{"id":10803,"date":"2020-09-16T01:18:40","date_gmt":"2020-09-16T04:18:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portaldenoticias.net\/deusimar\/?p=10803"},"modified":"2020-09-16T01:34:03","modified_gmt":"2020-09-16T04:34:03","slug":"massacre-das-abelhas-75-milhoes-envenenadas-por-agrotoxico-na-bahia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portaldenoticias.net\/deusimar\/massacre-das-abelhas-75-milhoes-envenenadas-por-agrotoxico-na-bahia\/","title":{"rendered":"MASSACRE DAS ABELHAS \u2013 75 MILH\u00d5ES ENVENENADAS POR AGROT\u00d3XICO NA BAHIA."},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.portaldenoticias.net\/ffsantos\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/abelhas.jpeg\" alt=\"abelhas\" \/><\/p>\n<p><strong>CORREIO 24 HORAS teve acesso, com exclusividade, \u00e0s\u00a0\u00a0an\u00e1lises laboratoriais que revelaram contamina\u00e7\u00e3o em Cafezais no Estado.<\/strong><\/p>\n<p>Por Florisvaldo -14 de setembro de 2020<\/p>\n<p>Um avi\u00e3o no c\u00e9u e um rastro de at\u00e9 75 milh\u00f5es de abelhas mortas no ch\u00e3o. Depois de ser atingidas por uma garoa de agrot\u00f3xicos, na regi\u00e3o rural de Monte Pascoal, distrito de Itabela, Extremo-sul baiano, os insetos morreram, envenenados. O CORREIO teve acesso, com exclusividade, \u00e0s an\u00e1lises laboratoriais que revelaram, nas abelhas mortas, envenenamento por aditivos. O impacto ambiental ainda \u00e9 imensur\u00e1vel e as abelhas continuam a morrer em diferentes regi\u00f5es. Somente neste ano, 16 milh\u00f5es delas desapareceram na Bahia com suspeita de envenenamento.<\/p>\n<p>Os exames foram entregues ao Minist\u00e9rio P\u00fablico da Bahia (MP), que investiga o caso, quase dois anos depois da mortandade das milh\u00f5es de abelhas, em setembro de 2018. Segundo apicultores da regi\u00e3o, uma aeronave lan\u00e7ou agrot\u00f3xicos sobre planta\u00e7\u00f5es de caf\u00e9 naquele m\u00eas. Os apicultores ainda n\u00e3o recuperaram todas as abelhas. \u00c9 necess\u00e1ria uma espera de at\u00e9 tr\u00eas anos para compor os enxames completos, com rainhas, oper\u00e1rias e zang\u00f5es.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.portaldenoticias.net\/ffsantos\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/abelhas-2.jpeg\" alt=\"abelhas 2\" \/><\/p>\n<p><strong>Abelhas mortas no Extremo-sul baiano: mortandade estaria ligada\u00a0\u00a0\u00e0 pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea de agrot\u00f3xicos em cafezais (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/strong><\/p>\n<p>Abelhas mortas no Extremo-sul baiano: mortandade estaria ligada \u00e0 pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea de agrot\u00f3xicos em cafezais (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o) As an\u00e1lises encontraram tr\u00eas agrot\u00f3xicos nas abelhas: clorpirif\u00f3s-et\u00edlico, clomazona e fipronil, associado a mortes de abelhas ao redor do mundo. Os tr\u00eas, conforme a Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria, s\u00e3o \u201cmuito perigosos ao meio ambiente\u201d. Os aditivos foram introduzidos no pa\u00eds, respectivamente, pela Basf e FMC, em 2008, e Nortox, a partir de 1994. As duas primeiras defendem a seguran\u00e7a dos produtos, se usados corretamente. A Nortox n\u00e3o respondeu. (Leia \u00edntegra das notas abaixo).