \u201cgatos pingados\u201d passou a significar pequena assist\u00eancia sem entusiasmo ou curiosidade para qualquer evento.<\/p>\n<p>Queimar as pestanas<\/p>\n<p>Antes do aparecimento da eletricidade, recorria-se a uma lamparina ou uma vela para ilumina\u00e7\u00e3o. A luz era fraca e, por isso, era necess\u00e1rio coloc\u00e1-las muito perto do texto quando se pretendia ler o que podia dar num momento de descuido queimar as pestanas. Por essa raz\u00e3o, aplica-se \u00e0queles que estudam muito.<\/p>\n<p>Sem papas na l\u00edngua<\/p>\n<p>Significa ser franco, dizer o que sabe, sem rodeios. A express\u00e3o vem da frase castelhana \u201cno tener pepitas em la lengua\u201d. Pepitas, diminutivo de papas, s\u00e3o part\u00edculas que surgem na l\u00edngua de algumas galinhas, \u00e9 uma esp\u00e9cie de tumor que lhes obstrui o cacarejo. Quando n\u00e3o h\u00e1 pepitas (papas), a l\u00edngua fica livre.<\/p>\n<p>A toque de caixa<\/p>\n<p>A caixa \u00e9 o corpo oco do tambor que foi levado para a a Europa pelos \u00e1rabes. Como os exerc\u00edcios militares eram acompanhados pelo som de tambores, dizia-se que os soldados marchavam a toque de caixa. Atualmente, refere-se a uma tarefa que se tem de fazer rapidamente, eventualmente a mando de algu\u00e9m ou mesmo \u00e0 for\u00e7a.<\/p>\n<p>Maria vai com as outras<\/p>\n<p>Dona Maria I, m\u00e3e de D. Jo\u00e3o VI (av\u00f3 de D. Pedro I e bisav\u00f3 de D. Pedro II), enlouqueceu de um dia para o outro . Declarada incapaz de governar, foi afastada do trono. Passou a viver recolhida e s\u00f3 era vista quando sa\u00eda para caminhar a p\u00e9, escoltada por numerosas damas de companhia. Quando o povo via a rainha levada pelas damas nesse cortejo, costumava comentar: \u201cL\u00e1 vai D. Maria com as outras\u201d. Atualmente aplica-se a express\u00e3o a uma pessoa que n\u00e3o tem opini\u00e3o e se deixa convencer com a maior facilidade.<br \/>\nFonte: CASCUDO, Lu\u00eds da C\u00e2mara. Locu\u00e7\u00f5es Tradicionais no Brasil. S\u00e3o Paulo, Editora Global\/2008. Quer comprar o livro? Clique aqui<br \/>\nCOLABORA\u00c7\u00c3O E COMPLEMENTOS DE:<br \/>\n Jos\u00e9 Deusimar Loiola Gon\u00e7alves T\u00e9cnico em Agropecu\u00e1ria (Funcion\u00e1rio Publico Aposentado- Extensionista do Governo do Estado de nossa linda e extennsa Bahia); Graduado em Administra\u00e7\u00e3o de M\u00e9dias e Pequenas Empresas; Licenciado em Biologia; P\u00f3s Graduado Em Gest\u00e3o Educa\u00e7\u00e3o Ambiental, e Tecn\u00f3logo em Apicultura e Meliponicultura. Zap: (75) 99998-0025 (Vivo) . 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