<\/p>\n<p>O per\u00edodo das mortes em Monte Pascoal coincide a florada do caf\u00e9, quando as abelhas, de flor em flor, transferem os gr\u00e3os de p\u00f3len e possibilitam o surgimento de sementes e frutos \u2013 processo chamado de poliniza\u00e7\u00e3o. \u00c9 um transporte fundamental tanto \u00e0 agricultura, ao possibilitar a fecunda\u00e7\u00e3o e a variabilidade gen\u00e9tica, quanto \u00e0s abelhas, que se alimentam do n\u00e9ctar das flores. Como n\u00e3o existe regulamenta\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o de aditivos durante a florada, resta o di\u00e1logo.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas apicultores afetados dizem que a pulveriza\u00e7\u00e3o durante a florada foi um \u201cerro\u201d. Com as flores abertas, as plantas ficam mais fr\u00e1geis e os aditivos tamb\u00e9m podem mat\u00e1-las. Os produtores agr\u00edcolas apresentam outra vers\u00e3o.<\/p>\n<p>Bastava chegar aos seus tr\u00eas api\u00e1rios, duas horas depois da aplica\u00e7\u00e3o, para Dario Chiachiarini, 45 anos, encontrar abelhas cambaleantes e outras j\u00e1 mortas, formando um tapete, ele conta. Todas morreram. A subsist\u00eancia de D\u00e1rio, propriet\u00e1rio de 600 caixas, foi junto. Foram, calculam os apicultores, 750 caixas de abelhas perdidas. Cada caixa, conjunto de abelhas numa colmeia, abriga de 80 mil a 100 mil insetos.<\/p>\n<p><strong>Abelhas mortas no Extremo-sul baiano: mortandade estaria ligada\u00a0\u00a0\u00e0 pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea de agrot\u00f3xicos em cafezais (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/strong><\/p>\n<p>As an\u00e1lises encontraram tr\u00eas agrot\u00f3xicos nas abelhas: clorpirif\u00f3s-et\u00edlico, clomazona e fipronil, associado a mortes de abelhas ao redor do mundo. Os tr\u00eas, conforme a Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria, s\u00e3o \u201cmuito perigosos ao meio ambiente\u201d. Os aditivos\u00a0\u00a0foram introduzidos no pa\u00eds, respectivamente, pela Basf e FMC, em 2008, e Nortox, a partir de 1994. As duas primeiras defendem a seguran\u00e7a dos produtos, se usados corretamente. A Nortox n\u00e3o respondeu. (Leia \u00edntegra das notas abaixo).<\/p>\n<p>O per\u00edodo das mortes em Monte Pascoal coincide a florada do caf\u00e9, quando as abelhas, de flor em flor, transferem os gr\u00e3os de p\u00f3len e possibilitam o surgimento de sementes e frutos \u2013 processo chamado de poliniza\u00e7\u00e3o. \u00c9 \u00a0um transporte fundamental tanto \u00e0 agricultura, ao possibilitar a fecunda\u00e7\u00e3o e a variabilidade gen\u00e9tica, quanto \u00e0s abelhas, que se alimentam do n\u00e9ctar das flores. Como n\u00e3o existe regulamenta\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o de aditivos durante a florada, resta o di\u00e1logo.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas apicultores afetados dizem que a pulveriza\u00e7\u00e3o durante a florada foi um \u201cerro\u201d. Com as flores abertas, as plantas ficam mais fr\u00e1geis e os aditivos tamb\u00e9m podem mat\u00e1-las. Os produtores agr\u00edcolas apresentam outra vers\u00e3o.<\/p>\n<p>Bastava chegar aos seus tr\u00eas api\u00e1rios, duas horas depois da aplica\u00e7\u00e3o, para Dario Chiachiarini, 45 anos, encontrar abelhas cambaleantes e outras j\u00e1 mortas, formando um tapete, ele conta. Todas morreram. A subsist\u00eancia\u00a0\u00a0de D\u00e1rio, propriet\u00e1rio de 600 caixas, foi junto. Foram, calculam os apicultores, 750 caixas de abelhas perdidas. Cada caixa, conjunto de abelhas numa colmeia, abriga de 80 mil a 100 mil insetos.<\/p>\n<p><strong>\u201cImagine perder tudo. \u00c9 uma pena que os donos da terra n\u00e3o compreendam\u00a0\u00a0que abelha \u00e9 vida\u201d, lamentou o argentino, que chegou \u00e0 Bahia em 2015.<\/strong><\/p>\n<p>A morte das abelhas n\u00e3o afeta s\u00f3 apicultores ou agricultores. Tr\u00eas entre quatro tipos de alimentos dependem das abelhas, estima a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidos (ONU).\u00a0No s\u00e9culo 20, uma frase atribu\u00edda a Albert Einstein diz que, se desaparecessem as abelhas, sumiriam tamb\u00e9m os homens. Sem elas, viver\u00edamos, no m\u00e1ximo, quatro anos.<\/p>\n<p><strong>Agricultor diz que\u00a0\u00a0n\u00e3o houve erro<\/strong><\/p>\n<p>Numa manh\u00e3 daquele m\u00eas de setembro, Elinaldo* encontrou os 70 enxames que possu\u00eda \u2013 entre cinco e sete milh\u00f5es de abelhas \u2013 mortos. Os api\u00e1rios s\u00e3o colocados dentro ou pr\u00f3ximos de propriedades agr\u00edcolas para que as abelhas\u00a0\u00a0recolham o n\u00e9ctar das flores na l\u00edngua e, na volta, depositem na colmeia. Depois uma desidrata\u00e7\u00e3o natural, o mel \u00e9 formado. \u201cLiguei para um vizinho, e ele disse que as abelhas tamb\u00e9m morreram\u201d, conta. Os dois pediram anonimato.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.portaldenoticias.net\/ffsantos\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/abelhas_polinizando_3671dbbc70.jpg\" alt=\"abelhas polinizando 3671dbbc70\" \/><\/p>\n<p><strong>Abelha polinizando flores, um processo fundamental\u00a0\u00a0para a biodiversidade (Foto: Jos\u00e9 Monteiro\/Arquivo Pessoal)<\/strong><\/p>\n<p>O F\u00f3rum Baiano de Combate aos Impactos dos Agrot\u00f3xicos (FBCA), integrado pelos Minist\u00e9rios P\u00fablicos estadual e federal, organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil e universidades, foi acionado e uma den\u00fancia formal ao MP\u00a0\u00a0da Bahia protocolada. O promotor Maur\u00edcio Magnavita, de Porto Seguro, \u00e0 frente do caso, afirmou que o resultado dos exames ainda n\u00e3o chegou em suas m\u00e3os. S\u00f3 depois disso poder\u00e1 se pronunciar.<\/p>\n<p>As coletas precisaram ser enviadas ao Laborat\u00f3rio da Universidade Federal de Santa Maria (Larp), no Rio Grande do Sul. A Bahia n\u00e3o possui laborat\u00f3rio para analisar res\u00edduos t\u00f3xicos em insetos. Tamb\u00e9m foram encaminhadas amostras de mel, nas quais foram encontrados agrot\u00f3xicos acima\u00a0do limite permitido, e folhas de caf\u00e9, com res\u00edduos de quatro aditivos n\u00e3o recomendados para a cafeicultura, como a clomazona. O FBCA conseguiu apoio do F\u00f3rum Ga\u00facho e do Larp para bancar a an\u00e1lise laboratorial. Cada an\u00e1lise chega a custar R$ 1,2 mil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cImagine perder tudo. \u00c9 uma pena que os donos da terra n\u00e3o compreendam que abelha \u00e9 vida\u201d, lamentou o argentino, que chegou \u00e0 Bahia em 2015. A morte das abelhas n\u00e3o afeta s\u00f3 apicultores ou agricultores. Tr\u00eas entre quatro tipos de alimentos deO produtor Roberto Couvre, respons\u00e1vel por tr\u00eas das quatro fazendas citadas na den\u00fancia encaminhado ao MP, afirmou ter acontecido pulveriza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xico anteriormente \u00e0 florada. \u201cEstava acontecendo uma mortalidade dessas abelhas j\u00e1 antes da pulveriza\u00e7\u00e3o. Muitas chegaram de uma viagem mortas\u201d, diz.\u00a0Ele tamb\u00e9m afirma que os apicultores n\u00e3o tinham autoriza\u00e7\u00e3o para estar nas propriedades da fam\u00edlia, uma das pioneiras na produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 em Itabela, onde est\u00e3o desde os anos 80. Os gr\u00e3os produzidos no local s\u00e3o vendidos para boa parte do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Os apicultores migram as caixas conforme despontam as flores de onde as abelhas possam extrair o n\u00e9ctar, em diferentes culturas. Os acordos entre apicultores e agricultores costumam\u00a0\u00a0ser informais. Produtores de mel negam ter ocorrido morte de abelhas antes da pulveriza\u00e7\u00e3o e a falta de autoriza\u00e7\u00e3o para colocar as caixas com abelhas nas fazendas.<\/p>\n<p>Na outra propriedade citada, a Muqui, um dos respons\u00e1veis, Vinicius Grassi, afirmou que um dos apicultores tinham autoriza\u00e7\u00e3o para estar na propriedade. L\u00e1, onde produzem caf\u00e9 h\u00e1 30 anos, ele nega ter ocorrido pulveriza\u00e7\u00e3o na \u00e9poca\u00a0\u00a0da florada. \u201cSempre deixamos os apicultores entrarem aqui e nunca tivemos nenhum tipo de problema. Se houve algum problema, n\u00e3o veio daqui\u201d, diz. Os sacos do gr\u00e3o s\u00e3o vendidos no Brasil e exportados para o exterior.<\/p>\n<p><strong>\u201cEspero que isso n\u00e3o abra precedente para que ningu\u00e9m\u00a0\u00a0mais queira deixar que coloquem caixas dentro de propriedades\u201d, complementa.<\/strong><\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o daquele ano ainda estava no in\u00edcio e foi jogada no lixo pelos apicultores. A Bahia \u00e9 o s\u00e9timo maior produtor de mel do pa\u00eds, segundo a Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR). Em 2019, foram 3,9 mil toneladas. O estado tem 20 mil apicultores e 400 mil colmeias. A produ\u00e7\u00e3o em Itabela n\u00e3o foi detalhada.<\/p>\n<p>O Extremo-sul da Bahia, por outro lado, \u00e9 o principal produtor de caf\u00e9 conilon da Bahia e o quarto do pa\u00eds \u2013 em 2018, segundo a Secretaria Estadual de Agricultura, foram 82.646 toneladas. Esse \u00e9 o tipo de caf\u00e9 mais consumido no Brasil.<\/p>\n<p>O presidente da Federa\u00e7\u00e3o Baiana de Apicultura e Meliponicultura, Franci\u00e9lio Machado, acredita que a pulveriza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xico \u2013 quando realizada sem di\u00e1logo entre agricultores e apicultores, sobretudo \u2013 preocupa n\u00e3o s\u00f3 pelo preju\u00edzo, como pelo impacto no mel. Assim como inexistem levantamentos de quantas abelhas morrem envenenadas, ou qualquer pol\u00edtica p\u00fablica de aten\u00e7\u00e3o ao assunto, faltam monitoramentos de res\u00edduos em produtos da apicultura.<\/p>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o de Produtores de Caf\u00e9 da Bahia, por meio do presidente Jo\u00e3o Lopes Ara\u00fajo, declarou: \u201cn\u00f3s defendemos que a abelha \u00e9 fundamental. A gente lamenta que essas quest\u00f5es tenham sido pouco consideradas ao longo do tempo, pelo fato de raramente existir comprova\u00e7\u00e3o [de abelhas contaminadas]\u201d.<\/p>\n<p><strong> 16 milh\u00f5es de abelhas podem ter morrido neste ano<\/strong><\/p>\n<p>No m\u00eas de fevereiro, em Serra do Ramalho, cidade no Oeste baiano que \u00e9 a oitava maior produtora de mel do estado \u2013 80 toneladas em 2018 -, 14 milh\u00f5es de abelhas desapareceram dos api\u00e1rios, pr\u00f3ximos de plantios de sorgo. O motivo, ningu\u00e9m soube explicar. As mortes geraram uma den\u00fancia na Ag\u00eancia de Defesa Agropecu\u00e1ria da Bahia (Adab). O autor da den\u00fancia n\u00e3o quis dar entrevista.<\/p>\n<p>O desaparecimento de abelhas na Bahia come\u00e7ou a ser mapeado pela Adab em 2016. O \u00f3rg\u00e3o n\u00e3o informou quantas den\u00fancias ocorreram, mas a reportagem apurou a exist\u00eancia de outras duas em 2018: em Quijingue, no Nordeste do estado, e em Brotas de Maca\u00fabas, na Chapada Diamantina. Nenhuma delas chegou a ser investigada.<\/p>\n<p>A den\u00fancia, na pr\u00e1tica, serve para mapear casos, nada al\u00e9m disso, pois exames n\u00e3o s\u00e3o feitos, exceto se algum \u00f3rg\u00e3o intervir. \u201cMuitos apicultores perdem as abelhas, \u00e9 frequente. A dificuldade \u00e9 conseguir fazermos os exames laboratoriais\u201d, avalia Luciana Khoury, promotora do MP-BA e presidente do F\u00f3rum Baiana de Combate aos Impactos dos Agrot\u00f3xicos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m em fevereiro, em J\u00e2nio Quadros, no Sudoeste da Bahia, um apicultor denunciou a morte de 20 colmeias, entre 1,6 a dois milh\u00f5es de abelhas, colocadas vizinhas a pastagens. Dessa vez, o produtor de mel retirou a den\u00fancia, para evitar conflitos com produtores da regi\u00e3o.\u00a0 A coordenadora do Programa de Sanidade de Abelhas da Adab, Rejane Noronha, diz que, normalmente, os apicultores sequer denunciam, pois precisam das fazendas para colocar os api\u00e1rios.<\/p>\n<p><strong>\u201cH\u00e1 muitos e muitos casos que n\u00e3o s\u00e3o notificados. Deveria ser obriga\u00e7\u00e3o federal custear isso. Mas quem vai brigar com a ind\u00fastria e pressionar para que morte por agrot\u00f3xico sejam de notifica\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria? \u201d, questiona Rejane. <\/strong><\/p>\n<p>As cria\u00e7\u00f5es de abelhas mais afetadas costumam estar pr\u00f3ximas a extensas produ\u00e7\u00f5es de monocultura, como soja, cana, eucalipto e caf\u00e9. O Minist\u00e9rio da Agricultura foi questionado sobre o desaparecimento das abelhas, mas repassou a demanda ao Ibama. Questionado, o \u00f3rg\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o respondeu.<\/p>\n<p>A SDR da Bahia disse reconhecer o preju\u00edzo da morte de abelhas. \u201cN\u00f3s acompanhamos essas quest\u00f5es, porque sabemos que h\u00e1 um impacto direto na apicultura e na agricultura. Mas h\u00e1 uma grande dificuldade, e n\u00e3o s\u00f3 na Bahia, de investigar\u201d, completa Marivanda Eloy, coordenadora estadual de apicultura da pasta. A Seagri n\u00e3o se pronunciou.<\/p>\n<p><strong>Outros insetos\u00a0\u00a0podem estar morrendo<\/strong><\/p>\n<p>Outros insetos podem estar morrendo As abelhas s\u00e3o consideradas os elementos mais importantes para a biodiversidade. Pelo menos 90% da poliniza\u00e7\u00e3o realizada por insetos ou animais \u00e9 feita por elas. No Brasil, h\u00e1 1,6 mil esp\u00e9cies de abelhas catalogadas. Delas, em m\u00e9dia 300 s\u00e3o nativas.<\/p>\n<p><strong>\u201cMesmo as que n\u00e3o dependem 100% das abelhas, tem a produ\u00e7\u00e3o aumentada, a qualidade, o peso, aumentado, quando h\u00e1 poliniza\u00e7\u00e3o\u00a0\u00a0por abelhas\u201d, explica Fav\u00edzia de Oliveira, uma das \u00fanicas taxonomistas de abelhas no Brasil e professora da Universidade Federal da Bahia.<\/strong><\/p>\n<p>A primeira vez em que se falou sobre a mortandade em massa de abelhas foi em 2005, nos Estados Unidos, no que ficou conhecido como Dist\u00farbio do Colapso das Col\u00f4nias. O Brasil registrou o primeiro caso no mesmo ano, em S\u00e3o Paulo. Na Bahia, n\u00e3o h\u00e1 cataloga\u00e7\u00e3o, o que n\u00e3o significa que o fen\u00f4meno n\u00e3o exista, como sugerem os n\u00fameros.<\/p>\n<p>A morte de abelhas tem sido associada, principalmente, aos aditivos \u00e0 base de fipronil, encontrado nas abelhas de Monte Pascoal, e neonicotin\u00f3ides, inseticidas que matam pragas e insetos. Os dois s\u00e3o proibidos na Europa, mas permitidos no Brasil. Em 2019, a Ag\u00eancia P\u00fablica e Rep\u00f3rter Brasil revelaram a morte de 500 milh\u00f5es de abelhas nos estados do Rio Grande do Sul, S\u00e3o Paulo, Santa Catarina e Mato Grosso, por inseticidas.<\/p>\n<p>A forma mais comum de contamina\u00e7\u00e3o das abelhas \u00e9 durante a poliniza\u00e7\u00e3o. As abelhas que n\u00e3o padecem imediatamente, depois de os agrot\u00f3xicos lhes causarem paralisias e descargas el\u00e9tricas, at\u00e9 voltam para casa, mas infectam a colmeia e todas morrem. Pesquisas tamb\u00e9m t\u00eam mostrado que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e interfer\u00eancias externas podem prejudicar as abelhas.<\/p>\n<p>Se as abelhas morrem, a destrui\u00e7\u00e3o pode ser ainda maior, afirma o professor Osmar Malaspina, pesquisador do Centro de Estudos de Insetos Sociais da Universidade Estadual de S\u00e3o Paulo. Isso sugere que borboletas e mariposas, tamb\u00e9m polinizadores, tiveram igual fim.<\/p>\n<p><strong>\u201cDentro da mata, n\u00e3o consigo calcular a morte. Esp\u00e9cies nativas podem estar desaparecendo. Nem d\u00e1 para calcular o dano ambiental\u201d, lamenta. <\/strong><\/p>\n<p>A falta de conhecimento t\u00e9cnico ou a escolha de ignor\u00e1-lo s\u00e3o problemas somados \u00e0 toxicidade dos aditivos. A pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea tem sido alvo de discuss\u00e3o, mas n\u00e3o \u00e9 proibida no Brasil. Quem defende sua proibi\u00e7\u00e3o diz que ela afeta mais intensamente o ecossistema. Do outro lado, agr\u00f4nomos alertam que, com acompanhamento t\u00e9cnico, o risco \u00e9 m\u00ednimo.<\/p>\n<p>O agr\u00f4nomo Renato Hort\u00e9lio, produtor e consultor em produ\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o de caf\u00e9, explica que as grandes vantagens da pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea para o agroneg\u00f3cio tem sido a agilidade na aplica\u00e7\u00e3o e o custo relativamente baixo \u2013 R$ 70 por hectare. \u201cA quest\u00e3o \u00e9 haver di\u00e1logo, para que as caixas de abelhas sejam fechadas nos momentos de pulveriza\u00e7\u00e3o, mesmo terrestres. H\u00e1 uma grande desinforma\u00e7\u00e3o quanto ao que \u00e9 pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea. Mas o principal, na verdade, \u00e9 seguir as regras\u201d, comenta.<\/p>\n<p>O di\u00e1logo, como se v\u00ea, nem sempre ocorre. O apicultor Joaquim Rodrigues, 43, perdeu em 2017, 100 caixas \u2013 at\u00e9 10 milh\u00f5es de abelhas. Em maio deste ano, 16 enxames morreram, colocados vizinhos a uma planta\u00e7\u00e3o de eucalipto, em Ribeira do Pombal. O apicultor n\u00e3o foi avisado e abriu os enxames para as abelhas seguirem suas viagens di\u00e1rias. A suspeita \u00e9 de que tenham sido envenenadas, mas n\u00e3o houve den\u00fancia.<\/p>\n<p>Quando perguntado sobre casos de desaparecimento de abelhas, Joaquim fica em sil\u00eancio para, logo depois, dizer: \u201cSe continuar assim, abelha se transforma em pe\u00e7a de museu. Mas que se lembre que sem abelha n\u00e3o h\u00e1 vida\u201d.<\/p>\n<p><strong>Empresas afirmam que produto \u00e9\u00a0\u00a0seguro e lamentam morte de abelhas<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0Basf:<\/strong> \u201cA Basf n\u00e3o tem produtos \u00e0 base de fipronil para aplica\u00e7\u00e3o foliar e a\u00e9rea no pa\u00eds. Os produtos da Basf s\u00e3o indicados apenas para tratamento de sementes e aplica\u00e7\u00e3o em sulco de plantio no Brasil, o que n\u00e3o causa impacto para polinizadores. Se utilizado de acordo com as instru\u00e7\u00f5es do r\u00f3tulo da Basf e seguindo recomenda\u00e7\u00f5es de boas pr\u00e1ticas agr\u00edcolas, que inclui a aplica\u00e7\u00e3o n\u00e3o-foliar do inseticida, os produtos aprovados com o ingrediente ativo fipronil s\u00e3o seguros para os seres humanos e o meio ambiente, incluindo os polinizadores. A Basf participa de iniciativas que promovem a\u00e7\u00f5es educativas e di\u00e1logo entre agricultores e apicultores, como o movimento COLMEIA VIVA\u00ae e a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Estudos sobre Abelhas (A.B.E.L.H.A), e est\u00e1 comprometida com os princ\u00edpios do C\u00f3digo Internacional de Conduta sobre Manejo de Pragas realizado pela OMS \/ FAO, para contribuir com a longevidade dos cultivos e o legado da agricultura brasileira\u201d.<\/p>\n<p>FMC: FMC, alinhada \u00e0 sua vis\u00e3o de responsabilidade e seguran\u00e7a, vem esclarecer que n\u00e3o possui produtos \u00e0 base de clomazone com registro para cultura do caf\u00e9. Lamentamos o ocorrido que resultou na morte das abelhas, e comunicamos que a FMC possui entre seus pilares estrat\u00e9gicos a sustentabilidade e a responsabilidade com o meio ambiente, por isso, apoiamos o Projeto Colmeia Viva, um movimento do setor de defensivos agr\u00edcolas para estimular a valoriza\u00e7\u00e3o da prote\u00e7\u00e3o racional dos cultivos, o servi\u00e7o de poliniza\u00e7\u00e3o realizado pelas abelhas, a prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade e o respeito \u00e0 apicultura.<\/p>\n<p>Nosso objetivo \u00e9 sempre promover o uso correto de defensivos agr\u00edcolas na agricultura brasileira para proteger os cultivos e contribuir no direito b\u00e1sico de alimenta\u00e7\u00e3o das pessoas, respeitando a apicultura, protegendo as abelhas e o meio ambiente.\u201d<\/p>\n<p><strong>Fonte: https:\/\/www.correio24horas.com.br <\/strong><\/p>\n<p><strong>Contribui\u00e7\u00e3o do:\u00a0 Blog do Florisvaldo \u2013 Informa\u00e7\u00e3o Com Imparcialidade \u2013 14\/09\/2020<\/strong><\/p>\n<p><strong>Colabora\u00e7\u00e3o e Complementos de:<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #38761d;\"><strong><b><u>Jos\u00e9 Deusimar Loiola Gon\u00e7alves<\/u><br \/>\n<\/b><i>T\u00e9cnico em Agropecu\u00e1ria (Assistente T\u00e9cnico de Desenvolvimento Rural-FLEM-BAHIATER-Governo do Estado); Graduado em Administra\u00e7\u00e3o de M\u00e9dias e Pequenas Empresas; Licenciado em Biologia; P\u00f3s Graduado Em Gest\u00e3o Educa\u00e7\u00e3o Ambiental e Acad\u00eamico da UNITAU-EAD-Polo de Tucano \u2013 Curso Superior de Tecnologia em Apicultura e Meliponicultura.<\/i><\/strong><br \/>\n<b>Zap: <\/b><b>(<a href=\"tel:(75)%2099998-0025\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">75) 99998-0025<\/a>\u00a0(<\/b><b>Vivo)<\/b><b> &#8211; <\/b><b>(<\/b><b><a href=\"tel:(75)%2099131-0784\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">75) 99131-0784<\/a>\u00a0<\/b><b>(Tim).<br \/>\n<\/b><b>Blog:<\/b><\/span> <a href=\"https:\/\/www.portaldenoticias.net\/deusimar\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/www.portaldenoticias.net\/deusimar<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CORREIO 24 HORAS teve acesso, com exclusividade, \u00e0s\u00a0\u00a0an\u00e1lises laboratoriais que revelaram contamina\u00e7\u00e3o em Cafezais no Estado. Por Florisvaldo -14 de setembro de 2020 Um avi\u00e3o no c\u00e9u e um rastro de at\u00e9 75 milh\u00f5es de abelhas mortas no ch\u00e3o. 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